MADONNA Parte 3

Rodrigo Stuck
Aug 9, 2017 · 38 min read

Paris, post punk e Danceteria

Madonna chegou a Paris em maio de 1979 e foi do aeroporto numa limusine para o elegante apartamento de um dos produtores. Ela tinha uma criada pessoal, uma secretária, um professor de canto e um orçamento ilimitado para roupas. “Eles cumpriram a palavra. Foi demais. Tinha um apartamento enorme. Nunca me dei tão bem, ia de carro com motorista para toda parte. Queriam desenvolver meu talento, encontrar um veículo para mim”, disse Madonna.

Madonna em Paris com seus produtores

Madonna também contou uma outra versão da sua estadia em Paris:

Levaram-me para Paris e apresentaram-se a uns franceses horrorosos, levaram-me a restaurantes caros e me arrastaram pra cá e pra lá, exibindo para seus amigos o que haviam encontrado nos esgotos de Nova York. Quando eu me enfurecia, eles se limitavam a rir e davam-me algum dinheiro para me manter alegrinha. Eu me sentia péssima”, recordou Madonna.

Madonna e os seus produtores franceses pulavam de festa em festa, apresentado-a aos herdeiros de famílias tradicionais da França, mas ela não gostava muito daquilo. “Ela era muito bonita e namorou uma porção de franceses (inclusive Patrick Hernandez). Mas achava que eles eram muito antiquados e ela era livre, muito livre. Liberada. Queria muitos namorados”, disse a esposa de Pellerin.

Madonna em Paris com Patrick

“Madonna não queria fazer o que os produtores planejavam. Não queria cantar, queria apenas dançar. Foi uma grande surpresa para ela quando descobriu que queríamos transformá-la em uma cantora. Queríamos que dançasse como Donna Summer, e Madonna queria outra coisa”, disse Patrick Hernandez. “Umas duas semanas depois, comecei a me entediar. Estavam concentrados em Patrick e queriam que eu esperasse. Eu? Esperar? Enquanto isso, tentavam me moldar numa Donna Summer. Eu ficava dizendo o tempo todo: ‘ Eu não sou Donna Summer”, disse Madonna.

Entediada na França, Madonna passou a gastar o dinheiro que recebia com homens. “Eu saía com argelinos e vietnamitas pobres, que não tinham emprego, viviam circulando em suas motocicletas, aterrorizando as pessoas. Sempre me senti atraída por pessoas assim, porque são rebeldes e irresponsáveis, desafiam as normas. Sinto atração pelos vagabundos”, disse Madonna.

“Madonna saía todas as noites em Paris. Sobre seus amigos na ocasião, digamos apenas que ela tinha um saudável apetite. Ela nunca demonstrou o menor interesse pela cultura européia. Nunca sequer tentou falar francês. Não se preocupou em experimentar os pratos franceses de gourmet. Tudo parecia perda de tempo para ela”, disse Patrick Hernadez.

Madonna dançando no vídeo de Patrick:

Os produtores encomendaram uma canção para ela ‘She’s a Real Disco Queen’, mas Madonna recusou-se a cantá-la. “Na ocasião, ela se interessava por punk e new wave. Engraçado, quando ela se tornou um sucesso, anos depois, foi cantando o tipo de músicas que tentamos persuadi-la a gravar naquela época. No final da contas, sua musica não era tão avant-garde assim. Se ela nunca tivesse ido para França talvez continuasse a tomar aulas de dança, comparecer a audições… e jamais sequer tentaria o sucesso como cantora!

Madonna passeava em Paris com blusão de couro na garupa de motocicletas, teve uma dúzia ou mais de amantes durante sua breve estadia na França. Ela se apegou a um em particular que na verdade era um rebelde filho de um rico negociante sul-vietnamita. “Ele era muito bonito e tinha uma motocicleta, mas também tinha um fundo de investimentos”, disse Madonna a uma amiga.

Depois de quase 3 meses na França, Madonna sentia-se manipulada e negligenciada. Queria romper o acordo. As cartas de Dan Gilroy, cada uma mais insistente do que as anteriores para que voltasse, deixavam-na animada. “Ah que saudades de Nova York! Odiei a França e tudo que fosse francês. Já que não iam fazer nada por mim, queria voltar para NY, onde sabia que podia fazer algo por mim mesma”, disse Madonna.

A saudade se tornou cada vez maior, e a tensão psíquica afetou sua saúde. No verão de 1979, ela pegou uma gripe forte, e uma semana depois lutava com uma pneumonia. De cama, ela fez uma análise de sua situação. Assim que ficou boa, como não tinha assinado um contrato, ela disse a seus patrocinadores que queria fazer uma rápida visita à sua família, dizendo que voltaria em 2 semanas, o que nunca aconteceu. Madonna se prometeu voltar a França só quando fosse famosa. “Ela uma vez me disse: ‘o sucesso é seu hoje, mas será meu amanhã’. Fiquei surpreso. Ela estava blefando, ou acreditava de fato no que dizia? Naquele tempo, em Paris, Madonna era insignificante, mas muito resoluta. o sucesso era uma certeza em sua mente. Sabia que seria uma estrela”, disse Patrick Hernandez.


Madonna fotografada pelo amigo Martin Burgoyne

Em agosto de 1979, de volta a NY, sem dinheiro e sem casa, Madonna, só tinha uma certeza: iria concentrar-se na música e deixar sua carreira de bailarina em segundo plano. Ela então foi morar com o amigo Martin Burgoyne. “Ela estava vivendo num perfeito buraco em NY. Sentamos e ela me contou sua incrível história sobre como fora a Paris. A viagem talvez tenha sido infeliz em alguns aspectos, mas na minha opinião serviu para lhe dar mais confiança. Parecia mais segura de si quando voltou. Foi logo que eu fui embora de NY, após essa visita, que ela encontrou outro anúncio na Backstage para um papel num filme e ficou interessada”, disse sua antiga colega de quarto na faculdade Whitley Setrakian.

Martin Burgoyne, amigo que abrigou Madonna quando ela voltou de Paris para NYC

Entre os muitos testes que fez estava o papel feminino principal do filme Footloose e uma participação na série de televisão Fame. Em ambos, como em muitos outros, foi recusada. Madonna com 21 anos, mandou foto e uma carta manuscrita para o cineastra amador Stephen John Lewicki, como resposta ao seu anúncio na Backstage que dizia: “Precisa-se: mulher para filme de baixo orçamento. Tipo dominadora”.

Caro Stephen, eu nasci e fui criada em Michigan onde comecei minha carreira de maneira petulante e precoce. Quando estava na quinta série eu sabia que queria ser freira ou estrela de cinema. Nove meses em um convento curaram-me da minha primeira doença. Durante o colegial estava quase maluca. Estava entre ser a virgem da turma ou o outro tipo. Ambas tinham seus valores’’, escreveu Madonna.

“Essa mulher tem mais sensualidade na orelha do que muitas mulheres em qualquer parte do corpo. Havia algo em suas fotos que me levou a desejar encontrá-la. Nelas, estava sexy, mas não de forma obscena. Em uma ela estava passando o batom com o dedo mínimo, sentada no que parecia ser um ponto de ônibus. Resolvi encontrá-la e marcamos um encontro em Washington Square Park”, disse Stephen Lewicki seu futuro diretor no filme ‘Um Certo Sacrifício’.

Madonna apareceu ao encontro com o diretor de minissaia vermelha apertada, e com sua atitude convencida e segura de si. “Dava a impressão de que possuía um grande currículo e muita experiência pela forma como se portava”, lembra-se Lewicki com um sorriso. “Era uma garota durona”.

- “Olhe, eu vou fazer seu filme”, Madonna disse sem se alterar para Lewicki. “Mas não vou dar pra ninguém”, completou.

- “Quem foi que falou de sexo?”, ele perguntou.

Ela sacou seu estojo e começou a aplicar um cosmético cor-de-rosa em seus lábios usando o dedo mindinho, do jeito que fizera na fotografia que havia fascinado o diretor. — “Só quero que saiba”, disse, com ar entediado “que você e eu não vamos transar sacou?”.

Eu não percebi isso na época, mas hoje acho que estava fazendo seu teste para mim bem ali, naquela hora. Eu soube que era perfeita para o papel, pois estava desempenhando o papel”, explicou Stephen.

Em outubro de 1979, Madonna foi escolhida como a protagonista “Bruna” do filme cult de 8 milímetros intitulado “Um Certo Sacrifício”. Em seu primeiro filme, Madonna interpreta uma garota “Post-Punk” de Nova York, que vive com seis “escravos” que ela domina através do sexo e da perversão. Logo, começa um romance com um cara durão chamado Dashiel. E pouco tempo depois é sexualmente violentada por um velho Cowboy num bar de Nova York. Para se vingar, sua “família de escravos” e Dashiel preparam uma emboscada nas escuras ruas da cidade de NY, permitindo Bruna (Madonna) extasiar-se com as loucas e dilaceradas fantasias eróticas. O violentador será castigado com um “sacrifício humano” no interior de uma catedral surrealista, debaixo da ponte do Brooklyn, no desenrolar de um ritual delirante e sangrento, mesclando o amor e a morte.

“Em nenhum momento lhe pedi para tirar a roupa. Isso ocorria naturalmente com a evolução da cena. Nos divertimos muito, ela estava sempre de alto astral, tinha muita energia, era capaz de improvisar. É claro que fiquei com uma queda por ela. A gente se interrompia o tempo todo, um insultava o outro. É assim que você se relaciona com Madonna. Ela o xinga, você xinga de volta… daí ela sabe que você a ama”, disse o diretor de ‘Um Certo Sacrifício’.

Segundo Lewicki, Madonna se tornava visivelmente irrequieta e distraída quando a câmera não a focalizava. Isso não impediu que Lewicki ficasse apaixonado por sua estrela tão egocêntrica. Nunca foram amantes, embora Madonna bem que tentasse. Uma tarde, quando sentaram-se num banco no Battery Park, em Nova York, ela convidou o diretor a lamber um iogurte em seu ouvido. E ele lambeu.

“Madonna falava muito sobre sua vida, a morte de sua mãe e como isso a afetara. Sabia que achava que achava que tinha de tomar conta de si mesma, pois nunca deixaria ninguém mais fazer isso por medo de depender dessa pessoa e depois perdê-la. Além disso, tinha um pai que na sua opinião a desaprovava. havia uma certa cena bem realista, e lembro de ouvi-la dizer: ‘Meu Deus, meu pai vai ficar louco da vida quando vir isso’. Eu perguntei: ‘Vai deixar seu pai ver isso?’. E ela disse: ‘Claro que sim’. Eu tinha a sensação de que ela queria ser rebelde apenas pelo prazer da rebeldia, que queria mostrar-lhe que pensava com a própria cabeça”, recordou Stephen Lewicki.

Madonna ficou muito amiga Angie Schmit (loira, uma das “escravas” no filme) durante as gravações. Mais tarde ela a convidaria para integrar a banda Breakfast Club como baixista.

Um outtake deste filme gravado por Madonna cantando o hit “Let The Sunshine In”, do musical Hair, com outros membros do elenco. Um pequeno clip de áudio dessa gravação tem circulado em CD no mercado de colecionadores bootleg. O filme em si contém o canto conjunto, “Raymond Hall Must Die” e ambos são considerados alguns dos primeiros vocais seus gravados. Clique: Let the sunshine

“Ela atuava como se tivesse um maquiador próprio, alguém para cuidar de seu guarda-roupa, toda uma equipe em volta dela — mas não havia ninguém. Era uma jovem atraente e desconhecida que parecia dominar todas as atenções”, disse Russell Lome, que contracenou com ela numa cena de amor no filme “A Certain Sacrifice”.


No início de 1980, Madonna e Dan Gilroy voltaram a namorar. Madonna pulava de apartamento a outro, levando ao limite a generosidade e a tolerância coletiva de todos os seus amigos. Aproveitando seu senso de ritmo, conseguido como dançarina, Dan começou a lhe ensinar alguns instrumentos. Assim, ela começou a ensaiar bateria (como na foto) horas a fio e a arranhar alguns acordes de guitarra. Assim como era na dança, Madonna praticava 4 horas por dia. E então começou a escrever canções e treinar o sintetizador. Os irmãos Gilroy saiam pra trabalhar servindo mesas e a cantora usava a sinagoga vazia para praticar.

Não demorou muito para Madonna convencer seu namorado para que ela entrasse na banda que estava formando, “The Breakfast Club”. Madonna começou tocando bateria e as vezes assumia o microfone para cantar algumas músicas, além de compor algumas das músicas.

Ouça uma canção de Madonna dos tempos da Breakfast Club.
Madonna on The Breakfast Club — Shine A Light

Madonna convidou Angie, que ela havia conhecido no filme “Um certo sacrifício”, para integrar a banda TBFC. Por fim, os membros originais da banda são Madonna na bateria, Angie Smit no baixo, e os irmãos Gilroy, Dan and Ed, ambos na guitatrra (Dan cantava como vocalista principal). Com a formação da banda, Madonna convenceu Dan Giroy a convida-la a morar com ele na sinagoga abandonada que ele morava com o irmao Ed.


Madonna ocasionalmente tinha empregos freelance, um dos trabalhos era na chapelaria do Russian Tea Room, Gregory Camillucci o gerente diz:

“Eu me lembro da primeira vez que a vi claramente. Ela era muito selvagem. E ao mesmo tempo ela era uma pessoa muito doce mas era um tipo de escultura que ainda não foi finalizada”. O gerente também estava muito impressionado pelo nome da garota: “Quando ela falou o Madonna foi como um relâmpago, abriu meus olhos e meus ouvidos”. Fisicamente o gerente lembra que Madonna estava em forma: “Ela definitivamente tinha um corpo de dançarina, eu tenho a impressão que ela comia apenas uma vez por dia. Ela tinha o cabelo bem escuro, uma italiana em Nova York, muito bonita”.

Eu lembro que ela era bem solitária também ela não tinha muitos colegas de trabalho. Ela estava bem obcecada com sua música”.

“Eu lembro que ela se vestia de uma forma selvagem também prints, meias soquetes e salto alto. Apesar de trabalhar duro eu acredito que Madonna não se encaixava no Russian Tea. Depois de dois meses trabalhando conosco tive que demiti-la. Ela não tinha a imagem que precisávamos no restaurante ela não ficou surpresa eu tive dó dela porque realmente ela aparentava estar sozinha na cidade. Ela dava a entender que não tinha nem amigos e nem família”.


A banda ensaiava até de manhã na sinagoga abandonada que eles moravam. A banda fez algumas apresentações, mas não parecia haver muita química entre eles, em parte porque Madonna se sentia pouco a vontade de dividir o palco com outra mulher. Usando pouco mais que lingerie, a esguia dançarina rebolava sedutoramente, chamando mais atenção que Madonna nos shows.

Angie Smith saiu da banda pois estava mais comprometida com a dança, além de despertar os ciúmes de Madonna que convenceu Dan a tirá-la da banda. Em seu lugar entrou o baixista Mike Monahan, Gary Burke assumiu as baquetas da bateria e Madonna foi promovida a vocalista principal.

A banda de certo modo eles gostavam que Madonna tinha um feeling para negócios. Ela passava o dia inteiro no telefone tentando convencer produtores, donos de boates, agentes e gerentes. Todo mundo que poderia dar a eles uma chance para que a banda pudesse performar ou conseguir um acordo ou contrato.

Dan começou a ficar frustado com o hábito constante de Madonna tomar a frente dele e dos outros membros do grupo no palco.

- “Você é pura ambição e nenhum talento”, ele disse a Madonna em uma discussão feia em frente da banda.

-“Ah, é?”, ela retrucou. “Então vá se foder, Dan”.

Após a feia discussão, Madonna e Dan terminaram e ela saiu da Banda.

Era muito difícil ser seu namorado, para dizer o mínimo. Principalmente porque não havia jeito de ela ser fiel. Havia sempre uma porção de caras na sua cola, cada um com um propósito vida dela”, disse Dan Gilroy.

Eu sei que ele ficou de coração partido”, disse Norris Burroughs, responsável por apresentá-los.


Relato do irmã da Madonna, Christhopher sobre essa época:

“Eu estava no meu segundo ano da faculdade e nas férias de verão pergunto a minha irmã se podia visitá-la em NY e ela diz que sim. Quando chego lá, Madonna estava vivendo em Corona, Queens, numa sinagoga que foi transformada em estúdio que vivia com Dan Gilroy. Minha irmã parecia feliz ao me ver”.

“Agora ela se transformou numa versão feminina e punk de Ringo Starr, com jeans rasgados, camiseta branca, meia arrastão e cabelo preso num rabo-de-cavalo e tocando bateria. Mais tarde uma limusine pára na porta do estúdio. Ela disse que era de um cara que conhecera em Paris que estava lhe cortejando”. Disse seu irmão Chris Ciccone.


Sobre sua saída da Breakfast Club, Madonna argumentou: “Eles não eram tão interessados pelo lado comercial quanto eu. Nunca me ocorreu entrar naquele negócio e não ser um grande sucesso, não adianta ser a melhor cantora do mundo ou ter a banda mais talentosa se apenas poucas pessoas sabem disso. Eu queria que o mundo me notasse, sempre desejei isso”. Madonna permaneceu na banda por 8 meses.

Ao sair da sinagoga que morava com seu ex-namorado Dan Gilroy, Madonna se alojou ilegalmente num sótão. Dormia ali sobre o pedaço de um carpete, e se esquentava com três aquecedores elétricos dispostos em pontos estratégicos. Acordou numa noite e descobriu que um dos aquecedores ateara fogo ao pedaço de carpete e que se encontrava cercada por um “anel de fogo”. Jogou água nas chamas, mas foi em vão. Ao se virar para buscar mais água, sua camisola pegou fogo. Madonna tirou-a, recolheu seus poucos pertences e fugiu, antes que todo o lugar fosse destruído.


De volta ao Lower East Side, Madonna aos 21 anos recrutou os membros de sua antiga banda (Breakfast Club) para formar uma nova. Com o baixista Mike Monahan, Guy Burke na bateria e Brian Syms na guitarra, Madonna formou outra banda, inicialmente chamada de “Madonna and the Sky”. Mas logo Burke acabou saindo da banda, pois a banda dava pouco dinheiro e ele iria se casar, assim precisava de um emprego estável.

Por sorte o ex-namorado de Madonna, Steve Bray, acabara de mudar de Michigan para Nova York e estava a procura de trabalho. Então Madonna o convidou para ser o novo baterista de sua banda. “Ela tinha uma série de músicas prontas e estava precisando de um baterista. Naturalmente, começamos a trabalhar juntos”, contou Bray. “Ele foi meu salva-vidas. Eu não era musicista o bastante para reclamar que a banda tocava muito alto”, disse Madonna.

Madonna e Bray reataram o romance que tiveram nos tempos da faculdade e se mudaram para um aglomerado de escritórios e estúdios musicais na Oitava Avenida, no west Side de Manhattan (west 39th street), chamado de Music Building. “Era um lugar legal, super artístico, dava para sentir a criatividade rolando solta. A gente adorava ali, só de ficar naquela atmosfera era inebriante. Nossa banda era quente e estava ficando cada vez mais quente”, disse Steve Bray.

A banda demorou até definir um nome. Primeiro veio ‘Milionaires’, depois ‘Morden Family’ e por fim, ‘Emmy’. Há controvércias sobre o porque deste último nome. Emmy era um apelido de Madonna dado pelo ex namorado Dan Giroy e também a pronuncia em inglês da letra “M”. Em uma entrevista Bray recordou que “Emmy” era a abreviação de ‘Emanon”, que significava “no name” ao contrário.

“Ela queria que a banda se chamasse ‘Madonna’. Aí eu achei demais”, disse Steve Bray.

- “Mas tem tudo a ver”, Madonna disse a Steve enquanto comia no Howard Johnson’s, em Times Square. “Olha, sabe aquela banda que se chamava Patti LaBelle, por causa da líder do grupo”.

Bray digeriu aquele pedaço de informação. — “Bem, o que você quer dizer, então”, perguntou “é que você é a líder da banda?”.

- “O quê? Não, de jeito nenhum”, respondeu Madonna com voz doce. “Você é o cabeça, Steve, o gênio musical. Eu sou só a estrela”.

-“Esquece, Emmy”, ele disse. “De qualquer jeito, é católico demais. ‘Madonna’? Acho que não”.

Entrevistador: Em 1979, você estava vivendo no Queens com Dan e Ed Gilroy, que tinham uma banda chamada The Breakfast Club, a qual você acabou se unindo. Naquela época, você escreveu sua primeira canção.

Madonna: Se chamava “Tell the Truth”. Tinha talvez quatro refrões, mas não havia versos e uma ponte ou um coro, mas foi uma experiência religiosa. Eu tinha decidido que se eu ia ser uma cantora, eu tinha que conseguir. Eu tive que aprender a tocar um instrumento. Nós estávamos vivendo em uma sinagoga abandonada no Queens e em troca de aulas de música eu modelei para Dan, que era um pintor. Eu era a sua musa, e ele me ensinou a tocar acordes de potência. Enquanto eles estavam fora para seus trabalhos de dia, eu ia tocar bateria. Aprendi ouvindo os discos de Elvis Costello. Então um dia, eu escrevi uma música e as palavras apenas saíram de mim. Era como, “Quem está escrevendo isso?” Quando o baterista saiu, eu me tornei a baterista, e uma noite no CBGB, pedi para me deixarem cantar uma música e tocar guitarra. Essa posição do microfone foi se tornando mais e mais convidativa.

Sobre o namoro com Madonna, Steve Bray comentou que “Algumas pessoas são bem sinceras e outras são desse jeito: ‘Você vai acabar descobrindo que não é meu único namorado e que estou saindo com outras 12 pessoas’. Esse era mais o jeito dela. Aprendi que não dava para confiar nela neste sentido”.

Aos 22 anos, instalada no meio de uma comunidade de músicos, Madonna não demorou a fazer inimigos. “Havia muito ressentimento contra alguém que tinha obviamente algo especial. Era um local com muitos músicos, mas apenas uns poucos tinham carisma. A comunidade desaprovava Madonna por causa disso. Ela tinha dificuldades para fazer amigos”, disse Bray.

Em novembro de 1980, o diretor do filme “Um certo Sacrifício”, procurou Madonna para refilmar algumas cenas. Madonna concordou por um preço. Precisava de dinheiro para pagar o aluguel e Lewicki aceitou lhe dar 100 dólares. Essa não foi só a quantia total que pagou a Madonna pelo filme, mas também toda a despesa que teve com atores no filme.

“A confiança é uma coisa ótima, mas ela era incrivelmente arrogante. Sem classe e sem nenhuma consideração pelos outros. Tinha ambição desmedida, mas sem qualquer talento para se apoiar. Era por isso que ninguém gostava dela”, disse um ex-ocupante do ‘Prédio da Música’.

“Ela já fizera 14 canções àquela altura, o que era impressionante, pois eu tinha muita experiência, e nunca fora capaz de compor uma única música. Assim, se uma pessoa saía da escola de dança, e pela pura força de vontade se tornava uma compositora, eu também poderia fazer a mesma coisa”, disse Steve Bray.

No início do ano de 1981, devido a dificuldades financeiras, Madonna gravou os backing vocals em três músicas do cantor Otto Von Wernherr: “Cosmic Climb”, “We Are the Gods” e “Wild Dancing”.

Otto Von Wernherr é um cantor alemão, mais conhecido por ter trabalhado em algumas de suas músicas com Madonna. Em Cosmic Climb, Madonna aparece dando gritinhos no inicio e cantando o refrão com sua voz aguda, bem característico de seu inicio. Cosmic Climb, têm melodia gótica e macabra… Essa versão é cantada por ambos.


Na primavera de 1981 a banda Emmy estava ensaiando no Music Building. A dona do único estúdio de gravação do prédio, o Gotham Records, era a ítalo-americana de 29 anos, Camille Barbone. “Nós vivíamos nos encontrando nos elevadores e corredores do Music Building. Certa vez, eu estava com as mãos ocupadas e Madonna abriu a porta para mim, e quando eu agradeci, ela disse: ‘Ah, não se preocupe, algum dia é você que irá abrir as portas pra mim”, relembrou Camille.

No elevador, Madonna virou-se para Camille e perguntou com um sorriso cúmplice: “Você fez?” Camille achou engraçado.

- Madonna fazia muito isso, dizia frases saídas do nada para chamar a atenção das pessoas. Estava se referindo a sexo? Não sei. Vivia me paquerando recordou-se Camille. Sabia que eu era lésbica. Então, jogava com isso.

Na mesma manhã, o produtor Adam Alter, da mesma gravadora de Camille, atravessava apressado o saguão do Music Building quando foi detido por uma jovem mascando chiclete, metida num jeans rasgado.

-Ei, você parece com John Lennon! — disse Madonna antes de se afastar.

Em outro dia a jovem Madonna de 22 anos com cabelos curtos ao estilo Pequeno Príncipe perguntou a Camille:

- Já ouviu?
- Como? — indagou Camille.
- Já ouviu?
- Não.
- Tudo bem.

Esse bizarro diálogo repetiu-se por vários dias. Enquanto isso, Alter persuadira Barbone a escutar uma fita de demo, gravada por um novo talento que descobrira. Ela achou a fita de demonstração das músicas de Madonna quase toda esquecível, à exceção de uma música, “Burning Up”. Alter levou Barbone para assistir a um ensaio da tal Madonna. Foi só então que ela compreendeu que a Madonna da fita era a moça misteriosa com quem esbarava pelo prédio. “Fiquei chocada. Era evidente que ela planejara tudo desde o início, e eu nem percebera”.

Por mais convincente que pudesse ser como diva das ruas, seu acompanhamento, nas palavras do proprietário de uma casa noturna, “fedia”. “Ela era sensacional. Destacava-se no palco. Mas os caras com ela estragavam tudo. Madonna era tão boa quanto Christie Hynde, na minha opinião, mas a banda era tão ruim que a prejudicava”.

“Meus modelos eram pessoas como Debbie Harry e Chrissie Hynde, mulheres fortes, independentes, que compunham as próprias músicas e desenvolviam seus trabalhos por conta própria. Não foram profissionalmente comercializadas, produzidas ou inventadas. Não saíram da cabeça de executivos de alguma gravadora. Elas me deram coragem. Eu fui intensamente influenciada por Harry quando comecei a ser cantora e compositora. Eu a achava a garota mais incrível do universo”, disse Madonna.

Após ouvir sua demo, Camille Barbone agendou de ir ver um show da banda Emmy de Madonna no Kansas City, mas ficou doente e não pode. No dia seguinte, Madonna entrou aos berros no escritório de Camille e disse:

- Como ousa não aparecer? Esta é minha vida. O que aconteceu? Você prometeu que estaria lá.
- Eu tive uma enxaqueca horrível. Sinto muito, mas foi impossível, respondeu Camille.

Então agendaram uma nova data para Camille vê-la ao vivo e quando Camille foi anotar o dia e local, Madonna tomou-lhe a agenda e disse:

- Se é importante o suficiente para você, você terá que se lembrar. Não precisa escrever.

No Kansas City, Barbone estava sentada na audiência quando Madonna “enfiou a cabeça pelo meio das cortinas à minha procura”.

“Quando viu que eu estava presente, ela começou o show. Usava um pijama de homem cinza, com listras vermelhas, e a braguilha costurada. Pintara o cabelo de ruivos para castanho escuros. No instante em que começou a cantar, compreendi que era uma mega estrela. Puxa, pensei, eu poderia fazer muita coisa com uma pessoa assim.”

Madonna brilhava, e de uma maneira extremamente urbana. Não como uma ninfeta delicada. Era sólida e direta. Representava bem a cena musical de Nova York. Tinha uma grande coordenação entre corpo e mente. Sabia impressão que causava, e quando estava no palco dava ao público a sensação de estar dentro dela e sentir o que ela sentia. É uma qualidade rara. Era linda de verdade. Que rosto!”, disse Camille Barbone depois da primeira vez que vira Madonna ao vivo.

Camille ficou tão animada que depois do primeiro número foi para o bar, a fim de se acalmar um pouco.

“Ela estava no palco há apenas um minuto e meio, com uma banda horrível, mas havia algo nela que era sensacional. Eu me senti tão animada que não consegui ficar parada”.

Depois do show, Madonna me procurou e disse que tinha a garganta dolorida. Pedi um chá com mel para ela, e depois perguntei: ‘Gostaria de ter uma agente?’ Ela berrou ‘Claro!’, e me abraçou. Mas tinha uma condição: sem a banda”, disse Camille Barbone.

“Se encontrássemos o guitarrista certo, acho que a coisa teria decolado… mas havia muitos guitarristas horríveis em Nova York e parecia que atraíamos todos”, disse Steve Bray.

Era muito limitador. Eu tinha idéias. Numa banda, você não pode ter idéias. Já que não podia me expressar, pensei, então pra que perder tempo com aquilo?”, afirmaria Madonna mais tarde.

Então Madonna deixou a banda e começou sua carreira solo. Embora Madonna quisesse ser leal a Mike Monahan e a Steve Bray, Camille Barbone queria uma nova banda para acompanha-la e sua carreira era mais importante. Eles não se surpreenderam com a notícia, mas, em poucos meses, ela deu um jeito de reconquistar a confiança deles. Os três voltaram, então, a ser amigos.

Em 22 de julho de 1981, três anos depois de chegar a Nova York, Madonna estava sentada na sala de Camille, tomando cerveja, enquanto sua nova agente explicava cada cláusula do seu contrato com a Gotham Productions. Na assinatura do contrato, Barbone deu dinheiro a Madonna suficiente para ela se sustentar por uma semana. Madonna gastou tudo no conserto de sua bicicleta, que era seu único meio de transporte.

- Ela não teve nenhuma inibição para me pedir dinheiro depois disso, disse Camille.

Camille Barbonne formou uma ótima banda de apoio para Madonna. O tecladista John Bonamassa, o baixista John Kaye que trabalhou com David Bowie, o baterista Bob Riley (Madonna queria Bray, mas Camille achou má idéia, pois sabia que eles já tinham namorado antes) e John Gordon como guitarrista principal. Nesta época, ela trabalhou também em estúdio com Jeff Gottlieb e David Frank.

Camille Barbone passou a pagar 100 dólares por semana a Madonna. “Todas as manhãs, ao chegar ao Music Building, eu encontrava sentada na frente do escritório. Sempre pedia uma maça, um iogurte ou pipoca, e logo percebi que aquela era provavelmente a única refeição com que podia contar”, disse Barbone.

Camille alugou um quarto na Rua 13, em frente ao Madison Square Garden, por 65,00 dólares por semana para Madonna.

“Quando chegamos lá, fiquei consternada com as condições miseráveis. Não era um lugar decente, nem seguro. Mas Madonna era um espírito livre e parecia não se importar”

Camille e Madonna fazem aniversário no mesmo dia, assim quando Madonna completou 23 anos e Camille 30 anos (16/08/1981), elas comemoraram juntas. Criada em Detroit, Madonna não era acostumada com o mar. Assim, Camille levou Madonna para a praia em Far Rockaway, Long Island, no Chevrolet Impala 1975 branco de seu pai. Ali chegando, passearam pela areia, e Madonna “ficou duas horas dentro da piscina natural entre os rochedos”. Arremataram o dia com um jantar de lagosta, o primeiro de Madonna.

“Ela me disse mais tarde que fora o dia mais maravilhoso de sua vida”.

Camille desaprovava relacionamentos amoroso entre membros da banda, por causa dos atritos que isso causava.

- Já havia homens demais com o coração partido, não queria que a lista aumentasse. Madonna disse que eu não precisava me preocupar com isso, e depois foi direto pra cama com Riley.

Na verdade, seu envolvimento com Riley não passou de uma maneira a qual Madonna encontrou que Camille despedisse Riley e contratasse seu velho amigo Steve Bray no seu lugar.

Apenas 2 semanas depois de estar vivendo no Star Hotel, Madonna foi roubada, mas só levaram suas fotos.

Então a tirei dali e a pus em um apartamento bem maior no Upper West Side, na Riverside Drive com a 95. Meu sócio conhecia um cara de meia-idade que vivia ali, e o convenceu a aceitar Madonna para morar com ele. Também lhe dávamos cem dólares por semana para despesas”.

No período em que preparava para a gravação das demos para Camille, Madonna dava a Gordon fitas de músicas que ela havia escrito, e os dois trabalhavam nos arranjos premilinares. Madonna ficava horas no estúdio de ensaios de Camille, onde ela tinha acesso livre aos instrumentos. Gordon se lembra que Madonna compôs sozinha a maior parte das melodias, das letras e dos acordes.

Sobre o estilo de musica de Madonna na época, Camille disse:

“Volta e meia me culpam por causa do lance do rock. Mas era rock o que Madonna estava fazendo quando entrei a conheci. Ela não queria mudar porque ela queria ser como Chrissie Hynde. A questão da música dance surgiu acidentalmente e Steve Bray teve muito a ver com isso”.

Em agosto de 1981 Madonna gravou sua primeira fita demo pela Gothan, no Media Sound, uma antiga igreja na 57th Street, NY. Madonna recebeu 250 dólares por cada música gravada. Para o produtor Jon Gordon, foi difícil condensar a ambição de Madonna numa fita.

“Não foi a gravação mais organizada de que já participei. Havia uma espécie de queda de braço entre Madonna e Camille no que dizia respeito à direção do estilo musical. Camille enxergava um caminho que seguia para o modelo Blondie de rock New Wave, típico de Nova York, enquanto Madonna estava recebendo influência do rap e do estilo club naquele momento”.

De acordo com Rikky Rooksby, autor de “O Guia Completo para a música de Madonna”, Everybody versão demo de 1981 é mais ou menos a mesmo que a versão que seria o primeiro single lançado por Madonna 1 ano e meio depois,mas sem as ranhuras synth adicionados.

A versão de “Everybody” encontrada na demo de 1981 é mais pesada e suja, nela Madonna tem como backing vocal uma voz masculina e por toda a música podemos ouvir algumas experimentações nos vocais, e na música mudanças de andamento e velocidade.

Nos meses seguintes eles gravaram as canções “I Want You”, “Love On The Run”, “Get Up” e “High Society” ao estilo pop-rock de Pat Benatar. A fita demo de Madonna foi produzida sob a direção de Camille Barbone e do guitarrista Jon Gordon. Havia ainda o talentosíssimo David Frank e o baterista Steve Bray com sua a batida funk. Mais duas canções foram gravadas no Media Sound Studios, mas não foram utilizadas na fita demo de circulação de 1981, chamadas “Remembering Your Touch” e “Are You Ready For It”.

“Queria ter sido capaz de usar melhor aquilo tudo, do ponto de vista técnico, é claro que tem gente que canta muito melhor. Mas ela conseguia compreender totalmente a música e apresentá-la em seguida de maneira acessível e cativante. Trabalhava muito bem com suas limitações vocais. É uma intérprete forte e faz questão de não enfeitar demais”. — disse Gordon.

A preocupação maternal de Camille Barbone também envolvia uma atenção permanente à saúde de Madonna. Quando ela teve de extrair quatro sissos inclusos, foi Camille quem pagou a conta do dentista e levou Madonna para sua casa em Bayside, Queens. “Madonna ficou muito inchada, teve hemorragia, chorou a noite toda. Acordou-me e fiquei cuidando dela”, disse Barbone.

Camille também levou Madonna ao ginecologista que providenciou anticoncepcionais “a única coisa que eu não queria era Madonna grávida”.

Para ajudar no orçamento, Camille arrumou um trabalho como empregada doméstica para Madonna. Poucos dias depois de ser contratada, Madonna telefonou em pânico. Cortara um dedo num copo quebrado enquanto lavava a louça e queria que Barbone a levasse ao hospital.

- Saiu muito sangue, é verdade — admitiu Camille -, mas no final das contas era apenas um talho no dedo. Madonna queria ser mimada, por mim em particular.

Madonna também fez alguns trabalhos como modelo de moda para o jornal Village Voice.

Em meados de 1981, Camille Barbone acabou convencendo seu amigo Bill Lomuscio, gerente de banda e promotor, a dar uma chance a Madonna e agendá-la em alguns clubes locais para obter a necessária exposição.

O grupo que eu empresariava era a banda da casa nesse clube particular U.S. Blues, e era muito popular. Mas aí chegou Madonna com seus músicos e três dançarinos de break, e esse foi o fim do interesse na minha banda. Depois de três canções, ela estava sendo chamada de volta para mais um bis”, disse Lomuscio.

Foi em um club de ciclistas em Long Island, chamado U.S. Blues. que Madonna com 23 anos fez seu primeiro show sob a tutela de Camille Barbone usando uma enorme camisa de smoking de homem e uma suéter de contas douradas com um enorme M vermelho no peito “como animadora de torcida”. Secundada pela banda de primeira e por três dançarinos de break, ela girou, rebolou e saltou ao som de uma música sua, Sidewalk Talk (que anos mais tarde seria gravada por seu então namorado Jellybean Benitez).

“Se você dava a ela as ferramentas, Madonna as usava. Ela aproveitava tudo. Fazia os músicos usarem a cabeça. Ensaiavam quatro vezes por semana e entravam no palco super afinados. Tiramos aquela guitarrista ridícula de seus ombros e agora ela tinha um microfone nas mãos e liberdade para improvisar nos movimentos”, disse Camille.

Madonna, sua amiga de Michigan e Barbone foram detidas na porta do Underground, proibidas de entrar no elegante clube. Ela insistiu que estavam na lista de convidados, mas os homem da porta manteve-se obstinado. Foi então que Madonna gritou, a plenos pulmões:

- Ei, não se lembra de mim? Trepamos uma noite dessas!

As três foram introduzidas no clube no mesmo instante. Naquela noite, Madonna e sua amiga voltaram se beijando e se acariciando no banco de trás do carro de Camille.

- Chamei-a de vagabunda durante toda a viagem. Madonna se orgulhava de suas aventuras sexuais, e queria que todos soubessem — disse Camille.

A banda de Madonna começou a tocar regularmente, tanto em lugares para dançar, como no Cartoon Alley e o Underground, como no Max’s Kansas City e o US Blues, em Long Island, e também no circuito dos diretórios de estudantes universitários. Lentamente ela foi conquistanto seguidores.

- Um grupo de garotas de uns 14 anos de idade começou a nos seguir. Eu diria que o núcleo central do grupo tinha umas quatro ou cinco meninas; elas foram as primeiras que queriam ser iguais a Madonna — obeserva Gordon.

Como Madonna dizia que queria atuar, Camille arranjou-lhe uma professora russa para lhe dar aulas de atuação. Depois da primeira aula, Mira Rostova se recusou a voltar a trabalhar com Madonna e disse a Camille: “Duvido que essa garota seja levada a sério como atriz. Em primeiro lugar, ela é vulgar. Em segundo, não se pode dizer-lhe nada porque decidiu que já sabe tudo que há para saber, sobre qualquer coisa. Em terceiro, não escuta, e se não escuta agora, nunca vai escutar. Se eu fosse você, pensaria melhor antes de ser sua agente”.

O estudo de interpretação foi um grande motivo de discórdia entre mim e Madonna. Eu queria que ela evoluísse. Madonna não estava interessada no trabalho árduo que seria necessário para se tornar uma atriz de verdade”, disse Camille.

Madonna parecia mais contente em ficar rolando no chão pela casa, tirando polaroids de seu próprio rosto ou montando looks com roupas de brechó.

Sabe o personagem que Madonna fez no filme ‘Procurando Susan desesperadamente’? Certas cenas ela aparece tirando selfies e dançando no quarto ao som de uma música usando apenas calcinha e um top. Aquilo não era uma personagem, era Madonna que eu sempre via em casa”.

“Apesar das disputas artísticas, Madonna tinha uma idéia clara do que queria, mesmo não sabendo ao certo como conseguir. Estávamos o tempo todo sendo dirigidos por ela. Ela estava aberta a sugestões, mas reagia muito rápido quando não gostava do rumo que as coisas estavam tomando. ‘Gordie’, ela me chamava assim na época, ‘essa parte não está legal, quero que fique assim’”, disse Jon Gordon.

Em setembro de 1981, quando chegou a hora de renovar o contrato, Madonna protelou, reclamando com Camille que a promessa dela de conseguir um contrato para a gravação de um disco ainda não havia sido cumprida.

O fato de as mulheres não reagirem negativamente a ela foi muito importante para o seu sucesso. Madonna emitia uma espécie de vibração bissexual. Era honesta e direta em suas músicas. Não tinha afetação. As letras não eram cheias de complexidades. Qualquer mulher podeira se identificar com ela. por isso foi natural as meninas começarem a se vestir como ela. As meninas começaram a imitá-la, a usar o lenço do jeito que ela usava, as meias arrastão com escarpim, as bijuterias vagabundas e roupas de algodão chamuscadas de tinta. Admiravam o espírito rebelde pelo qual Madonna estava possuída.

Camille recorda que a cantora começou agir de forma estranha:

“Falava em um tom sério a respeito do impacto que a morte da mãe teve sobre ela. Ela começou a contar também como a família disputava atenção do pai. Ela falava coisas sem sentido, confessava que acreditava que Elvis Presley tinha morrido no dia seu aniversário por um motivo especial. Acreditava que o espírito de Elvis tinha sido passado para ela dando a ela o poder para performar”.

“Acredite ou não mas Madonna era muito sensitiva, muito ligada ao mundo espiritual. Algumas coisas aconteciam que as pessoas chamadas de coincidência mas eu e Madonna sabíamos que era algo além.” — recorda Flinn, seu mentor do tempo da faculdade.

“Ela morria de medo de ser assassinada no palco como aquele personagem do filme ‘Nashville' que leva um tiro em frente ao público. Desconfiava que tinha alguém no meio da plateia que subiria no palco para machucar lá então tive que contratar um segurança antes mesmo dela se tornar uma estrela”. — diz Camille. “De certo modo realmente ela tinha um público bem vivido. Então assim que ela terminava performance o segurança tinha levá-la em segurança até o carro. Ela morria de medo até mesmo de ficar sozinha. Então exercia papel materno na vida de Madonna ela ficava feliz pelas pequenas coisas que eu fazia por ela então de repente ela percebeu que ela poderia ter tudo que quisesse”.

Em uma ocasião, Camille levou seu sobrinho, um rapaz de 16 anos, moreno, bonito, para assistir ao show de Madonna, que passou a noite inteira tentando seduzi-lo. Durante sua apresentação, ela o segurou pela gola da camisa e cantou diretamente para ele. Após isso, se beijaram no camarim. Barbone acredita que se não tivesse levado o rapaz logo para casa de sua família, eles teriam ido para cama.


A banda então, tornou-se sua família substituta. Eles brincavam chamando-a de ‘a criança’. “Alguém alimentou ‘a criança’ hoje? Ela fica muito irritada quando não come”. Gordon guardou a lembrança de Madonna como uma pessoa “evidentemente obcecada por si mesma e por sua carreira”.

- Se é possível alguém ser destemido e ao mesmo tempo vulnerável, então era assim que Madonna era. Era isso que fazia com que ela se tornasse impossível de deter. E era algo que nos desarmava totalmente, disse Camille.

“Madonna não tinha nenhuma auto-crítica. Comportava-se como se estivesse sozinha no quarto em frente ao espelho, fazia isso em frente de toda a platéia. Conversamos muito sobre isso. Ela fazia de conta que o público era alguém que a espiava pelo buraco da fechadura. Eles não estavam lá de verdade, estavam apenas dando uma espiadinha. Essa é uma maneira muito singular de encarar o comportamento no palco”, disse Camille.

Seu namorado na época, Ken Compton, ficou um pouco desconcertado quando ela certa vez lhe perguntou sem rodeios: “Então, do que você mais gosta de mim?”. Camille lembra-se que “Kenny fez o tipo de coisa que Madonna fazia com os outros homens… não respondia seus telefonemas, chegava atrasado nos encontros marcados, enganava-a com outras mulheres. Ela ligava para ele, gritanto, chorando. Ken a levava à loucura”.

Quanto ao pai de Madonna, Camille disse: “Ele ficou muito tempo de luto. Fazia tudo por Madonna. Era um típico pai italiano: trabalhador, que amava a filha, não a deixava se soltar no mundo e rezava por sua salvação”. Mas Madonna “não se importava com a aprovação do pai não tinha qualquer figura feminina forte para apoiá-la nesse sentido. A madrasta nunca fora uma figura materna para ela. Vivia ocupada com os dois filhos menores”.

A agente achava que Madonna gostaria de ter transformado a amizade delas em um relacionamento amoroso, para que pudesse exercer maior controle.

“Resisti a isso, porque teria sido a minha ruína… e já era a minha ruína de todo jeito, pois se a relação que nós tínhamos não era física, era, em todo o resto, inteiramente erótica”.

Madonna muitas vezes parecia não levar nada a sério e sua veia jocosa podia escapar ao controle. Uma ocasião, Barbone pediu a Madonna que cuidasse de seus dois poodloes, Norman e Mona, enquanto se ausentava da cidade por alguns dias. Quando voltou, Barbone descobriu que Madonna usara spray para pintar de laranja Norman, e Mona de rosa. Também pintara uma palavra em cada cachorro: SEXO e FODA.

- Eu me sentia entediada. Eu precisava fazer alguma coisa — Madonna disse a Barbone.

Em outubro de 1981, Camille mandou as fitas da Gotham de Madonna para várias gravadoras, mas apesar de alguns poucos caçadores de talentos terem comparecido aos shows, nenhum peixe mordeu a isca. Então, Madonna começou a ficar impaciente.

Ela é sagaz. Entra numa sala e sabe logo quem manda no lugar, assim como percebe de cara de quem tem que se manter afastada”, disse Camille.

Madonna foi recusada pela Millenium Records em 1981. Leia a tradução da resposta (foto acima) da gravadora abaixo..

Caro Alec:

Eu gostei de ouvir Madonna. A produção, os arranjos, sua voz são fatores fortíssimos. A direção é boa, em minha opinião. A única coisa que deixa a desejar nesse projeto é o material. Eu gostei das músicas “I Want You”, “Get Up” e “High Society”, mas não de “Love on the Run”. Não acho que ela esteja pronta mas vejo que a base é de uma artista consistente. Não me interessa no momento, mas vou esperar por mais.
Boa sorte e obrigado por se lembrar de mim.
Meus cumprimentos,
Jimmy Ienner

“Ela me ligava às quatro da manhã e dizia: ‘Não consigo dormir’. Aparecia na minha casa e pedia: ‘Me leva no cinema’. Se estivesse com fome, eu comprava alguma coisa para ela comer. Ás vezes se comportava como uma criança imperativa. E a arrancou todo o espírito maternal que havia em meu corpo. Eu tinha que dar voltas de carro com ela depois de um show só pra deixá-la cansada. Ela ficava mais do que cansada, como um bebê irritado, mais não conseguia dormir. Muitas vezes eu a deixava em casa às três da manhã e ela saía de novo”, disse Camille Barbone.

- O fato de as fitas da Gothan não terem dado resultado arruinou para sempre minha relação com Madonna e com Camille — disse Jon Gordon. Porém Camille guardou uma lembrança diferente.

Ela e Jon eram ótimos parceiros musicais, mas ele desenvolveu uma paixão infeliz por ela, e isso foi o fim de tudo. Eles tiveram uma grande briga no palco certa noite. Ela o empurrou e ele a empurrou de volta com mais força, fazendo com que ela caísse no chão. Ela veio até a coxia e disse: “Ele está fora”. Ok! Ele está fora”, disse Camille.

Madonna também se especializou em arrotar nas situações mais impróprias, como em um almoço com caçadores de talentos de uma agência importante.

Ela arrotava e gargalhava de maneira histérica. Tentava chamar atenção comportando-se mal. Queria que eu tivesse que me controlar para não rir, se divertia com isso. Mas isso não me incomodava. A exploração sexual é que me irritava. Eu dizia: ‘Não contribua com a misoginia deste meio’. Madonna era a pior inimiga dela mesma. Eu tinha que convencê-la de que estava destinada ao sucesso, que não precisava se denegrir”.

Um show importante no Underground Club tinha sido agendado para novembro de 1981. Camille ameaçou cancelar o show se Madonna não renovasse o contrato, então ela renovou. Fez um show excelente, ganhando a companhia de David Johansen, ex-integrante da banda de rock “New York Dolls”, na véspera do ano novo. Ele a levou a uma festa de fim de ano dada pelo canal de TV a cabo, a MTV, que acabara de inaugurar. Ele a apresentou a muitas figuras influentes no ramo. Tudo estava preste a decolar, mas sem Camille.

Sentido-se traída, Camille tentou segurar a situação de modo ainda mais firme, e as duas entraram numa fase de brigas violentas. Isso se intensificou quando Camille começou a beber além da medida.

“Eu não tinha mais condições de erguê-la a um nível profissional superior. Eu estava falindo. Eu tinha investido muito dinheiro. Na verdade, eu tive uma crise emocional, porque eu estava perdendo-a e sabia que ela ia seguir adiante e chegar ao topo. Tinha que ter deixado eles levarem o trabalho em frente e entrar junto, mas na retaguarda. Foi meu orgulho que me atrapalhou”.

“Se você tivesse um coração, não sei se estaria fazendo isso comigo” — disse Camille.

As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Madonna.

“Tenho que ir. Eu amo você Camille. Trabalhamos bem juntas. Mas agora acabou. Então… adeus”.

Madonna foi embora sem se olhar atrás.

“Meu negócio sempre foi música rítmica, party music, mas a Gothan não estava acostumada com esse tipo de coisa, e embora eu tivesse concordado em fazer rock and roll, meu coração não estava mais naquilo. O soul era minha principal influência e eu queria que meu som fosse o tipo de música de que eu sempre havia gostado. Queria abordá-lo de um ponto de vista simples, pois não era uma compositora exímia. Eu queria ser direta. Ainda gosto de dançar e tudo que desejava fazer era gravar algo que fosse dançável e tocasse nas rádios”, explicou Madonna sobre o por quê resolveu deixar Camille e a Gothan.

Madonna & Bray no Music Bulding

Logo após cortar os laços com Camille Barbone, no início de 1982, Madonna e Steve Bray voltaram a viver no Music Building, onde dormiam em catres, sentavam-se em caixas e matavam fome com pipoca. Madonna e Stephen se uniram para a compor e produzir algumas faixas demos independentes: Crimes Of Passion, Don’t You Know, Stay, Ain’t No Big Deal e Everybody.

Em fevereiro de 1982, Madonna convocou Camille e seu sócio, Bill Lomuscio, para uma reunião com um advogado superpoderoso da área musical, Jay Kramer. Durante a reunião, Kramer disse a Camille que eles estavam encerrando o contrato com Madonna, e que a cantora dispensava os seus serviços.

Aos 23 anos, e sem um empresário, Madonna permaneceu em busca por “se tornar alguém”. As negociações com a agência William Morris não chegaram a lugar nenhum. Madonna passara a frequentar as casas noturnas “Mudd Club” e “Danceteria”, numa época em que a Disco Music estava dando lugar a música Dance e o hip hop.

Em 1982, no Continental Club, Erica Bell (que aparece no clip de Lucky Star de 1984) vira Madonna pela primeira vez do outro lado do balcão, sentada de pernas cruzadas sobre uma das colunas do bar que eram cobertas de glitter bem dramáticas no estilo grego, bem Hollywood, vestida toda de branco. Tinha os cabelos escuros e desgrenhados, cercada de homens:

“Eu fiquei olhando para ela e ela olhando para mim como naqueles momentos clichê, mas havia uma conexão, ela tinha olhos lindos e estava incrivelmente maravilhosa, parecia uma eternidade olhar para ela”.

Os homens conversando com Madonna já estavam com o seu telefone na mão, até que certa hora só restava o colega de apartamento da própria Bell, Peter Schultz. Bell se aproximou, e disse-lhe para ir embora.

- Ela não vai mesmo sair com você, Bell disse a ele e depois disse a Madonna. — Moro com ele.

Schultz apressou-se em acrescentar que eram apenas colegas de apartamento, não havia qualquer envolvimento romântico. Ele também se retirou com o telefone de Madonna, e mais tarde saiu com ela duas vezes.

“Nós tínhamos muito em comum, estava muito impressionada com Madonna, eu mal podia acreditar que aquela garota não tinha nenhum recurso financeiro, mal tinha dinheiro para comer. Eu me lembro que depois que ela começou a fazer sucesso a gente passeava de limousine por Nova York e certos pontos da cidade ela apontava para o beco qualquer e dizia: “Eu costumava procurar comida naquele container ali. As pessoas jogam fora comidas em perfeito estado”. Quando estávamos andando pelas ruas os donos de restaurantes reconheciam Madonna imediatamente e ela sempre dizia: “Rica eu adoro esse cara, ele costumava me dar comida”. É verdade que às vezes ela tinha que escolher entre comer uma maçã ou guardar o dinheiro para pegar o metrô, ouvir essas histórias me fazia querer chorar mas não Madonna, ela não é do tipo sentimental, ela tem essa força. Apenas se preocupa em seguir em frente. A pessoa mais ambiciosa que eu conheci, éramos muito íntimas, dormíamos na mesma cama. Eu lembro que ela acordava às 6 horas da manhã e tinha esse ritual de colocar água com sal na boca para gargarejar”.

Compadecida com a situação difícil de Madonna, Bell a contratou Madonna para servir no bar de sua casa noturna, a Lucky Strike. O emprego durou apenas duas noites, pois Madonna queria concentrar toda a sua energia na carreira musical, sobre qual falava sem parar. Foi então que começaram a ir em boates como a Danceteria, febre em NY.


Sem um empresário para dar continuidade a suas ambições, Madonna (aos 23 anos) começou a levar a fita que gravou com Bray para as boates, tentando que algum DJ a tocasse.

“Enxotávamos as pessoas da pista de dança e nos esbaldávamos. Selecionávamos os homens mais bonitos, nos aproximávamos e, sem dizer nada, os beijávamos na boca. Depois pegávamos seus telefones, e nos afastávamos. Enquanto o cara ainda estava olhando, amassávamos o papel com o telefone, e jogávamos fora”, disse Erika Bell sobre suas aventuras com Madonna.

“Antes de beija la eu estava muito intrigada como seria. Mas eu posso te dizer uma coisa uma vez uma vez que Madonna te beijar você permanece beijado”.

“Quando não estávamos dançando nos clubes eu ela conversávamos bastante. Ela sempre dizia que precisava ficar famosa, ela precisava ter atenção. Ela sempre dizia que queria TODA atenção”

“Isso tudo foi dois anos antes dela ficar famosa, acho que o maior medo que ela tinha era morrer e ser esquecida” — conta Erica.

O bartender do Lucky Strike era um jovem da Flórida, o já melhor amigo de Madonna Martin Burgoyne.

Martin & Madonna 1982

Madonna e Martin estavam fazendo conexões em Nova York como muitos jovens que estavam ali procurando uma forma de viver trabalhando e desenvolvendo arte. Martin Burgoyne era um artista gráfico e Madonna com sua suas demos iam de boate em boate tentar conhecer as pessoas, elas eram conhecidos como club kids locais. Quando tiveram que frequentar a boate Danceteria de Manhattan, foi um grande sucesso e a cantora logo era vista na pista de dança se fazendo conhecida entre os famosos 4 andares. Era um centro New Wave que era frequentando por artistas locais e músicos de toda sorte.

O DJ Mark Kamins de sua cabine via Madonna dançar e ficara intrigado e queria conhecê-la. “Eu já a observara dançar, e ela era espetacular… mas sempre a distância. Quando ela me procurou e se apresentou, fiquei impressionado com sua sexualidade inata. Ela era linda, mas o que fascina é seu senso de estilo, de individualidade. Possui uma aura ao seu redor”, disse Kamins.

“Madonna tinha um estilo único de se vestir. Estava sempre na pista de dança e quando dançava todo mundo ficava ao seu redor”, lembra-se Kamins.

O DJ residente da boate DANCETERIA estava decido a começar a produzir e gravar novos cantores. Formado em Cinema e tendo sua vida toda trabalhado com música, Mark estava pronto a levar o titulo de melhor DJ de New Wave da cidade para outros ramos, por isso ele matinha conexões com empresários e contatos de gravadora para estabelecer seu nome nessa atividade. Madonna sabia exatamente de quem precisaria se tornar amigo e essa pessoa era Mark.

Madonna (aos 23 anos) foi até a cabine do DJ Mark Kamins na boate Danceteria com a fita demo de “Everybody” e pediu a ele que a tocasse. Kamins balançou a cabeça negativamente.

“E se não for boa?”, ele perguntou desconfiado.

Madonna chegou mais perto e disse enquanto acariciava o seu rosto: “Acha que eu a daria a você desse jeito se não fosse boa? Uuuuh, baby, você é tão lindo”.

“Na noite seguinte pus ‘Everybody’ para tocar e a reação foi impressionante”, disse Kamins.

CONTINUA…

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