Interpretei uma forte influência de niilismo no seu texto. Vi várias coisas das quais também concordo. Há vários momentos na minha vida em que prefiro ficar sem o porquê de certas coisas. (A propósito, não entendo os pormenores de como um chuveiro elétrico esquenta a água, sempre me recusei a ouvir explicações quando se propuseram a me contar).

Acho que já nasci meio cético para muita coisa, então, em certos casos, permito-me me entregar ao místico do banal mesmo. Maravilhar-me com coisas que ninguém se importa, para contrapor minha tendência inata a desconsiderar o que é popularmente sagrado.

Contudo, acho compreensível que o pessimismo e o niilismo não sejam correntes de pensamento tão populares quanto outras, muito embora, quem com elas compactua/acredita/pratica tem frutos muito semelhantes às demais pessoas consideradas otimistas ou positivas.

Entendo também que, como diz o senso comum: qualquer remédio pode ser um veneno, dependendo da dose; a relativização de todos os valores, crenças e respostas previamente criadas, assim como a interiorização do entendimento que, independentemente do caminho escolhido, iremos morrer; se por um lado pode ser um eficaz remédio contra a ansiedade e outros males, em altas doses pode ser um veneno que leva o ‘paciente’ à depressão e a tendências suicidas.

No meu caso, em específico, para equilibrar essa equação, fui aprendendo, aos poucos, a amar o acaso. Creio que absolutamente tudo é filho dele: do universo ao meu gosto musical, vejo-o em todos os lugares. Há, claro, também, quem goste de coincidências ou destino. Particularmente, acredito que ambos sejam formas de nós humanos tentarmos compreender o que não pode ser compreendido e, assim, voltamos ao seu ponto inicial. =)

Acho que já escrevi mais do que a autora! Desculpe-me! Adorei seu texto, como sempre! Deixo como última colaboração a indicação do filme Magnolia de 1999, caso ainda não tenha assistido. Abraços!