Afinal, quando nasce um pai?

Oi, pai, tudo bem por aí?

Faça aqui a sua aposta. Um pai nasce:

a) Quando a sua mãe lhe dá à luz;

b) Após o nascimento de seu filho; ou

c) Ao criar um pet.

Todas as respostas estão certas. É claro, as opções somam o alfabeto inteiro e muito mais, afinal, um pai nasce a partir de muitas experiências de vida. Destaco duas muito importantes:

Quando você aprende a ser filho

É como disse Paulo Freira: “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Nesse caso, ser filho é aprender a conviver com o pai; observá-lo, sentir-se seguro com ele; ter a sua independência e autonomia estimuladas; brincar e criar.

Antes de conceber quando adultos, os meninos aprendem o valor da concepção a partir dessa relação entre pai e filho.

É óbvio que a mãe também faz parte disso, mas para quem não tem útero, muitas vezes é difícil estabelecer uma relação emocional e simbólica com uma “barriga”. Alguns pais enxergam, sentem, comemoram com essa parte do corpo da mãe. Já outros… bem, são mais concretos mesmo.

Quando você aprende a ser mãe

E é justamente assim, por aprender a “ser mãe”, adquirindo a sensibilidade necessária para olhar através de uma simples barriga e enxergar uma parte sua lá dentro, é que você se transforma.

Não estou falando do orgulho de ter “plantado uma sementinha na mulher”, mas um aprendizado junto a mãe dedicada comum, já diria Donald W. Winnicott. Obviamente, você será aquele a quem a segurança desse ambiente será atribuída: o caçador, o lutador, o guerreiro, o guardião.

Mas isso não deve acontecer em tempo integral. Observar a mãe no trato do filho, comover-se com o momento, ler um livro para barriga (para o filho), escolher as roupas, compreender o motivo do nome escolhido e seu significado, o que acontecia quando essa criança foi concebida e quais mudanças ele proporcionará na sua vida, dentre outros, é mergulhar um pouco mais nesse “FEMININO” que talvez lhe falte.

Você é resultado das suas experiências de vida. Elas vão da herança recebida dos seus, ao colorido atribuído por você a esse legado.

Ah… e se essa herança diz que você não deve ser pai, está tudo bem. Assumir a paternidade, ainda que seja a de si mesmo, exige cuidado, dedicação e coragem para dizer “NÃO” as convenções sociais.

Neste caso, digo que se a “sua mãe” e pai” estiverem bem resolvidos aí, dentro de você, vez ou outra você poderá baixar a guarda e se permitir SER. Apenas isso: seja filho, seja pai, seja a sua verdadeira natureza.

Vida saudável e próspera para você.

Forte abraço,

Rodrigo Moreira