O primeiro acidente da manhã

Imparcialidade não existe. Seja uma pessoa ou entidade, sempre defende-se uma ou certas posições. O portal G1 fez uma matéria com vídeo o sobre o primeiro caso de acidente na via expressa na Marginal Pinheiros, horas após a alteração das velocidades permitidas. Foram entrevistados quatro homens com a mesma linha de pensamento. Em vez de mostrar outras posições, o jornal preferiu deixar claro qual é seu viés, que é ser manter contra a redução de velocidades

O primeiro entrevistado disse que anda muito nas Marginais e acha que o fluxo vai melhorar. Mas, qual fluxo? Essa confusão entre volume de carros e velocidade é muito comum, pois a vazão, ou seja, o número de veículos que passa por minuto em um lugar, pode alta ou baixa. Como a maior parte das vias arteriais em São Paulo vive congestionada, pois, lembremos, há 7 milhões de veículos emplacado, não há como essa intensidade ser baixa. Contudo, provou-se que a redução melhorou a fluidez nos pontos de gargalo e diminuiu as colisões, esses sim inimigos da fluidez viária.

Já o segundo reiterou que é a favor da redução da velocidade, mas em ruas onde há escolas e crianças. Apesar da boa intenção, o discurso é óbvio. O Código Nacional de Trânsito já estabelece valores seguros para trechos com movimentação intensa, áreas escolares ou ruas de lazer.

O terceiro afirmou que a Marginal foi feita para andar mesmo e que a redução de velocidade só atrapalha. Parece claro que desde a antiguidade as ruas e estradas foram feitas para andar. E muito mais a pé, pois o automóvel é uma invenção recente. Andar 20 km/h a menos diminui a índice de atropelamentos e colisões, além de contribuir para tornar o ar da nossa cidade mais limpo. Como isso pode atrapalhar?

O último apontou que as pessoas estão muito mal-educadas e não é a redução da velocidade que definirá a segurança do trânsito de São Paulo ou do Brasil. De fato, a situação nacional é calamitosa. Somos os campeões sul-americanos de mortes por acidentes e estamos em quinto lugar na escala mundial. Reduzir as velocidades na vias faz parte dos programas de redução de danos ao volante, juntamente com a autuação de motoristas embriagados.

Por fim, a jornalista, em seu estúdio, coroa a afirmação desse último com a frase “é a educação e o respeito”. O que se vê é uma demonstração de obviedades fundadas apenas na opinião, na ideia vaga que se tem de alguma coisa sem reflexão a respeito. Caberia ao jornal, em sua função de pontuar visões e deixar ao leitor tirar suas conclusões. Mas, não. A página do império midiático prefere deixar bem claro que não é a favor da vida. Link para a matéria: goo.gl/wNEE8f

Foto: Flickr | Mark Hillary | CC 2.0