MADONNA, Parte 1

Rodrigo Stuck
Jul 21, 2017 · 34 min read

Nascida em 16 de Agosto de 1958, às sete e cinco da manhã em Bay City, Michigan nos Estados Unidos.

Signo de Leão, Ascendente e Lua em Virgem.

Madonna é a terceira filha do casal Madonna Fortin e ‘Tony’ Ciccone. Os mais velhos são os dois irmãos: Anthony e Martin, e na sequência em ordem de nascimento estão Paula, Christopher e Melanie, sendo a caçula. Madonna, batizada com o nome da mãe recebe o apelido de ‘Nonni’ pelos avós maternos.

A senhora Ciccone tem antecedência canadense de origem francesa nascida em Bay City, em uma família católica romana. Por parte do pai, ‘Nonni' tem sangue italiano, seus avós chegaram nos EUA vindos de Pacentro, Itália.

A primeira parte de sua infância, a cantora viveu na rua Thors em Pontiac, cidade satélite de Detroit.

A vizinhaça misturava-se entre mexicanos, negros e brancos. O quintal ficava perto dos trilhos do trem, ao lado de uma grande cerca de correntes. Havia ainda uma enorme torre de energia onde ela brincava.

Em entrevista para revista TIME em 85:

“Meus avós chegaram nos EUA num barco e não falavam um palavra em inglês, eles não tinham formação acadêmica, meu pai foi o único de seis irmãos a ir para faculdade, todos tinham que trabalhar muito na usina de ferro…” — O pai de Madonna cursou Engenharia.

“Meu tio, irmão da minha mãe serviu as Forças Aéreas junto com meu pai, foi lá que se conheceram e eles se tornaram grandes amigos. Meu pai conheceu minha mãe no casamento desse meu tio e se apaixonou no mesmo instante por ela. Minha mãe nasceu em Bay City, meus avós são Franco Canadenses. Ela era muito bonita, me apareço muito com ela. Eu tenho os olhos de meu pai porém o sorriso e toda estrutura do rosto vem de minha mãe. Foi por isso que eu nasci em Bay City não em Detroit, minha mãe estava na casa de minha avó com meus dois irmãos quando resolvi nascer. Minha mãe e meu pai eram incrivelmente religiosos, eram católicos”.

Com 1 ano e meio, Madonna já era a garota da neve. Ao fundo, um dos seus irmãos (mais provável Martin), em janeiro de 1960. Neste ano nasceria seu irmão Christopher.

“Meu pai tinha um senso moral e integridade muito forte e até hoje ele tem, é a pessoa mais integra que já conheci. Ele era um modelo para mim, uma figura forte pois realmente segue tudo que acredita. Quando eu era bem pequena tinha certeza que eu era a filha favorita, então aprendi técnicas para o induzir fazer exatamente o que eu queria. Eu era uma aluna exemplar, só tirava notas A em tudo, isso o agradava muito e ele sempre me recompensava com dinheiro.”

“Me lembro de minha mãe ser muito amável, uma pessoa angelical. Era engraçado pensar que meus pais tinham cinco filhos pequenos e eles nunca gritavam com a gente. Meus irmãos eram muito levados e faziam coisas como jogar pedras na janela ou colocar fogo no porão e nunca ouvia meus pais gritando. Era costume abraçar e conversar calmamente”

“Tenho lembranças da minha mãe na cozinha esfregando o chão, ela fazia todo trabalho em casa. Éramos crianças bagunceiras e isso me faz ter sentimentos confusos sobre essa época, eu era carinhosa mas temo ter dado muito trabalho a ela. Talvez crianças pequenas fazem isso com pessoas que são muito boazinhas com elas, começam a provocar a fim de ver até onde a pessoa aguenta. Eu realmente provoquei minha mãe.”

“Me lembro quando ela estava doente, eu sabia de certo modo, ela estava muito fraca por causa do câncer, mas ela continuava fazendo as coisas que ela tinha que fazer, ela estava ficando cada vez mais e mais frágil. Parava às vezes e sentava no sofá, eu queria que ela brincasse comigo como antes. A impressão que tenho é que ela tentou manter seus medos e ansiedades para si, nunca reclamou, certa vez ela estava sentada no sofá, subi em cima dela por suas costas e pedi para que brincasse comigo e nada acontecia, então ela começou a chorar e isso me deixou brava. Eu batia nela com meu punho e dizia: ‘Por que você está fazendo isso?.’ Foi então que percebi que ela estava realmente chorando, nesse momento vi que eu era mais forte do que ela, a abracei e senti que ela era a criança que precisava de carinho. Depois desse dia eu nunca mais a atormentei.”

Em 1962 fora diagnosticado que sua mãe tinha um câncer no seio ainda durante a gravidez de sua irmã mais nova, Melanie, e por isso o tratamento teve de esperar o nascimento da criança, o que fez a doença avançar ainda mais. Madonna tinha apenas quatro anos.

1: Madonna aos 4 anos.
2: Mãe de Madonna em 1953, aos 20 anos, dois anos antes de seu casamento.
Madonna é a que aparece em primeiro plano, a outra menina é sua irmã Paula, um ano mais nova que ela. Mãe Madonna Fortin, pouco antes de ser diagnosticada com câncer.

“Tão pequena eu consegui entender o cenário, acredito que tenha me feito amadurecer rápido. Na sequencia, minha mãe passou um ano no hospital e eu vi meu pai se transformando nessa figura devastada. Era horrível vê-lo chorar, mas de alguma forma ele se mantinha forte. Outra lembrança era ver minha mãe sempre dizendo coisas engraçadas e rindo, ela tinha um senso de humor, não era um clima pesado no hospital. A última coisa que me lembro foi que ela pediu um hambúrguer, ela queria comer um hambúrguer porque durante o tratamento não podia comer as coisas que gostava e eu achei isso engraçado, achei que estava tudo bem. Não vi o momento exato em que ela se foi, eu sai e quando dei por mim ela estava morta. Tudo mudou, minha família foi distribuída na casa dos parentes.”

Ela estava apenas com cinco anos quando sua mãe veio a falecer aos 30 anos, no dia primeiro de dezembro de 1963.

Quando sua mãe faleceu, a família Ciccone estava despedaçada. Madonna e seus irmãos foram morar com alguns parentes. Nessa idade Madonna aprendeu a se virar sozinha cuidando de si e de seus irmãos, ela conta que tentou achar um figura materna em sua vó. Os irmãos não queriam aceitar nem mesmo empregadas, eles sentiam que elas estavam tentando ocupar o lugar da mãe, então se rebelavam constantemente.

Madonna ficou bastante introvertida, tinha constantes pesadelos e tinha medo que alguém a raptasse de seu quarto. Muitas noites ela corria para cama de seu pai para se sentir segura. Ela tinha pavor de sentir sozinha. Quando ficou um pouco mais velha notou que a morte de sua mãe também estava sendo um processo difícil para seus irmãos mais novos, foi então que ela foi obrigada assumir uma postura maternal em relação a eles.

Usando o vestido de noiva de sua mãe

“Minha mãe era uma fanática religiosa, isso abriu nossa casa para frequentes visitas de padres e freiras durante toda minha infância. Havia um imagem enorme do Coração Sagrado, depois que ela morreu os hábitos católicos permaneceram.”

Em 1966 chegou para trabalhar na casa de Madonna, Joan Gustafson que, para o desgosto de Madonna, acabou logo se envolvendo com seu pai e seis meses depois, os dois estavam casados.

Segundo Madonna, Joan era responsável por “grandes injustiças e barbaridades” envolvendo ela e seus irmãos, como vestir ela e suas irmãs iguais, privando-a de sua individualidade. Joan nunca confirmou essas histórias.

Então seu pai casou se com Joan Gustafson e isso causou uma tensão em toda família. Então Madonna decidiu fazer tudo para contrariar seu pai, principalmente porque ela era obrigada a chamar a madrasta de mãe, algo que Madonna nunca o fez.

Com a nova esposa, Tony teve mais dois filhos, Mario e Jeniffer e a família se mudou para Rochester, Michigan e a madrasta assumiu totalmente a posição de autoridade, aquela era a sua casa, um novo começo para toda família. Madonna se viu a filha mulher mais velha de oito irmãos.

A família materna de Madonna ficara abismada com o novo casamento de Silvio Ciccone, referindo-se a Joan como “a empregada”. Foi a partir daí que ela, aos 8 anos, começou expressar seus ressentimentos mal resolvidos com seu pai, o que iria perdurar por muito tempo.

Em 1967 Madonna a caminho de sua primeira comunhão, ao seu lado seus irmãos Marty e Melanie e Christopher na sua frente.

“Eu era a mais a garota mais velha então eu tinha responsabilidades de adulta, meu pai casou se com uma de nossas empregadas mas não estou afim de falar da minha madrasta. Toda minha adolescência foi gasta sendo uma babá, era chato, todos meus amigos estavam fazendo algo legal e eu estava presa em casa trocando fraldas. Foi então que pensei que precisava sair de casa desesperadamente, eu me via como a própria Cinderela. Eu tinha essa madrasta rígida e todo esse trabalho pra fazer, eu não podia sair, eu não tinha roupas bonitas; a coisa mais horrível era que minha madrasta comprava para nós vestidos iguais, eu fazia de tudo para não me parecer com elas, eu tentava usar meias de cor estranha, laços no cabelo, qualquer coisa que me diferenciasse. Eu já tinha que ir ao Colégio Católico e usar uniformes que eram de matar. Acho que meu estilo começou dai, de ser forçada a criar alternativas.”

Marty e Anthony – bastante pertubados com a morte da mãe – tornaram-se as crianças mais selvagens do bairro e às vezes transformavam a vida de Joan num inferno. Na maior parte do tempo eles descontavam sua ira nos irmãos.

Segundo Kim, uma amiga de escola de Madonna, Melanie também tinha em si uma parcela de excentricidade dos Ciccones. Ela era meio loura, meio morena, e eu me lembro deela ser diferente… de ser meio… diferente, entende?”.

Certa vez, quando Madonna não estava olhando, seus irmãos Anthony e Martin, encheram seus cabelos com um tipo de erva daninha, e ela não conseguiu remove-las; por isso grandes mechas de seu cabelo tiveram de ser cortadas enquanto ela gritava “Meu cabelo, meu cabelo”. Depois, quando vê sua imagem estragada no espelho Madonna cai no choro.

Ainda na infância, a cantora começou a ver os grandes clássicos de Hollywood e já compreendia que a vida dos seus grandes astros fora bastante instável e precoce.

Madonna disse que quando era criança em Pontiac, dançava música negra nos quintais da vizinhança.

Nenhuma das crianças brancas que eu conhecia seria capaz de fazer aquilo. Eu queria dançar como elas. Até me aceitarem, apanhei muito dessas garotas. Um dia elas me chicotearam com uma mangueira de borracha até eu ficar jogada no chão, chorando. E aí, de repente, pararam de fazer aquilo e permitiram que eu me tornasse amiga delas, me aceitaram como parte do grupo”.

Segundo Christopher Ciccone, numa manhã de verão, Madonna e ele tomavam café quando escutaram as vozes de Marty e Anthony gritando seus nomes, para mostrar armas de ar comprimido, que são usadas para matar esquilos. Os dois saíram correndo com medo que seus irmãos atirassem neles e se refugiaram numa antiga mansão perto de sua casa, só saíram quando acharam que estavam seguros.

Foto: No verão de 1970 a família Ciccone fez uma longa viagem de van pelos EUA. Esta foto foi tirada em San Matteo, Califórnia. Madonna (no meio com ares de Lolita), do seu lado esquerdo sua irmã Melanie (loirinha com as trancinhas), do seu lado direito seu irmão Christopher (com os braços cruzados) e ao lado de Christopher, sua irmã Paula. Atrás de Madonna seu irmão Marty, do lado dele seu tio Chris (o loiro), e a atrás de Melanie a madrasta Joan e o papai Sílvio.

Madonna foi inscrita no Escola Católica local de Saint Andrews. As freiras de lá a fascinavam pelos longos hábitos escuros. Curiosa com o que havia debaixo daquelas misteriosas roupas, ela e uma amiga escalavam as janelas do convento para espiar as freiras se despindo.

Terá sido neste ambiente austero e exigente que Madonna aprendeu muita coisa no domínio da dança jazz, dança rítmica e ginástica.

Nesta mesma época, ela descobriria o seu afeto pelos homens e com 11 anos deu seu primeiro beijo…

Aos 12 anos começou a expressar sentimentos de mágoa e fúria em relação a seu pai, era sua adolescência e a atitude rebelde foi adquirida. Na escola ela fazia de tudo para chamar atenção, desde suas notas altas até seu comportamento inconveniente. Ela dava ‘estrelinhas’ e piruetas nos corredores da escola e na sala de aula levantava seu vestido para provocar os garotos.

O seu pai fazia questão que os filhos aprendessem algum instrumento musical, por isso todos tinham aulas. A vida era basicamente, arrumar a casa, cuidar dos irmãos, ir para Missa e aprender um instrumento. O pai permitia que ela fizesse tudo que a escola oferecia, ele não tinha nenhum problema com artes em geral, desde que fosse de acordo com a escola Católica.

“Meu pai me fazia ter aulas de piano todo santo dia, mas eu odiava, então o convenci de me deixar fazer aulas de dança e ele deixou, era uma dessas escolas em Rochester que tinha aula de vários estilos, balé, sapateado, ginastica”

Em 1971 aos 13 anos, Madonna foi estudar em uma escola pública, a West Junior High School. Foi aí que aprendeu a soltar-se, tornar-se extrovertida e onde libertou aquela faceta descomplexada. Ela saboreou a liberdade que a escola lhe proporcionou. Passou a freqüentemente e participar de agitadas festas que reuniam rapazes e moças.

Depois de poucos meses de aulas de piano, Madonna convenceu seu pai a deixá-la fazer aulas de balé. Antes disso, segundo Madonna:

“Eu aprendi a dançar sozinha. Eu assistia bastante televisão e quando tinha 5 anos costumava imitar Shirley Temple. Eu costumava ligar o toca-discos e dançar sozinha no porão e dar aulas para minha amigas. Quando fui ficando mais velha comecei a dar aulas para os meninos também, e me lembro do primeiro cara a quem dei lição… a música era "Honk Tonk Woman”, dos Stones. Quando eu tinha 12 anos resolvi que deveria tentar me profissionalizar e comecei a freqüentar escolas que ensinavam dança, jazz, sapateado. Era só um lugar para onde mandavam garotas hiperativas”.

“Eu me lembro de um verão em que saí de casa e fui ficar com meus tios. Eles eram bem jovens, apenas alguns anos mais velhos que meu irmão (…) eles tinham uma banda de rock. Mas lembro deste verão em que eu estava olhando a banda de rock do meu tio e usando um jeans bem apertado pela primeira vez. Eu fumei um cigarro, sem muito sucesso, e comecei a me sentir ‘cool’. Então eu voltei depois deste verão e senti que eu realmente tinha amadurecido.”

Aos 14 anos, Madonna foi para a Rochester Adams High School. Uma escola grande e nova, situada na esquina da Tiekens com a Adams, perto de gramados abertos e campos de golf. A escola atraía famílias que tinham renda mais alta. Durante seus quatro anos ali, levaria uma vida normal de classe média americana. Mas assim que chegou à Adams High School, ela encontrou alternativas para se manter diante dos olhos do público.

Participava do departamento de teatro da escola e estrelou em produções como “My Fair Lady”, “Cinderela”, “O Mágico de Oz” e “Godspell”. O colégio administrava cerca de 1,100 alunos.

Sua amiga de escola Mary Ellen: — “Havia oito de nós e tivemos que passar por uma semana de testes antes de sermos escolhidas. Madonna era muito competitiva e se sentia muito orgulhosa de ter sido escolhida. Ela amava performar e dançar, ela gostava de chamar atenção e apparecia com roupas engraçadas, uma fez ela fez essa performance de uma música do ‘The Who’ usando apenas um biquíni e pinturas no corpo. Se você falasse que ela não poderia fazer alguma coisa era então que ela faria, e sempre com notas excelentes então ninguém conseguia reclamar dela. Ela estava sempre flertando e provocando todo mundo”

As duas se apresentaram no palco da escola em um festival artístico. Chris Ciccone comenta:

“Apesar de Carol Belanger, amiga de escola da minha irmã, estar no palco exatamente da mesma maneira que Madonna, e retorcendo-se da mesma maneira, perto de Madonna ela ficava totalmente em segundo plano. Ninguém consegue tirar os olhos dela. Além disso, sua apresentação é a mais escandalosa que as pessoas já viram naquela comunidade. A apresentação durou cerca de três minutos. Quando as luzes são acesas, poucos aplausos são ouvidos. Todos na platéia estão abismados. As pessoas saem dali cochichando. Depois, no carro, voltando para casa, nenhum de nós diz qualquer coisa, e meu pai mantém os olhos na estrada. Todos sabemos que ela está em apuros. Ele conversou com ela de portas fechadas. Quando ela saiu do quarto, seu rosto está banhado em lágrimas.”

Wyn Cooper, que saiu com Madonna algumas vezes e tornou-se um amigo íntimo, lembra-se de Madonna como uma das poucas pessoas que trocam de tribos. Ele estava uma série acima, eu era completamente fascinado por ela.”

“Ela andava pelo bairro com outras meninas mais novas, e um dia veio até a minha casa. Ela me pareceu uma menina bonita e interessante. E um pouco tímida. Ficamos amigos e acabamos saindo (…) Eu tinha um carro, eu e Madonna entrávamos no carro e saíamos dirigindo, ouvindo Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, enquanto curtíamos um baseado. Ela era meio reservada. Leva-se mais a sério do que a maioria de nós naquela época. Ficava na dela mais do que os outros. Lia mais do que o comum para uma estudante do colégio”. Cooper faria um filme com a colega um ano depois, chamado “The Egg”.

Em outubro de 1973, aos 15 anos, Madonna apareceu com seu namorado Brian Campbell no jornal da escola chamado “The Piper”, uma página inteira foi dedicada a ela.

Na escola era uma rebelde, diferente das outras garotas não depilava as axilas, tão pouco sua irmã Melanie, e isso não a impedia de erguer os braços quando fazia suas apresentações de animação de torcida. “Não é certo, você remove algo do seu corpo que é natural”, se justificava.

“Nessa coisa de amizade, eu me pendurava no exterior das coisas e acabava ficando amiga daqueles que os outros achavam os caretas da classe. Esses eram meus melhores amigos”, disse Madonna.

Madonna era ótima aluna (com um QI de 140), e como disse a própria: “Meu pai nos recompensava com dinheiro pelas boas notas, então eu sempre consegui o melhor boletim na minha família”.

Seu irmão Martin disse: “Ela nunca precisou estudar . Eu estudava o tempo todo, mas minha mente não estava concentrada naquilo. Estudava porque tinha que estudar. Madonna estudava porque sabia que isso a levaria a algum lugar”.

Nancy Mitchell, conselheira estudantil disse: — “Ela era muito esperta e auto suficiente, não precisava me preocupar com ela, quando tinha sessões comigo era mais para falar de suas idéias e objetivos do que qualquer outra coisa. Ela queria ser a melhor, era dedicada, motivada e tinha um personalidade extrovertida. Ela se misturava com todos na escola e participava de programas para ser mentora de crianças mais novas além de ser um líder de torcida, que era a coisa mais popular no ensino médio Americano.”

Sempre melodramática, Madonna gostava de enfatizar que vivia numa família pobre “talvez esperando capitalizar em cima do valor da clássica história do mendigo que vira príncipe” (Taraborrelli, 2001). Na realidade, seu pai nunca ficou sem emprego e sempre deu à sua família uma vida confortável de classe média.

My Fair Lady

Perdendo a Virgindade

Aos quinze anos dois fatores importantes aconteceu em sua vida, ela perdeu sua virgindade e conheceu a pessoa que mudaria a para sempre: Christopher Flynn seu professor de dança mais significativo.

“Lembro de gostar de meu corpo e não ter vergonha dele, eu gostava dos garotos e não me sentia inibida, eu não fazia joguinhos se eu gostasse de um garoto eu ia lá confronta lo. Eu sempre fui assim, eu cresci com dois irmãos mais velhos que faziam de tudo desde me bater e cuspir na minha boca ou me pendurar na parede de casa, ou dividir o banheiro eu enfrentava tudo isso, não tinha medo de garotos. Mas quando você é agressiva no Ensino Médio os garotos ficam com a impressão errada de você, eles confundem sua segurança com promiscuidade, então quando eles não conseguem o que eles acham que vão conseguir com você, eles viram seus inimigos. Muitas garotas pensavam que eu era um perdida e os garotos uma ninfa. O primeiro garoto que eu dormi já era meu namorado por algum tempo, eu estava apaixonada, e eu não tava entendendo porque as pessoas me chamavam de vagabunda. Eu era chamada desses nomes e eu nem tinha ainda feito sexo com ninguém. Eu odiava isso, não me encaixava nisso então fui me dedicar a dança e foi assim que eu escapei.” — comenta Madonna em 1985 para revista TIME.

Nick Twomey alegou em jornais que foi o primeiro rapaz que Madonna gostou, mas nunca transaram: — “Ela não era a Virgem Maria mas também não era uma degenerada. Pra mim ela era como as outras garotas, faziam listas dos dez caras mais bonitos do colégio e eu estava na lista dela. Ela era a líder de torcida e eu o jogador. Éramos bem amigos e fizemos o Ensino Médio juntos, tínhamos muito em comum. Quando a vejo na TV hoje pra mim ela ainda me lembra essa garota da escola. Eu gostaria muito de sentar com a ‘Madonna Famosa’ e perguntar a ela o que realmente pensa agora que conseguiu chamar a atenção do mundo inteiro. Ela me parece incansável, mudando o tempo todo, sempre procurando algo novo para preencher o vazio. Não acho que ela poderá ser feliz, ela tem um buraco em sua alma” — diz, hoje o pastor evangélico ex-primeira paixão de Madonna.

“Antes, todas as minhas experiências sexuais haviam sido com garotas. Eu era mais madura que a maioria das minhas amigas e ficava me perguntando o que eu realmente sentiria fazendo amor. Achei que seria muito doloroso porque que eu era virgem. Isso me fez muito mal. De fato, depois eu tive a impressão de ter andado a cavalo. Mas, ao mesmo tempo, não fiquei decepcionada. Achava que assim que entrasse em casa, meu pai saberia na hora que eu havia me deitado com um homem. Que ele veria isso nos meus olhos e na minha maneira de andar. Mas ele nunca soube de nada. Considerei a perda da virgindade como um avanço na carreira”, avaliou Madonna.

Outra pessoa do Ensino Médio que se manifestou em entrevistas foi Russell Long, outro galã da escola dois anos mais velho que deu sua versão dos fatos sobre esse período.

Quando tinha apenas quinze anos, Madonna perdeu a virgindade com Russell Long de dezessete anos. Ela disse que Russel era muito gentil e lhe mandava cartas apaixonadas todos os dias e continuou com ele por mais seis meses depois da sua primeira vez. Anos mais tarde, Russell afirmou que Madonna queria que sua primeira vez fosse algo muito especial, “por isso marcamos um encontro com direito a cinema e hambúrgueres, e então fomos até minha casa quando meus pais saíram no fim de semana. Era um dia como outro qualquer, bebendo nossas cocas e eu me perguntando como fazer para levá-la para minha cama”. Então Madonna apenas disse: ‘Por que não vamos para o seu quarto?’ Fiquei realmente impressionado com sua desenvoltura”.

“Mas nenhum de nós teve um grande momento naquela noite. Estávamos ambos tímidos e não olhávamos um para o outro. Eu me lembro que eu tinha o meu braço ao redor dela enquanto estava deitado na minha cama olhando cartazes na parede do meu quarto. Então, ela disse: ‘ Você quer fazer isso ou não?’ Era como se ela tivesse em sua mente que ia perder a virgindade naquela noite, não importa o quê”, disse Russell.

Após a perda da virgindade houve momentos mais quentes no banco traseiro do Cadilac de Russell. “Geralmente, depois que tudo acabava, Madonna se vestia muito rapidamente. Ás vezes eu gostava mais quando ficávamos nus abraçados na parte de trás do carro. Ela costumava beijar com os olhos abertos e boca fechada. Eu não gostava disso”, disse ele. Na escola, ele afirmou que ela gostava de beijar nos corredores e permitia que os meninos a acariciasse.

Em 1974 seu amigo Cooper fez um curta metragem em Super-8 com Madonna, como um trabalho de escola. Madonna e sua melhor amiga, Carol Belabger, atuaram no filme. Ambas apareciam de biquíni à beira de uma piscina. “É um filminho bobo, em que tudo girava em torno de ovos de galinha”, disse Cooper.

Certo dia, Cooper viu um lado de Madonna que não conhecia.

“Estava muito quente, então propus a ela ‘Você quer nadar sem roupa?’ Arranquei minhas roupas e mergulhei num lago. Ela tirou as dela lentamente. Eu fiquei paralisado. Ela normalmente usava roupas largas e não se destacava por uma beleza fora do comum, mas, por baixo delas, seu corpo era perfeito.”

Aos 16 anos Madonna começou a ter aulas de Ballet, foi então que conheceu seu professor de dança chamado Christopher Flynn, o homem que ela descreveu como sendo o primeiro que a entendeu e a inspirou. Ele apresentou Madonna para dança contemporânea, arte, música clássica e para sub cultura gay e mudou completamente sua visão do mundo.

“Eu estava no final do meu ensino médio, e minha amiga Mary Ellen, era um bailarina de verdade, ela era mais esperta que as meninas da nossa turma e eu a achava muito interessante. Então eu grudei nela e ela me trouxe para suas aulas de Ballet, foi então que conheci Christopher e ele salvou minha vida desse tumulto. Ele gerenciava essa escola de Ballet na cidade, eu mal sabia o que eu estava fazendo. Eram muito profissionais e eu tinha apenas feito aulas de jazz até então, tive que correr atrás e treinar feito uma louca e isso fez com que ele prestasse atenção em mim. Ele viu meu corpo mudando e quão dedicada eu estava. Eu realmente o amei, ele foi minha primeira experiência do que eu pensava ser uma pessoa artística. Eu lembro um dia que estava com a toalha na minha cabeça feito um turbante e ele me disse: — “Você é linda, você sabe disso?” — engasguei porque até então ninguém tinha me dito que eu era linda, ele continuou: “Você tem uma beleza antiga, parece uma estatua romana.’’ — eu fiquei boquiaberta, eu sabia que era interessante, tinha esse corpo na minha idade, mas eu nunca tinha percebido que eu era bonita até o dia que ele me elogiou, parece que abriu um novo significado pra mim, o jeito que ele me disse, mudou algo dentro de mim. Ele me educou, ele me levou para museus e me contou tudo que sabia sobre arte. Ele era meu mentor, meu pai, meu irmão, meu amante imaginário, meu tudo, ele me entendia. Me encorajava ir para Nova York, ele foi a única pessoa que me disse, se você quiser ir pode ir, basta querer”.

Pelas palavras de seu irmão Chris Ciccone

“Durante meu segundo ano de ensino médio, Madonna começa a sair todas as quintas-feiras à noite, e volta pra casa parecendo cansada, porém feliz”. Isso aconteceu porque aos 15 anos Madonna se matriculou em um curso noturno de balé em um estúdio que ficava no segundo andar de um prédio na Main Street, em Rochester.

“Eu tive uma educação católica tradicional, e vi os privilégios que meus irmãos mais velhos tinham. Eles podiam ficar na rua até tarde, ir a concertos, se divertir na vizinhança. Eu ficava de fora. Então, quando eu estava dançando, a maioria dos homens eram homossexuais, por isso fui deixada de fora novamente. Em algum lugar dentro de mim, eu sou um menino frustrado”,
disse Madonna.

Mary Ellen recorda: “Christopher era muito exigente, ele era brutal. A gente dançava ate os pés sangrarem. Ele andava com uma vara e se você fizesse algo errado ele batia em você. Ele gritava que dança sempre tinha que vir primeiro, senão nunca iriamos chegar até Nova York. Madonna levou aquelas palavras muito a sério, ela largou a tarefa de líder de torcida na escola e se dedicou apenas ao Ballet”

Madonna: — “Isto veio antes de tudo — a devoção à dança, perceber que eu podia ser mais do que barro disforme, e que, com o tempo, muito trabalho e um monte de gente me ajudando, eu podia me transformar em outra coisa. Antes de ser devota da dança, eu na verdade não gostava muito de mim mesma. Não me achava bonita nem talentosa. Eu me odiei muito. Quando eu comecei a ter meu sonho e a batalhar por ele, com um mínimo de autodisciplina, foi aí que eu comecei a gostar de mim mesma”.

Por influência de Flynn, Madonna “abandona o grupo de animadoras de torcida, emagrece e começa a usar moletom preto em vez da saia e blusa xadrez em marrom e dourado”, disse Christopher Ciccone.

“Eu fui líder de torcida por um tempo, mas chegou uma hora em que eu não aguentei mais. Não que eu não me interessasse por esportes, mas eles só se interessavam por aquilo — esportes e beber”, disse Madonna.

A colega de escola Kim lembra que Madonna no último ano do colégio tinha cortado o cabelo, entrado pro grupo Amador de teatro, o International Thespian Society, e não depilava mais as pernas nem as axilas. Passou a usar macacões de brim e coturnos, e mantinha o rosto lavado, sem nenhuma maquiagem. Todos se perguntavam o que tinha acontecido com ela. Era popular quando era animadora de torcida e, de repente, ficou estranha e excêntrica, muito diferente dos outros. Não sorria mais e praticamente se distanciou dos colegas.

“A época em que tive mais raiva na minha vida acho que foi durante a adolescência. Na verdade, eu meio que amadureci aí pelo último ano, porque finalmente consegui decidir o que fazer de meu velho e estranho Eu. Quando você está crescendo, a escola, a vizinhança, a igreja ou sei lá o quê, sua família, todo mundo faz pressão para você se encaixar no grupo (…). Na minha escola tinha os hippies. Eu não me identificava com eles, porque os achava muito preguiçosos. Depois tinha o grupo dos esportivos, que eram mais bem vestidos e tomavam porre de cerveja todo dia. Eu não me identificava com ninguém, então ficava zanzando por aí”, disse Madonna em 1985.

Segundo Christopher Ciccone, Madonna quando jovem queria proteger sua pele clara, ela nunca tomava sol como o resto da família. Madonna e Paula eram muito próximas nesta época e preferiam nadar longe dos pais, pois eles as proibiam de usar biquínis. Mas Madonna sempre nadou muito bem e gostava de nadar na lagoa perto da casa deles. “Certo dia, Madonna e seus amigos dirigiram até a lagoa, a cerca de 32 quilômetros ao norte de Rochester, para onde sempre iam nadar. Mas neste dia ela chega em casa com o olho roxo e o nariz sangrando (…). Um grupo de ciclistas foi até a lagoa e começou a tocar música num volume bem alto. Todos ficaram incomodados, mas apenas Madonna teve a coragem de levantar e dizer alguma coisa. Por isso, uma das garotas do grupo bateu em minha irmã”.

Com Madonna (aos 16 anos) e sua irmã Paula (aos 15 anos) em uma reunião de família, as duas em roupas feitas por Joan (madrasta).

Segunda uma colega de escola de Madonna “Paula era impetuosamente independente e com traços um pouco mais rígidos do que os da irmã (…) Paula era realmente muito simpática, não era excêntrica quanto Madonna. Madonna era a mais bonita, muito linda, já naquela época, mas Paula sempre foi mais simples. Não usava maquiagem, não foi animadora de torcida, nem nada dessas coisas”.

Numa noite, Madonna leva seu irmão Christopher para assistir uma aula de balé. Ao terminar a aula o professor de Madonna Christopher Flyn pergunta se ele queria fazer aulas de balé. E ele aceita. E todas as quintas-feiras os irmãos vão à aula juntos. Sem que ninguém da família saiba.

Segundo uma ex-colega de escola de Madonna, os irmãos Ciccones mais velhos eram bem diferentes entre si: “Martin era extravagante, barulhento e meio esquisito. Ele não batia muito bem da bola e era um pouco excessivo. Anthony era muito inteligente, calado e ficava na dele

A colega de escola Kim lembra que ela no último ano do colégio tinha cortado o cabelo, entrado pro grupo Amador de teatro, o International Thespian Society, e não depilava mais as pernas nem as axilas. Passou a usar macacões de brim e coturnos, e mantinha o rosto lavado, sem nenhuma maquiagem. Todos se perguntavam o que tinha acontecido com ela. Era popular quando era animadora de torcida e, de repente, ficou estranha e excêntrica, muito diferente dos outros. Não sorria mais e praticamente se distanciou dos colegas.

Christopher Ciccone disse se lembrar de apenas uma vez que seu pai tenha repreendido Madonna. “Ela chegou tarde em casa certa noite, Joan lhe dá um tapa e Madonna revida. Minha irmã fica de castigo por uma semana e proibida de dirigir seu carro — um Mustang vermelho de 1968 que todos gostaríamos de ter” relembra seu irmão.

Os encontros de Madonna com Alfred eram cada vez mais raros, como iam passando os anos na escola secundária. Mas houve um encontro final memoráve em 1976. Foi logo após o colegial. “Eu estava sentado em uma faixa de grama no centro de Rochester Hills Plaza Shopping Strip”, disse Alfred.

Estava viajando pela cidade de bicicleta e eu não a via há algum tempo. Ela me chamou. Sentamos e conversamos um pouco sobre o que faríamos com nossas vidas e assim por diante, o tipo de coisa que pessoas com 18 anos conversam. Eu disse que estava indo para paisagismo e queria ter meu próprio negócio. Ela queria ir para a escola de dança. Eu nem sabia que ele estava dançando. Pensei que ela ia fazer algo no campo da medicina. Ela sempre gostou de psicanalisar a cabeça das pessoas. Às vezes, quando você olhava para só podia sentir que ela estava tentando entrar na sua mente”.

Mas ela disse: ‘Sim, vou para a faculdade de dança, mas estou um pouco assustada’. Eu disse, ‘Não há nada a temer, se é isso que queremos. Deus lhe deu talento. Deus me deu o talento para ser um paisagista, e vou fazê-lo até o dia que eu morrer”.

Madonna formou-se na Rochester Adams High School um semestre antes do prazo previsto e por insistência de Christopher Flynn, solicitou uma bolsa de estudos para dança na Escola de Música da Universidade de Michigan.

UNIVERSIDADE

Com o apoio de Flynn, aos 17 anos Madonna foi aceita e ganhou bolsa integral na Universidade no outono de 1976. Foi lá que seus horizontes se ampliaram de verdade. Seu mentor Christopher Flynn assumiu um posto de professor no departamento de dança, de modo que pôde continuar educando sua aluna favorita.

Foto de Peter Kentes

Ann Arbor era uma cidade universitária calma e adorável, meia hora de Detroit, com torres imponentes e cafeterias alternativas. Era das grandes universidades dos Estados Unidos, tendo sido chamada de “a Harvard de Michigan”.

O departamento de dança fazia parte da Faculdade de Artes Cênicas e tinha salas de dança espaçosas e arejadas.

Na faculdade Madonna foi morar no alojamento do campus, ela dividia um quarto com Whitley Setrakian, suas camas eram separadas por uma partição minúscula. Whitley recorda:

“Quando a conheci ela não era promiscua, ela flertava mas pensava duas vezes antes de transar com alguém. Ela nem tinha tanta experiencia sexual assim. Ela nunca trouxe um homem para nosso apartamento.”

“Ela foi tão direta, eu me sentia muito intimidada. Parecia que ela estava em uma missão para me fazer gostar dela e ela foi muito bem sucedida. Mas eu inicialmente tinha minhas reservas e me perguntava por que ela estava sendo tão amigável. Era a garota mais carinhosa que eu já conheci, estava sempre colocando os braços em volta de mim. Mas você podia sentir que era um pouco mais que um ato. Ela era carente e havia algo um pouco frágil e triste nela. Ela costumava sair com Ondine Massot e beija-la nos corredores só pra chocar as pessoas, era tudo calculado. Estava sempre se questionado, se eu fizer isso, se eu fizer aquilo. Mas admito que era muito divertido”

“Ela tem uma personalidade controladora, se ela quisesse dormir, eu não podia ficar com a luz acessa lendo um livro na cama, minhas vontades eram indiferentes para ela. Com pouco dinheiro a gente ia para brechós de caridade, pegávamos algumas coisas e estilizávamos para mudar as peças. Viviamos de fast food e sorvete que roubávamos do refeitório que trabalhávamos, ela era assustadoramente magra, parecia uma sobrevivente do Holocausto.

Havia uma aluna que Madonna odiava só porque ela pesava um pouco mais que a gente e conseguia dançar melhor, ela tinha problemas com as pessoas que se saiam melhor do ela.”

Madonna se sentia cada vez mais como uma artista liberada, de avant-garde, e cada vez menos como uma garotinha da escola secundária. Passou a usar calças rasgadas com enormes alfinetes de fralda, deixou de raspar as pernas e axilas. Também parou de comer hambúrgueres e se tornou vegetariana. Tudo em uma tentativa óbvia de chocar os colegas e professores. Na foto aparece com sua amiga Ondina.

Com sua amiga da faculdade, Ondina.

“Ela nunca perdeu uma única aula. Ela foi impiedosamente comprometida com o curso. Mesmo nas férias, ela iria para qualquer aula extra. Sempre lendo livros, Madonna devorou a poesia lúgubre de Sylvia Plath e Anne Sexton.”

Buscando avidamente a aprovação do professor Flynn, ela se alimentava basicamente de pipoca para atingir o corpo de sílfide que ele desejava. No início de cada aula, Flynn fazia os alunos se pesarem, e, se estivessem acima de 52 quilos, os aconselhava a perder rapidamente o peso extra. Com uma rebeldia leve e despreocupada, Madonna se dedicava com prazer à disciplina da dança. Tinha duas aulas técnicas de noventa minutos por dia e duas horas de ensaios para as apresentações da faculdade.

“Eu estudava dança, teoria musical e historia da arte. Eu fiz um curso sobre Shakespere e isso foi tudo”, disse Madonna.

Madonna não sabia coisa alguma sobre a arte e a vida, tinha apenas um desejo insaciável por aprender. Flynn não poderia negar isso a ela, e então começou a levá-la a museus e galerias de arte para aprender sobre pintura, música clássica, escultura, moda e civilização.

Quando eu sai de casa aos 17 anos eu não iam em casa com muita frequência. Demorou alguns anos até que eu me tornasse próxima da minha família de novo. Por um tempo nós não tivemos muito contato. Eu sentia que meu pai não entendia e não gostava da minha decisão. Até que eu me estabilizei na carreira artística, agora acho que meu pai compreende o que eu estou tentando fazer da vida”, disse Madonna.

Em 1977, aos 18 anos Madonna fez suas primeiras fotos nuas. Já na época da faculdade, ela posava para estudantes de arte para complementar seu sustento.

Ela costumava sair à noite com as amigas Whitley, Linda, Ondina e Janice. Elas tomavam conta das pistas de dança das casas noturnas de Ann Arbor, nas boates Ruvia e Blue Frogge. Madonna dançava cada vez mais de forma provocante para obter qualquer reação, positiva ou negativa. “Nós fomos várias vezes acusadas de ser lésbicas.”

Peter Kentes mais um amigo da Universidade que Madonna conquistou, ele foi responsável por muitas das fotos de Madonna nessa época.

“Ela era muito franca, assim você a notava. Ela adorava atenção, especialmente dos homens do departamento… O primeiro semestre ela estava na república da faculdade e pendurava a cabeça para fora da janela e gritava para os meninos quando eles andavam para a Central de recreação do Campus. Eu me lembro dela fazendo 100 flexões antes do balé, ela estava sempre trabalhando o corpo dela.”, disse Peter Kentes.

Madonna foi a um passo à frente da astrologia: Kentes, um apaixonado por astrologia, fez uma leitura para ela.

“Eu estou olhando para essa garota com sapatos de plástico vermelho, que vive de pipoca, que trabalha meio perido como modelo de arte e fazendo outras coisas apenas para sobreviver, e tudo que a leitura mostrava era riqueza e fama. Ela realmente não parecia surpresa”.

Madonna e o namorado Stephen Bray

Madonna conheceu o então garçom Steven Bray na boate Blue Frogge, sobre esse fato ela disse “Alguém sensível e de aparência tímida, que a gente não podia deixar de notar. Foi a primeira vez na vida em que pedi a um cara para me pagar um drinque”. Sobre o mesmo evento Bray disse “minha primeira impressão de conhecê-la foi a de que eu tinha encontrado uma força da natureza. Algo que não era completamente humano.”

Steve Bray, além de garçom, era também músico e tocava bateria na cena noturna de Detroit. Ele foi um de seus namorados na época da faculdade e Madonna gostava de aparecer nos shows dele e dançar. “Eu tocava bateria na banda Cost of Living e Madonna era uma das duas ou três pessoas que dançavam realmente bem nos shows”, lembra-se Bray. Em pequena escala, foi o primeiro contato de Madonna com a música que até então nunca tinha confessado interesse.

No verão de 1978, Madonna ganhou uma bolsa de estudos para dançar pela Alvin Ailey American Dance Theater, uma famosa companhia de dança. Foi um curso de verão de seis semanas pela na universidade de Duke (Durham, Carolina do Norte) e a peça era “Tobacco Road”. Aos 19 anos, pela primeira vez, Madonna se viu rodeada de dançarinos tão bons quanto ela. Essa experiência foi decisiva para sua futura decisão de mudar para Nova York.

De volta a sua Universidade depois do curso, Madonna teve a oportunidade de trabalhar com Pearl Lang, quando a coreógrafa esteve em Ann Arbor como artista residente. Madonna ganhou destaque por ter sido uma das dançarinas escolhidas para a obra apresentada por Lang. O reconhecimento do talento em formação de Madonna foi o incentivo de que ela precisava para se mudar para Nova York.

Durante essas conquistas acadêmicas ficou claro para Flynn que ela só encontraria o que procurava em Nova York. “Pode haver alguma coisa emocionante na dança acadêmica, mas tem seus limites. Ela era muito maior do que isso… eu podia perceber, mesmo que ela ainda não soubesse. Havia coisas demais para ela explorar, e estavam todas em Nova York”, disse seu mestre.

O pai de Madonna não gostou nada da ideia de largar a faculdade para ir para NY e tiveram longas conversas onde ambos ficaram muito chateados um com o outro.

Em 1978 Madonna iria embora de Detroit sem se despedir de seu namorado Stephen Bray. Anos mais tarde, a revista Rolling Stone, Madonna disse que achava que deve ter feito ele se sentir muito mal, mas que era muito insensível na época.

NOVA YORK

Era 20 de julho de 1978 quando Kentes e Flynn levaram Madonna para o “Detroit’s Metro Airport”. Ela chegou no aeroporto de La Guardia com apenas 35 dólares e uma foto farrapada de sua mãe no bolso do casaco de inverno que ela estava usando. “Quando eu cheguei à Nova Iorque tinha tomado o avião pela primeira vez na minha vida, tal como o táxi. Era a minha primeira vez para tudo. Tudo era novo e novidade. Um mundo admirável e ao mesmo tempo estranho. Esta foi a atitude mais arrojada e corajosa que tomei até hoje”.

Madonna chamou um táxi e disse ao motorista: “Leve-me para o centro de tudo” e o taxista a levou para Times Square.

Logo que chegou a NY Madonna foi morar com uma amiga no campus da Universidade de Columbia. Depois sem muitas condições financeiras alugou um pequeno apartamento em um prédio sujo e infestado por baratas. Para pagar o aluguel e bancar seu sonho, ela foi trabalhar atrás de um balcão da lanchonete Dunkin’ Donuts, em frente à Bloomingdale’s. “Eu fui demitida do Dunkin’ Donuts por esguichar geléia em todos os clientes”.

Madonna passava um dia ou mais sem comer, até procurava comida em latas de lixo, pois mal conseguia sobreviver e dependia cada vez mais de seus amigos. Se encontrava um saco de papel com o logotipo de Burger King ou McDonald’s, jogava fora a carne, sendo vegetariana, mas comia o pão e as batatas fritas. Era comum passar um dia ou mais sem comer coisa alguma, embora os colegas dissessem que ela nunca deixou transparecer isso nas performances. “Quando eu saí de casa e estava na miséria eu só comia pipoca, por isso que eu até hoje adoro isso. Quando eu tinha um dólar sobrando eu ia direto comprar pipoca, iogurte e amendoim, porque pipoca é uma coisa barata e que enche a barriga”, disse ela uma vez.

Fora gravada uma entrevista com o irmão de Madonna Martin Ciccone, sobre ela ter passado fome em Nova York. Ele disse que seu pai conhecia algumas pessoas em New York, e que Madonna freqüentemente recebia dinheiro de sua família. E afirmava que “Madonna estava bem cuidada, e essas histórias trouxe danos a nossa família”. Porém não há dúvida que ela passou por muitas necessidades no começo, e muitos descrevem seu primeiro apartamento na Rua 4-Lest, 232, entre as avenidas A e B, em Hell’s Kitchen, na parte oeste de New York de forma muito ruim. Steve Bray disse que não gostava de visitá-la ali, pois achava que poderia ser morto por viciados. Mas a verdade de todas essas histórias somente Madonna conhece.

Para tentar sobreviver de uma forma melhor, Madonna foi trabalhar como modelo nu, o que já fazia quando estudava na universidade de Michigan, para estudantes de arte e descobriu que poderia ganhar até cem dólares por dia de trabalho. Bem melhor que os cinqüenta dólares que ela tirava por oito horas de trabalho exaustivo como garçonete. “E por muitos anos quando me mudei pra Nova York, eu posei para um monte de escolas de arte, já que o nu é uma matéria essencial para quem esteja estudando isso. Eu estava em ótima forma e um pouco abaixo do meu peso, de modo que dava pra ver meus músculos e alguns ossos salientes. Eu era uma das modelos favoritas, porque era fácil me desenhar. Eu era bem paga pra isso, eu não tinha que trabalhar oito horas num restaurante, por exemplo. Dava para trabalhar numa escolha umas três horas, depois ter aulas de dança o resto do dia, depois fazer meu show à ite, se tivesse rolando um”.

Ao contrário das alegações em seus comunicados posteriores, de que “apresentou-se com a trupe da dança de Alvin Ailey”, na verdade quando chegou a Nova York Madonna começou tomando aulas com o grupo de terceira linha do Centro Americano de Dança. Mesmo assim, a experiência foi inebriante e desafiadora, por ser seu primeiro contato com jovens artistas que tinham tanta ambição quanto ela. — Era como se estivesse numa produção de Fame — disse ela à revista Rolling Stone. — Todos eram hispânicos ou negros e todos queriam o estrelato. Confrontada com uma competição tão acirrada, Madonna passou das aulas de Ailey para a Companhia de Dança de Pearl Lang, ao final de novembro de 1978.

Em novembro de 78 abrimos as portas e lá estava Madonna — disse Lang. — Ela trabalhou comigo por quase 2 anos. Ela fazia o que eu pedia. A parte técnica do trabalho em si era muito difícil, mas ela conseguia executá-la. Lang reconheceu que Madonna possuia “o poder e a intensidade para ir muito além da mera performance física, para algo mais emocionante. Essa intensidade é a primeira coisa que procuro num dançarino, e Madonna a tinha”.

Como Madonna era muito magra seu primeiro papel na companhia de dança de Lang foi de uma criança do gueto do Holocausto na apresentação chamada ‘I never Saw Another Butterfly’. Claramente, Madonna conquistou a coreógrafa Lang como ela tinha já conquistado outros — como Flynn — que iria ajudá-la na configuração de seu talento, guiando-a em direção a seu objetivo e tornar-se seus mentores. Com suas habilidades ampliadas, ela tornou-se assistente de Lang. “Eu realmente comecei a confiar nela aos poucos”, disse Lang. “Ela era organizada, profissional e muito séria”.

Um dia, segundo uma amiga, não muito depois de entrar para a companhia de Lang, quando estava em uma parte mais marginalizada da cidade, foi agarrada na rua por um negro forte e grande que, com uma faca, a fez subir as escadas de um prédio até o telhado. Ele a forçou a fazer sexo oral nele. Quando terminou, deixou-a lá em cima chorando e tremendo. Ela permaneceu no mesmo lugar por um longo tempo, com medo de sair e encontrá-lo nas escadas. Finalmente conseguiu descer e foi para casa, em estado de choque.

Anos depois, ela conversou obre isso com um terapeuta, e revelou em uma entrevista: — Eu fui violentada, e essa é uma experiência que eu jamais trataria com glamour.

“Eu não quero fazer isso um problema”, disse Madonna sobre o incidente de estupro. “Eu tive o que muita gente consideraria experiências horríveis na minha vida. Mas eu não quero que as pessoas sintam pena de mim porque eu não tenho”. Madonna disse que a experiência tinha a deixado muito mais inteligente e esperta. “Isto foi devastador na época, mas fez-me uma sobrevivente”.

“Arrumei um emprego para ela no Russian Tea Room, guardando casacos e chapéus, porque achei que ela estava perdendo peso e precisava de uma refeição decente por dia” — lembra-se Lang.

Camillucci Gregory, ex-gerente do restaurante russo Tea Room, lembra: “Ela era uma garota frágil, muito magra. Eu sempre desconfiei que a comida que ela comia no restaurante eram, provavelmente, as únicas refeições que ela estava comendo. Mas ela era otimista e nunca rude. No início de seu curto período de tempo lá, eu peguei ela olhando para os clientes. ‘Eu vejo pessoas ricas, comendo e bebendo’, explicou ela, ‘de modo que quando eu puder fazer, eu posso fazer isso direito’. Entretanto, não demorou muito para que ela ficasse entediada com os hábitos das pessoas ricas de comer. Eu tinha a sensação de que ela não ia ficar muito tempo. ‘Este não é o que vim fazer em Nova York’, uma vez eu a ouvi resmungar”.

“Como eu posava nua, muita gente começou a querer que eu posasse particularmente para eles. Alguns se organizavam em pequenos grupos, nos fins de semana, digamos três pessoas de uma classe, e eu posava para eles. Tinha muita amizade nessa história; essas pessoas se tornaram meio que mães e pais para mim. Daí acontecia que eles comentavam que conheciam um grande fotógrafo que iria fazer uma exposição e estava precisando tirar umas fotos de nu. Foi assim que eu me envolvi com alguns fotógrafos. Eu ganhava bem mais pelas sessões de fotografia do que pelas de desenho. Acho que o nu é uma obra de arte. Não vejo pornografia em Michelangelo, e eu gostava do que fazia. Era uma ótima maneira de ganhar dinheiro”, disse Madonna.

CONTINUA….

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