Ele não pode acreditar.

Tomou as mão em prece como ultima tentativa de que algo fizesse sentido. O desespero da verdade afiada lhe cortava em pedaços pequenos demais para serem colocados de volta no lugar mas grandes o suficientes pra cortá-lo em tantos outros pedaços, como naquela canção de gente triste, lembra? Canção que ele nunca havia de fato entendido, e que agora percorria-lhe o corpo, comprimindo os órgãos, cegando, ensurdecendo, sangrando como uma morte lenta que nunca chega ao fim… O gosto de mentira é amargo, ácido e corrói tudo quanto é desejo. Ele tomou as mãos em preces porque a dor não era no corpo físico… era nas paredes, no canto escuro, no cheiro, em cada uma das lembranças. A verdade mesmo, caso queiram saber… é que na verdade tudo não passou de um Mal muito bem entendido.