Quando se chega ao fim ~ #PSFP

É assim quando se chega ao fim?
Confesso que não vi passar o tempo
Tão ocupado no caminho
Fazendo planos

Vejo tudo em fragmentos
Como se fosse um sonho
Eu era vivo, disso estou certo
Agora não sei quem sou

Nesse plano atemporal
Me sinto livre do mundo real
Leve e plácido, sem amarras
Navegando no mar do esquecimento

Lembro da cólera, do rancor
Da tristeza, desamor
Sentirão minha falta
Com tanta gente no planeta?

Duvido que haja lamúrias
Duvido que haja dor
Dirão: “Lá se vai mais um coitado,
Que preferiu dinheiro ao amor”

Foi então que tive uma epifania
Mesmo morto, continuo assim
Não me compadeço de quem fica
Quero saber se vão pensar em mim

É assim quando se chega ao fim?
Por favor, não chorem por mim
Não mereço uma lágrima,
Nem que chova nesse dia!

Na multidão, rostos sem face
No epitáfio, uma frase que diz:
“Que tenha na morte o que não teve em vida;
Que no outro mundo ele aprenda a ser feliz”