Amor, paixão e televisão

A algum tempo venho me perguntando, quanto tempo demora para uma pessoa se dar conta que está apaixonada, quanto tempo leva para o amor aparecer e qual dos dois sentimentos se assemelha mais com os grandes romances de televisão?

Para conseguir entender um pouco mais sobre os fatos comecei a usar o método Cartesiano para tentar diferenciar e atingir uma resposta.

O AMOR

O amor é apresentado diariamente como um sentimento de pura devoção e perda de racionalidade, é o motivo para grandes sofrimentos no período da adolescência e é a força que une duas realidades em um indissipável contrato social e jurídico chamado matrimônio.

Mas o amor vai além disso, para ser mais exato, em conceito filosófico, o amor pode adquirir três formas: Eros, Philia e Ágape.

Eros:
Sentimento apresentado ao mundo por Platão em seu maravilhoso diálogo Fedro, Eros é a incansável busca pelo belo e que nunca será satisfeito até o seu desaparecimento e mesmo assim importante pois, segundo Platão, devemos buscar ir além da imagem que temos e partir na busca da beleza em si.
Eros é também relacionado ao desejo, ao erótico.

Philia:
Ninguém mais nobre que Aristóteles para nos apresentar esse tipo de amor. Philia é a ação que o agente pratica visando o bem de outro, ao invés de a si próprio (Ética a Nicômaco).
Em suma, Philia é o amor amigo, é aquele sentimento da amizade pura onde se busca fazer o bem ao próximo sem nem mesmo pensar no bem que pode estar sendo feito, ou não, a si mesmo.

Ágape:
Sou suspeito em falar, mas este é o meu tipo de amor favorito. Este é o tipo de amor descrito como “Amor divino”, o amor que traz Eros e Philia sob seu guarda-chuva, o amor completo, que encontra a beleza em si e não visa o bem próprio.
Ágape é o amor sem medidas e sem alvo, amar a tudo e a todos

Mas o mais interessante de tudo isso é a etimologia da palavra AMOR.
Na origem remota a raiz do verbo que designa o amor é a mesma para cavar a terra e plantar. Em todas as línguas latinas, temos o mesmo radical, AMARE.

PAIXÃO

A paixão, na cultura popular, não difere muito do amor. Normalmente é um sentimento incontrolável, pode ser até mesmo confundido com um momento de psicose, a perda total do controle sobre sua própria vontade em relação ao outro.

Para Platão, a paixão é um sentimento plenamente voltado para o mundo das sombras, o abandono da busca pela realidade essencial.
Esse tipo de pensamento é refletido nos romanos, Epictetus caracteriza a paixão como uma voz ensurdece o raciocínio, envolta em sentimentos de lamentação, inveja e tristeza.
Santo Agostinho fala de paixão como luxúria, Erasmus a coloca como contraponto da razão, e assim vemos uma série de negatividades atreladas a este sentimento.

A etimologia da PAIXÃO pode dar luz aos pensamentos filosóficos relacionados a este sentimento, a palavra deriva de PATI, verbo que significa sofrer.

“Dá-me o homem que não é escravo da paixão, e eu o usarei no cerne de meu coração, sim, no coração do coração, como faço a ti” (Hamlet)

Após todas as analises consigo ter uma resposta para minha dúvida, mas não estou aqui para falar do que penso, prefiro encerrar este texto reapresentando as minhas dúvidas iniciais e lhes peço para formularem suas próprias respostas.

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