Google para o mundo: fuck mobile

Lá se foi mais um keynote do Google em sua conferência anual, o Google I/O. E desta vez uma edição bem diferente em relação ao que vimos no passado em sua edição 2016.

Nos anos anteriores foi muito comum ver o Google dando um grande foco na plataforma Android, que sempre teve como tendão de achilles sua distribuição — o Nougat, grande estrela do ano passado, ainda tem apenas 7% de adoção. Por isso era comum entre nós da BUNKER79 a piada: “E então? Quais as apostas para o I/O 2017? O que o Google vai mostrar este ano que não poderemos usar?”.

Sim, uma série de avanços do Nougat tiveram impacto muito pequeno no nosso dia a dia. É importante contextualizar que quando falo em 7% de Nougat instalados me refiro a dados mundiais, o nosso cenário de atuação do Brasil é muito mais restrito já que temos que garantir uma boa retrocompatibilidade com versões anteriores.

Mas então veio a surpresa: em um keynote de 2 horas o Android só ganhou atenção exclusiva após 1h20 de apresentação. Basicamente a plataforma ganhou melhoras em sua performance, melhoras de segurança e otimizações de bateria. Tudo bem, houveram algumas melhoras de interface aqui e alí, mas que acabam sendo irrelevantes para a empresa em termos de modelo de negócio.

Mobile first to AI frist.

Foi com a frase acima que Sundar Pichai encerrou o keynote. Em linhas gerais um grande dane-se mobile e seus problemas de distribuição, dane-se flagship hardware. Isto não é nosso core business.

Google é AI. É o seu Google Assistant em qualquer lugar, é Tensor Flow e é Google Lens. Não importa seu hardware, não importa sua câmera e não importa que plataforma use. Machine learning e AI já estão presentes em todos os seus produtos: YouTube, Gmail, Google Photos… Em qualquer tela que estiver próxima de você: sua TV, seu carro, seu relógio, seu celular Android ou mesmo seu iPhone.

No additional phone ou apps required.

E neste contexto até o Google Home acabou ganhando mais foco do que o velho Android. Sem usar suas mãos e sem se importar se você está com seu telefone — o Google promete ligações gratuitas nos Estados Unidos direto pelo dispositivo — você pode interagir com as principais ferramentas da empresa e seus parceiros. Tudo o que o que o seu assistente é capaz de fazer.

O I/O que está começando hoje deixa bem claro o posicionamento do Google: sua presença transcende os pequenos retângulos pretos que temos em nossos bolsos, transcende apps e transcende telas e objetos.

Tudo isto quer dizer que o Android vai ser esquecido e que mobile está fadado a morrer? Não, claro que não. Quer dizer apenas que cada vez mais sua estratégia de como se integrar com este admirável mundo novo precisa ser mais inteligente e pertinente. Com a abertura destas ferramentas para desenvolvedores, machine learning coloca novos desafios em um cenário onde o seu celular é “apenas” uma importante tela dentro de um contexto maior. E o Google nos deu uma pequena amostra disto hoje.

Bem vindo ao artificial intelligence first.

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