Escrevo-te sem saber o porquê

Escrevi “Sinto saudades de você”. Ri de mim mesmo e do meu aparente momento de fraqueza, então apaguei e escrevi apenas “Oi”. Não satisfeito, escrevi “Oi tudo bem?” e um “Seja bem vinda novamente.” e enviei. Enviei e enfiei a cabeça debaixo de um buraco, com vergonha de mim mesmo e do meu desatino — que insana decisão era aquela? Quando ela parecia nem lembrar mais que eu existia. Qual era o motivo? Qual era o intuito daquele ousado contato?

A verdade é que aquele simbólico “Seja bem vinda novamente”, estava carregado de significados. Talvez ela até tenha compreendido, talvez não, mas o fato é que aquela sentença de poucas palavras estava gritando, ecoando dentro de mim. Aquela atitude queria dizer que nos últimos dias uma forte vibração quase telepática vindo dela tinha inundado minha mente. Queria dizer que as últimas noites frias me lembraram, subitamente do nada, as noites quentes debaixo do edredom ao lado dela. Queria dizer que de repente fui acometido de uma saudade absurda do cheiro dela e queria lembra-la ou entender de alguma forma o porquê dessa vibração de sentimentos acontecendo assim sem explicação. Ou será que teria?

Teria sim e vale aqui até mesmo uma confissão, mas pensando bem não seria uma boa ideia inseri-la aqui. Palavras são como ogivas nucleares e podem desencadear forças incontroláveis, é preciso calma e discernimento. Lembro que minha maior segurança quando estávamos juntos era sentir ela repousar a cabeça cansada e cheia de questionamentos no meu peito e ser envolvida pelos meus braços, parecia que ali a gente resolvia todos os nossos problemas. Enfim, nessa distância que hoje separa o “sinto saudades de você” que hesitei em enviar de um possível e talvez provável “eu também” reside o mistério e o curso de um novo destino cheio de vida.

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