"Dito Pelo Não Dito" entrevista: Rodrigo Ortiz Vinholo

Pessoa estranha profissional.

Neste momento, está em financiamento coletivo no Catarse o livro “Dito Pelo Não Dito”, organizado por mim e pelo Pedro Hutsch Balboni, com mais 10 autores e um ilustrador!

Enquanto entrevistávamos nossos autores participantes (vocês podem ler as outras nos meus textos do Medium), eu e o Pedro decidimos também participar da brincadeira! Então eu, Rodrigo, publicitário, jornalista, escritor e pessoa estranha, respondi o mesmo que o resto do pessoal. Apoiando “Dito Pelo Não Dito”, além de um livro "roteirizado" e editado por mim, você terá o último capítulo da obra com minhas próprias palavras! Conheça mais sobre o projeto AQUI e leia abaixo minha auto-entrevista:

O que te levou para a escrita?

Eu sempre gostei MUITO de ler e escrever acabou se desdobrando naturalmente disso. Eu era aquele aluno que adorava fazer redações na escola e geralmente me dava muito bem, apesar da letra. Saindo do colégio, passei quase uma década fazendo matérias jornalísticas e a vontade de escrever desabrochou com mais facilidade em algum lugar no meio do caminho.

Qual foi a primeira coisa que você escreveu e achou o resultado bacana?

Essa é difícil — eu sempre gostava muito das minhas redações na escola e modéstia à parte, sempre amei minhas críticas cinematográficas. Me lembro que na escola já atormentava os amigos com historinhas bizarras, poeminhas e gibis extremamente malfeitos. No mundo de literatura “de verdade”, acho que vi que dava para esse negócio a partir do momento que meu primeiro conto foi publicado na “vida real” (“Modus Operandi”, na coletânea “Terrir”, da Editora Estronho, em 2013).

Quais seus interesses, e como isso te influencia na hora de escrever?

Livros, filmes, quadrinhos, autoconhecimento, linguagem e um pouquinho de tudo que eu conseguir de todas as áreas de pensamento. Eu gosto muito de histórias de todo tipo e de entender as coisas — como funcionam, suas origens, seus motivos. Isso significa que eu geralmente tendo a ir em vertentes de ficção mais estranha e histórias que não vão em moldes exatamente delimitados (o que pode ser, às vezes, um problema).

Como eu penso muito, o tempo todo, sobre tudo, eu imagino que quando conto uma história, ela deve de algum modo oferecer algo para quem lê que não seja apenas uma descrição de fatos e talvez uma emoção. Do mesmo modo como gosto de pensar no que há por trás de tudo, no que faz as coisas funcionarem, eu gosto de escrever em maneiras que façam com que as pessoas pensem assim sobre meus personagens e universos e, direta ou indiretamente, sobre suas próprias vidas.

Como está sendo sua experiência com este projeto?

Corrida. :v

Piadas à parte, está sendo fantástico! Como podem ou não saber, enquanto o Pedro é a cabeça mais administrativa do projeto, eu estou focado em comunicação — e realmente tem bastante coisa o que comunicar (o que não quer dizer que não trocamos algumas tarefas de vez em quando)! Isso sem falar no trabalho de editor do material textual e visual que chega, feito em conjunto com o Pedro e, claro, com os participantes.

É genial ver os capítulos dos autores chegando, baseados nos “roteiros” que enviamos e descobrir como eles preenchem as brechas propositais e “espaços negativos” de maneiras únicas. Ou, misteriosamente, de maneiras similares! Ocorreram inúmeras sincronicidades temáticas entre nossos autores que enriqueceram muito a obra, e poder ver isso em primeira mão é um privilégio. Ver o trabalho do Igum na parte das ilustrações também tem sido um aprendizado e tanto para mim, de entender como uma cabeça que raciocina de maneira diferente da minha funciona — várias perguntas do Igum sobre detalhes das ilustrações e do mundo do Tarot me pegam de surpresa, então tem sido até mesmo um tipo de autoconhecimento.

A história já está completa, mas como escrevo o último capítulo, propositalmente demorei para finalizar minha parte, para poder aproveitar esses detalhes que surgiam no meio do caminho e o capítulo ganhou muito, com isso. Os autores participantes podem até ter escrito baseados em nossas ideias e direcionamentos, mas eles sem dúvida deram vida a muito mais que isso e criaram um material em que eu mesmo pude me basear para contar o que eu já queria.

Tem algum plano futuro relacionado a literatura?

Muitos! Além de projetos futuros com o Pedro dentro do universo de “Dito Pelo Não Dito”, que chamamos de Insensati, não paro de escrever contos e roteiros para antologias diversas. No fim do ano, terei uma participação na coletânea "Boy's Love: Super Amantes", da Editora Draco e, no começo de 2017, uma participação na coletânea "O Último Gargalo de Gaia", da Lendari.

Também estou com o livro “A História de Anna” em agenciamento com as meninas da Increasy, um manuscrito com resposta pendente de uma editora, três livros em processo de finalização/revisão que devo terminar este ano e pelo menos mais outros três — ufa! — que devem ficar para 2017.

Ah, sem contar minhas páginas no Facebook (1, 2, 3), especialmente a “1 Ano, 1 História, 1 Capítulo por Dia” — onde estou na reta final da história “Zerésima”. Ano que vem a página vai continuar, com outra história e com algumas mudanças de formato.

Eu não paro de escrever, então o número de livros iniciados continua crescendo, com várias coisinhas além do que listei antes. Tento me disciplinar para finalizar as coisas, mas por vezes a inspiração é mais forte e lá estou eu com mais um começo de livro para continuar mais tarde enquanto os quase prontos ficam me olhando com cara de reprovação.

O que faltou dizer e não pode ficar dito pelo não dito?

Cinco coisas!

1- Apoiem nosso projeto!

2- Confiram mais sobre nossos participantes lá na página da campanha, galera — cliquem em links, vejam seus sites, leiam suas obras! Sério, é uma turma fantástica!

3- Sentem direito e tenham uma boa postura o tempo todo. Eu vi um vídeo bem legal sobre isso recentemente e isso realmente muda nossas vidas. Sério.

4- Bebam água.

5- Respeitem uns aos outros, sejam felizes e não aguardem instruções.

Gostou? Conheça “Dito Pelo Não Dito” AQUI.