Crônicas do Grindr

Um Virginiano
Jul 23, 2017 · 2 min read

Hoje fui sincero com um menino e espero não ter o magoado, mas acredito que não. Não queria fazê-lo de bobo, não queria enganá-lo. No começo, de fato, eu tive interesse e por isso fiquei a conversar com ele, mas após esse primeiro instante eu perdi o interesse, eu perdi a vontade e nem sei o porquê disso ter acontecido, porém escrever sempre me ajudou a me acalmar e então aqui estou.

Todas as inseguranças que eu poderia ter atacaram no dia seguinte e a decisão de acabar com qualquer relação foi tomada no início do dia de hoje. Tudo me afetou e, ao final do dia, eu não queria sequer usar mais o “whastapp”, eu queria me isolar, eu queria me curar, me ajeitar. Talvez seja coisa de virginiano — para aqueles que acreditam — ou seja perfeccionista que exige o máximo de si até mesmo num hipotético possível relacionamento que não chegaria acontecer, mas que me afetou de tal modo que eu não pude fazer mais nada além de tentar ser sincero e compreender tudo o que se passou dentro de mim nesses 2 dias e meio de conversa.

Além disso, eu não aguentaria pensar que estava a enganar ele e espero de coração que ele não pense isso de mim, mas tal qual ele mesmo disse, eu preciso amadurecer, eu preciso me aceitar, eu preciso aprender a aceitar o erro e tirar algo de útil deles, e talvez até que isso aconteça eu vou continuar a errar e a desperdiçar oportunidades e momentos que eu não deveria jogar fora. Bom, e agora eu a escutar MPB e a me identificar com cada letra de música romântica ou que fazem referência a desistir de algo.

(…)

Talvez eu seja umlegítimo trouxa. Aquele que se preocupa com tudo e com todos e ao final da vida não terá feito nada, nem experimentado nada por medo de possíveis consequências que, com a devida atenção, não chegariam a acontecer ou que mesmo em condições normais mesmo não existiriam. Talvez o meu destino, tal qual já havia pensado, seja ser sozinho e no futuro me ver solitário a pensar na vida e no que eu fiz dela, e em como a minha situação é diferente das dos meus amigos.

(…)

Porém, apesar de todas essas reflexões, vou continuar a me guiar no meu romantismo tolo e no meu jeito de pensar utópico acerca de tudo, sempre com grandes expectativas, aproveitando cada momento para me conhecer, para compreender o que é ser eu e o que eu posso fazer para mudar. Tenho desejos contidos e acredito que tenha até sentimentos completamente contidos dentro de mim. Espero que um dia isso mude e que no futuro eu possa olhar para esse texto e compreenda melhor tudo o que está escrito, mas por enquanto eu vou sobreviver.

N.