Sobre a arte de recomeçar

Saber recomeçar é uma das habilidades mais importantes que se pode ter. Mas até que ponto vale a pena voltar a estaca zero. Será que a possibilidade de recomeçar por vezes não nós faz mais preguiçosos em relação a conquistar nossos objetivos. Eu acredito que muitas vezes é muito melhor insistir em terminar o que começamos. Leia esse texto e depois me diga se concorda.

Treino é treino, jogo é jogo

Este é um ditado muito comum que serve para explicar duas situações diferentes em que se faz básicamente a mesma coisa, porém com obejtivos distintos. Tomemos como exemplo uma partida de futebol.

O treino é momento de tirar as dúvidas, arriscar uma jogada que você não domina totalmente, trabalhar aquilo em que você ainda não é bom. Ou seja o treino é o momento em que você pode errar sem maiores problemas. Afinal é só um treino, ainda não é pra valer.

O jogo não é assim “so easy”. É o momento onde todas as atitudes terão consequencias irremediaveis. Se você erra na hora do jogo, não tem como voltar atrás, não há como reparar o que foi feito. O máximo que se pode fazer é correr atrás do prejuízo. O jogo é a hora da verdade.

A grande questão que eu quero levantar aqui é que a maioria das pessoas encara a vida como um eterno treino. Estamos sempre “aprendendo” a viver, a trabalhar, a amar. E quase nunca vivendo, trabalhando ou amando pra valer. Essa ideia de que se as coisas derem errado teremos um abrigo para onde podemos voltar pode parecer reconfortante, mas muitas vezes nos faz sermos relaxados e irresponsáveis com nosso destino, com nossas escolhas e atitudes.

Encarar cada segundo como se fosse o último pode parecer um pouco cliché, mas é a melhor maneira de entender como é viver pra valer. Não apenas “tentar de leve”, mas realmente ir até as últimas consequências para terminar bem aquilo que você começou.

Não me entendam mal, não estou aqui falando contra a possibilidade de recomeçar, de mudar de planos ou algo assim. O que me incomoda é fato de muitas pessoas (eu muitas vezes estou entre estas tais) não ter “fibra” o bastante para escolher um alvo e manter o foco. Não existe nada de errado ou vergonhoso em admitir que não foi capaz. O grande erro está em desistir na primeira, na segunda ou na terceira dificuldade. Quem joga pra valer sabe que a partida só termina nos 45' do segundo tempo. Até o juiz soar o apito, não importa se você já está com a classificação garantida ou perdendo de 7x1, é sua obrigação (isso mesmo você é obrigado) dar tudo de si, fazer o máximo.

Imagine onde você estária hoje, se nunca tivesse desistido sem tentar. Provavelmente seu salário seria maior, sua barriga mais chapada e sua vida bem mais feliz.

Muito pior do que o sentimento de derrota… ter tentado de tudo e ainda sim não conseguir. Muito pior do que isso, é sentir-se frustrado ao perceber que se tivesse lutado um pouco mais provavelmente teria vencido o objetivo.

Não abandone o jogo antes do fim

De tudo que eu escrevi até agora o resumo é:

Não desista antes de dar tudo de si, antes de ter certeza que fez tudo o que deveria ter feito para terminar aquilo que você começou. Se mesmo assim não der certo… tudo bem! Não se pode ganhar todas. Mas tenha certeza de uma coisa: se você não tiver compromisso com aquilo que você quer… nunca vai ganhar nada. Vai estar sempre tentando algo novo, mas nunca conquistará qualquer objetivo.

E posso dizer por experiência própria que sempre recomeçar, mas nunca terminar é uma das coisas mais desgastantes que pode existir.

Então da próxima vez que a barra pesar, da próxima vez que você ficar tentado a dizer: “Tudo bem, eu nem queria tanto assim”.

Respire fundo e continue, simplesmente continue.

Pra não ficar só nas minhas palavras, escute a letra de Humberto Gessinger e vá até o fim.

Peace 4 all :)