LUST FOR LIFE, review do álbum

Quando surgiu na internet com suas demos e EPs, a cantora virou uma pequena sensação do Youtube e mais tarde do Tumblr, redes sociais do interesse de adolescentes no mundo inteiro e através de suas canções três de notas no violão chamou a atenção dos executivos de sua gravadora e depois de contrato assinado e uma extreme make-over reaparece ao seleto público: Lana Del Rey, alter-ego de Elizabeth Grant ou Lizz Grant o nome que ela usava na época que tentava colocar sua música no mercado fonográfico sem muito êxito.
Em 2011, já na cia da Gravadora e fazendo música com produtores de renome como Rick Nowels que trabalhou por exemplo no álbum Ray Of Light de Madonna, Lana lança seu single Video Games, e logo estava na mídia e conquistando uma legião de fãs e adoradores.
Algum tempo depois disso em uma desastrosa apresentação ao vivo no programa Saturday Night Live em 2012, a cantora apresentou problemas com a entonação de sua voz e afinação, em rede nacional a californiana saiu do território teenager e passou a ser vista por todo o planeta, despertando interesse do público adulto para sua aparência física, cirurgias plásticas, para o conteúdo de suas letras, para o mistério que envolvia sua personagem e passaram a questionar a motivação dessa garota americana branca de classe-média, investigando o que estaria por trás desse retrato glamourizado de drogas, abuso físico e depressão. A garota estadunidense que fantasia ser cubana e escreve sua música através de cores retrô abusando de melodias atmosféricas, usando todos artifícios do indie rock, trip-hop, do psicodelic ao sadcore passou a ser dissecada intensamente. Todas esses questionamentos foram de certa forma respondidos pela própria Lana, quando sem vergonha alguma afirmou que sua persona seria o resultado de uma brain storm de executivos, ou quando declarou que ‘gostaria de estar morta’, e que suas músicas e poemas nasciam do desdobramento de uma fase etílica onde precisou buscar ajuda profissional por ser considerada alcoólatra na adolescência.

Lana emerge no desejo de ter vivido aquela Hollywood em preto e branco e de se expressar emocionalmente sem nenhum tipo de filtro moral. E assim, após lançar 3 álbuns e 1 EP chamado Paradise, abordando sua vida triste e melancólica, desejosa de um passado entre Elvis e Marilyn Monroe, romantizando seus relacionamentos abusivos, lidando e domando sua própria dor, a compositora despertou para o otimismo e enxerga na situação política do país em que vive um tema a ser explorado em seu novo álbum.
Del Rey agora com 32 anos, definiu que suas novas músicas trariam uma reflexão sobre a atualidade e gostaria de sair do estado em que seus álbuns anteriores estavam. Nota-se que a escala de emoções ampliam com “Lust for Life” lançado hoje e contendo 16 faixas, algumas com participações de Stevie Nicks, the Weeknd, A$AP Rocky e Sean Ono Lennon, abrindo sua música para narrar outros cenários além de seus problemas emocionais.
Certamente você não terá letras que trazem de forma direta abordagens sobre Trump ou imigrantes, afinal de contas estamos falando de Lana Del Rey, então é um retrato poético da situação, como ela mesmo definiu é sobre o sentimento que ela tem sobre esse momento em que vive. Refletindo sobre seus fãs e os aconselhando sobre suas vidas, relembrando festivais qual participou, sobre a mídia, as guerras e a necessidade de amor na sociedade.

É um álbum que traz sonoridade sofisticada embora muito longo para quem não é tão fã assim, todas as participações foram domadas por Lana e usadas corretamente, o novo approach não decepciona quem está acostumado com o dramalhão sonhador que embalou a carreira da artista. As letras de fácil entendimento mostram seu ponto forte que seria mesclar ao som aprimorado de sua nova estética sustentando sua sonoridade inicial dos primeiros discos dando espaço para as pessoas construam em suas mentes cenários cinematográficos e romances imperfeitos. Eu dou nota 8/10.