Ideias pré fabricadas são ideias mal fabricadas.

Hoje acordei inspirado, cheio de ideias na cabeça que provavelmente não irei colocar em prática, mas mesmo assim, são minhas ideias. Próprias. Originais.

Há alguns dias me propus um desafio muito interessante: Reler todos os livros que li na minha infância e gostei. Porque, por mais que os adultos (que por acaso, agora somos nós) ignorem, ou ignoremos (sinceramente não sei lidar muito bem com esse título de “adulto” que nos é imposto depois dos 20) as crianças, suas ideias têm muito a nos acrescentar. Você provavelmente deve estar se perguntando o porquê disso tudo, pelo simples motivo que crianças pensam de uma forma única, singular, totalmente original e sem sombra de dúvidas elas se permitem ir muito além do que julgamos possível — experiencia própria, eu fui uma daquelas crianças que quebrou o braço saltando do telhado de casa tentando voar, porque pensava ser um super-heróis.

Nessa minha jornada de volta ao passado, relendo livros antigos da minha infância, descobri e redescobri muitas coisas sobre mim, refleti sobre outras que nunca havia parado para analisar, que por mais que eu quisesse filosofar sobre na época em que li tais livros, não possuía conhecimento e experiência suficiente para. Mas de todos os livros que reli um em específico me cativou profundamente (não, não foi O pequeno Príncipe), é um livro infantil intitulado “O menino do dedo verde” de Maurice Drumond, escritor, poeta, filósofo e um cara com ideias inovadoras sensacionais para seu tempo (e para o nosso também). Nas primeiras páginas do livro, Drumond redige uma frase que me impactou profundamente e me fez entrar em uma inner journey (jornada interna) tão profunda que me levou a refletir sobre todos os pontos da minha vida e sobre o que eu estou fazendo por aqui, a frase era “ideias pré fabricadas são ideias mal fabricadas”. E nisso se desenrola um pensamento sobre uma sociedade previamente pensada por pessoas que vieram antes de nós, que pensam de uma maneira totalmente diferente, tal descrição se encaixa nas tais “pessoas normais”.

Após ler esse trecho comecei a refletir um pouco sobre o mundo de hoje, política, economia, mercado de trabalho, comunicação, marketing, negócios e comportamentos sociais. Minha conclusão: somos uma geração em constante crise existencial, por não se encaixar nos padrões de nossos pais. Se pararmos para pensar, somos o legado de toda uma geração de padronização de profissões, mecanizações processuais e sociais, uma geração que aos 20 e tantos tinham uma vida “estável”, com um bom emprego, casa própria e uma linda família. Mas ai nós nascemos, o futuro da nação, as crianças prodígios. Bom, para decepção de muitos pais, somos a geração que não se importa muito com um trabalho “estável”, ou, ter uma “linda família” constituída aos 20 e tantos. Não. Somos os rebeldes sem causa, aqueles que preferem viajar o munda a ter casa própria, arriscar em um negócio totalmente novo que ninguém nunca ouviu falar, pelo simples fato que somos felizes fazendo aquilo.

Somos taxados de loucos, porque somos uma geração original, uma geração que não se preocupa com si mesma individualmente, mas no coletivo, somos aqueles que pensam por si mesmos em um âmbito colaborativo global e que ignoram as ideias pré fabricadas de nossos pais. Ai, somos os rebeldes sem causa, malucos, irresponsáveis que não pensam na segurança e estabilidade do amanhã.

Ora pois, os maiores filósofos, cientistas e pensadores do mundo não eram taxados dessa forma, por não se encaixarem em padrões pré fabricados? Se você não se encaixa em algum lugar, inove. Se não há uma profissão no mundo que te agrade, invente uma que lhe faça feliz. Até porque não somos os tais adultos agora? Aqueles que tem poder de mudar tudo e redefinir as coisas como lhes der na telha? Então que façamos do nosso jeito, até porque nossos filhos irão mudar tudo mesmo.