O que faço para esquecer
Fran
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Fran, tenho 3 presentes pra você.

O primeiro deles é a Potenciação de Longo Termo, uma palavra vinda da neurociência. Basicamente, quanto mais você ativa uma sinapse (pensamento) mais propenso ela fica de ser ativada. Isso significa que, se você passar a semana estudando uvas ou, melhor ainda, trabalhar com uvas, de repente você vai ter correlações entre tudo e uvas. Aqui também entram os relacionamentos. Não é que eles são difíceis de esquecer por terem acabado mal, são difíceis por terem enraizado e potencializado muito. Então o seu esquecer/apagar — ou o meu ‘matar — são técnicas para reduzir a ativação das sinapses que levam à memória.

O segundo presente vem da medicina clínica. Lá, constaram que, na verdade, mentes saudáveis tendem a esquecer o ruim e lembrar do bom. Claro, casos traumáticos são uma exceção porque nosso cérebro quer nos proteger do trauma de acontecer de novo. Mas, no geral, somos perdoadores. Nossas amizades e relacionamentos são mantidos porque, por mais que tenhamos brigado com intensidade com alguém, chega um momento que acabamos nos perguntando qual foi o motivo da briga.

O terceiro é que eu acho super legal sua metodologia e sigo no mesmo caminho. Uso o Google Photos para armazenar todas as memórias que quero lembrar, porque sei que sei o Photos eu esqueceria e cairia no Oblivion. De forma similar, apagando fotos do Photos é como se removesse a ligação com a memória e facilitasse a fraqueza da mesma, reduzindo a potenciação da sinapse.

Sabe uma coisa legal que comecei a fazer há duas semanas? Anotar. Anotar tudo. Depois de assistir 10h de conteúdo solto no Youtube sobre empreendedorismo, percebi que iria perder muito daquilo que estava vendo em pouco tempo. Então passei a anotar, a guardar minhas memórias com novos atalhos. Estou adicionando cada vez mais coisas da minha vida às anotações no Trello, sejam livros, vídeos no Youtube, cursos, séries ou artigos lidos. Tudo isso se torna um atalho, uma sinopse feita por mim que está intrinsecamente conectada ao meu modo de pensar e possui o endereço exato, no meu cérebro, das emoções e sensações daquele momento. Estou amando fazer isso e, com duas semanas, já sinto uma grande diferença até na força da memória sem precisar consultar meu Trello.

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