Av Paulista, Olhares e Frida

…fiquei ensaiando escrever aqui por tempo demais, da aquela ânsia de querer definir coisas. AAAAAHHH! que preguiça — pode escrever de tudo certo?
¯\_(ツ)_/¯ Pra mim certíssimo. Então bora…!


(Foi em 2012...)

Av Paulista — 2012 (Foto: eu mesmo!)

Na verdade foi bem antes, e continua sendo…
A avenida e seus arredores passaram a fazer parte da minha vida desde que me entendi como gente, desenvolvi meus medos e gostos, tirei o cabresto e passei a ver e me interessar pelas coisas que antes não entendia — e ainda não entendo, afinal de contas como disse Frida “Nada é absoluto.” 
É um lugar que desenvolvi um tipo de “carinho”, similar ao que tenho pelo bairro onde cresci na ZN de São Paulo.


Em 2004 conheci
Poxa, eu era um cara de 19 anos que não tinha muito conhecimento das coisas, lugares e pessoas — não quero me repetir dizendo que ainda não entendo, mas é fato, não entendo. 
Nunca tive muito a coisa do deslumbre ou ficar maravilhado com as coisas (me refiro a reações exacerbadas). De modo contido, as reações desse tipo sempre se manifestaram de maneira mais intima. E assim aconteceu quando passei a frequentar a região da Paulista e 2004 foi meu primeiro contato (frequente diga-se de passagem) com bares, vida noturna, pessoas… 
Era um lugar que queria ir sempre. E fui. E vou!

Muitos porres, muitas noites, muitos risos e choros também, por vezes sozinho, acompanhado, de galera…de qualquer jeito. Acontece que há um sentimento coletivo (a meu ver claro) de compartilhar o local, cada um com sua singularidade impregnando-o com sua essência. Acho que é um lugar com uma pluralidade que é tão concentrada que se torna vaga, um paradoxo — cheio e vazio.

Passei então a caminhar para divagar — internalizar/externalizar — volta do trabalho, mochila nas costas, cigarro em uma mão e cerveja na outra: “Bora cruzar a avenida”, indo Paraíso à Consolação — metáfora que ainda me faz rir seja indo ou seja vindo. Uma metáfora brincando de verdade, talvez seja o motivo dessa significância concentrada e plural do lugar, ou talvez eu esteja viajando demais, vai saber…


Mas foi em 2012, em uma dessas divagações, no trajeto da metáfora, que se iniciou um processo de resignificação pra mim.


Um olhar! Semáforo abre, atravessa a rua… um olhar! Para, volta, olha, caminha, conversa…uau! Penso agora que se a metáfora fosse da Consolação ao Paraíso teria sido óbvio demais. Seria mesmo, pois depois vieram as onomatopeias — uau! hahaha hmmm! hunf! snif! …

O tal do “snif!” tornou a metáfora da consolação mais significativa. E daí então as divagações se espalharam por novos lugares, o que só foi possível por que já não tinha mais os cabrestos de antes, novos entendimentos. Lembra da Frida? Pois bem:

“Nada é absoluto. Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparece.” (Frida Kahlo)

Assim passaram-se quatro anos, quatro anos sem que olhares se cruzassem.

Eis que uma nova onomatopeia surge “BAAAAMMMM!”. Sim. O mesmo olhar! Sabe o brilho, a forma, a cor, a essência? Pois é! Mas claro, como tudo muda, era diferente — quatro anos meu amigo! Bom, desde então cada dia é o mesmo olhar, mas de uma maneira diferente. A onomatopeia agora ganha ares mais físicos, mais táteis, mais fluidos, leves, soa quase como um suspiro “haaaaaaaahhhhhhh”.

O engraçado é que é cíclico, pois é um suspiro de tranquilidade, aquela tranquilidade de quando você sabe o que está acontecendo e ao mesmo tempo é uma novidade, aquela surpresa disfarçada de maravilhamento deslumbrativo — vai e volta. É bom!


A Av Paulista? Ela continua onde sempre esteve, e coincidência ou não ela está aqui da janela do escritório me dando oi, todo dia. 
Continua sendo… diferente!