Déjà Vu Brasileiro?

Como explicar o fenômeno do populismo no Brasil? Por que nossos partidos são tão ruins? Por que nossa política é marcada pelo fisiologismo, corrupção, incompetência e impunidade?

Essa são algumas das perguntas que permeiam os debates da sociedade brasileira há tempos. Obviamente, este humilde texto não tem pretensão nenhuma de apresentar uma solução, mas sim de enriquecer o debate.

A repercussão que a última eleição presidencial teve na sociedade e a crise política instaurada desde então revelam uma narrativa “curiosamente muito semelhante” à um outro período da história brasileira.

Me refiro aos anos 1951-1954, que correspondem ao período do mandato de Getúlio Vargas (presidente responsável pela criação da Petrobras, BNDE, legislação trabalhista, CSN, entre outros). Desde sua eleição, a UDN, principal partido da oposição à Vargas, nunca aceitou sua derrota:

“A partir do momento da volta de Getúlio ao palácio presidencial, seus oponentes afirmaram que sua eleição fora uma perversão do processo democrático.” (SKIDMORE, 1976, p. 160)

Em 1953 inicia-se a crise política do governo, que começa a ser fortemente pressionado por setores que não aceitavam o modelo de desenvolvimento proposto e a ascensão da classe trabalhadora. Através da junção entre militares, imprensa (O Estado de São Paulo, O Globo e os Diários associados) e o partido UDN levou à isolação de Vargas e seu trágico suicídio.

Essa história não parece muito familiar ao período vivido atualmente? Desde a reeleição de Dilma, notamos uma ofensiva da oposição que procura deslegitimar de qualquer modo o mandato da presidente e mobilizar a opinião pública para o anti-petismo.

A principal questão que surge e é pertinente aos dois períodos é: Como se explica a oposição da burguesia a esses governos, sendo que estes foram os maiores beneficiados pelas políticas adotadas em ambos? Porque as elites se opõem a esses governos, sendo que, afinal de contas, eram elas em conjunto as grandes beneficiadas pelas diretrizes mais amplas dos governos?

Um vídeo interessante e que pode começar a responder essa pergunta está nas ideias apresentadas por Jessé Souza em sua recente obra , “A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite”. Fica aqui uma entrevista que ele deu recentemente para o jornalista Paulo Henrique Amorim em que o atual presidente do IPEA explica melhor sua tese:

Bibliografia:

FONSECA, Pedro Cezar Dutra. Vargas: o capitalismo em construção : 1906–1954. São Paulo: Brasiliense, 1999.

SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castelo. 5. Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terr, 1976.