Submundo

Imersão, essa era a única palavra que confortava WK em sua jornada diária por conforto.
A máquina onde era operada a imersão havia recebido o nome de L.U.C.I., um trocadilho bastante infame com a possibilidade de proporcionar sonhos lúcidos*.
Luci era uma pequena faixa autoadesiva de diversas cores que vinha em uma caixa muito parecida com as caixinhas de band-aid. WK sabia que a disposição de colar faixa em sua pele e programar no seu computador o local para onde iria viajar era o que o separava dos maravilhosos momentos de conforto e tranquilidade, coisa que a algum tempo não vinha tendo.
O funcionamente era bastante simples, junto da faixa adesiva estavam microchips que recebiam as informações através de uma conexão Bluetooth e na parte adesiva diversos nanobots era inseridos na pele após a programação e se encaminhavam diretamente para o centro do Sistema nervosa central, distribuindo as informações da realidade para o cérebro e desligando o funcionamento dos músculos. Basicamente o corpo se tornava numa vasilha para um cérebro em pleno funcionamento. Os nanobots eram programados para sairem do corpo, reestabelecendo assim o controle, a medida que o timer era ajustado no computador.
A algum tempo havia se tornado controverso o uso de Luci, mas ainda assim o governo havia legalizado a sua utilização como meio de garantir o bem-estar e a sanidade mental em uma época de grande depressão social e economica. A carga horária de trabalho tinha sido reforçada em uma tentativa de alavancar a economia, as pessoas estavam trabalhando 15 horas diárias e com pouco tempo para vida social, assim Luci veio como um método de alívio para o stress recorrente e a falta de dinheiro constante na vida da população.

Era permitido utilizar os horários de intervalo do trabalho para se alimentar dos sonhos e desejos que estavam a distância de uma fita adesiva programável. Mesmo não sendo incomum ver os funcionários relaxando nos seus 20 minutos de intervalo em suas cadeiras de escritório totalmente imersas nessa outra realidade, o conselho de ética nacional se manifestava de forma bastante dura e clara sobre a utilização de tal mecanismo e como isso poderia prejudicar de forma irreversível a visão de mundo das pessoas.
Mas o que valia era que o conselho de mecidina havia aprovado, era seguro.