[Um Dev no RH]

Comecemos na negativa, o que esta “série” de textos não é: ela não é tutorial, ela não é um conjunto de boas práticas, ela não é dicas de como trabalhar, ela não é a revista VOCÊ/SA, ela não é baseada em provas científicas, ela não é escrita por um especialista em RH (ou especialista de alguma coisa) e muito menos um texto de autoajuda. Ela é uma seleção de aprendizados que pessoalmente julgo terem sido os mais relevantes.

Talvez o texto te ajude, talvez não. Talvez te faça pensar, talvez te faça criticar. Mas tenho certeza que não quero parecer do tipo “bonzão”, pelo contrário.

Dito isto, particularmente gosto de tirar tempo para pensar. Escrever me faz pensar. Como estou aprendendo muito ultimamente decidi escrever para garantir o aprendizado, dizem que ajuda.

Um aprendizado pode ser tanto um atalho como também pode ser um guia que te leva para o caminho certo. Se você aprendeu algo que acelerou seu crescimento ou se você aprendeu antes de errar , neste caso o aprendizado é um atalho, agora se você aprendeu depois de um erro, neste caso, você acabou de voltar ao caminho certo. Prefiro que estes textos sejam um atalho.

Deixa eu esclarecer o contexto: minha formação é técnica. Fui desenvolvedor (ou “dev” para os íntimos), líder técnico e arquiteto de software. Me interesso por pessoas. Acho que por causa disso saí do “técnico” e fui para os desafios no contexto de gestão: scrum master (contextualizando para quem não é da área, é tipo um líder da equipe de desenvolvimento), gerente de projeto, head of delivery e etc.

Antes de seguir, vamos discutir o que acredito ser uma parte curiosa da vida: quando você chega nestes “papéis de liderança”, é meio difícil explicar o que você faz. Você não desenvolveu nada, você não “criou” nada e você não “implantou” nada. Ironicamente você faz parte de algo que você não fez, mas fez. É um pouco difícil de se orgulhar. E na boa? É legal ter orgulho do seu trabalho.

“Fui eu quem fiz”, pô é legal falar isso. É como construir uma guitarra ou tirar uma foto. Sou luthier, veja essa guitarra que eu fiz. Sou fotógrafo, saca só essa foto.

Se você perguntar para um gerente o que ele faz, talvez ele responda “eu garanto a entrega”. Mas garante como, se o trabalho não depende exclusivamente dele? Enfim, se tem como garantir a entrega sem ser o executor, isto é outra discussão (e eu acredito que tem como), mas já deu pra entender que é ruim de explicar o que fazemos.

E quanto mais alto o nível, tipo gerente do gerente ou gerente do gerente do gerente (que aqui já deve ser o diretor) vai ficando mais difícil explicar, porque é muita gente pra garantir alguma coisa ou coisa alguma.

Depois de muito pensar eu cheguei em uma resposta para quando me perguntavam o que eu fazia: “resolvo problemas”, respondo eu. Se o time chama é porque tem problema. Se o cliente liga: problema. Se o cliente pede uma funcionalidade nova ele quer resolver um problema dele ou do cliente. Resolvo problemas. Como bons brasileiros que somos, até usamos expressões em inglês tipo “problem solvers”. Organizações estão deixando de ser hierárquicas e pessoas flexíveis, adaptáveis, com mais de uma skill passaram a ser bem valorizadas e por que? Bem, porque elas resolvem problemas.

Dado esse devaneio, há alguns meses fui convidado a assumir a diretoria de uma unidade de negócio da ZUP IT Innovation. Ou seja, eu deveria ser um mega resolvedor de problemas.

Depois de 6 meses neste desafio fui surpreendido. Em uma sexta-feira qualquer, 15:33, recebo uma ligação: “Cara, indo na linha ‘Peçanha’s style’ (sou sincero), você quer vir para área de Cultura e Pessoas da ZUP ?”, outrora também conhecido por Recursos Humanos.

Ligo para um amigo: riu.

Ligo pra outro: não acreditou.

Ambos incentivaram.

Passei 3 dias ensaiando um discurso de como dizer não. Novo na empresa, estava tendo sucesso no desafio, ainda tinha competências por provar, por que mudar? Ao melhor estilo Barney Stinson disse “challenge accepted”.

Para minha alegria, devo confessar. Para minha surpresa, devo acrescentar.

Agora estou aqui, um dev no RH, e todo mês farei um post do meu maior aprendizado mensal. Acho que serão uns 12 no total.

Trilha, caminho, estrada, rua, senda, via, vereda, desvio. Aprendizado. Aqui chamaremos de atalho.

PS: um agradecimento para a Letícia Rezendes que me ajudou na revisão dos textos , valew Let’s!