Frio

Amanhã, 21 de junho, teremos um solstício, ou seja, o maior afastamento do sol em relação à linha do Equador. Para nós do hemisfério sul, este solstício marca a chegada do inverno.

O inverno sempre foi a estação do ano que mais me identifiquei. Fria, escura, melancólica, de certo modo solitária. No últimos anos, porém, essas sensações foram amenizadas. A beleza desta estação consistia em existir e se deixar levar. Neste ano, a chegada do inverno tem me feito pensar o quanto eu preciso revisar meu emocional e espiritual. Tenho passado por dias tristes, frios, escuros, melancólicos. Tenho medo, tenho inseguranças, tenho alguns monstros sendo novamente alimentados na minha cabeça. Não quero isso pra mim.

Muito mais que reflexos puramente físicos, acordei hoje com frio, com sensações estranhas no meu peito e com meu emocional confuso. Talvez uma leve crise de ansiedade por ter me deixado levar por alguns sonhos bons. Nenhum de nós deveria se sentir assim, não é saudável.

Já fui uma pessoa fria como o inverno, com o coração de pedra e inviolável. Com o tempo, com pessoas boas e algumas não tão boas assim, aprendi a quebrar a camada de gelo que encobria meus sentimentos. Aprendi que é muito melhor para fora do que para dentro. Não querer sentir é triste, é solitário, te consome e te faz definhar; acredite, já estive neste lugar. Às vezes me pego voltando para essas sensações, como se de alguma maneira eu fosse um prisioneiro do gelo que viu, por alguns instantes, a luz do dia depois de uma longa noite.

Nessa confusão de ideias e sentimentos, sigo com a certeza que mais uma vez o inverno será a estação que terei que encontrar minha resiliência.

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