Das coisas distantes…

…e consequentemente IMPRESCINDÍVEIS

Crédito: Meu ué, ocasionalmente eu manjo dos cliques.

É um título complicado de se usar. Subjetivo e já chega impondo certeza, dizendo a que veio. Firmando o pé e acreditando que é assim e pronto. Enfim, meu tipo de início preferido. É, eu sei, talvez eu seja um desses déspotas da manchete. Ou talvez nem seja e tô aqui fazendo tipinho.

Enfim…

DISTÂNCIA. Quebrei a cabeça para escrever sobre. É assunto sem cabo, não tem por onde pegar direitinho. Labiríntico. Qualquer caminho que tu vá pegar dará de cara com subjetividades. E sabe o que dizem sobre ‘subjetividades’, né? NÃO?! Não sabe?! Eu também não, só quis parecer inteligente e levemente dramático. Mas é fato que nem todo mundo gosta, obviamente, cada um vê de um jeito.

Distância é ruim? É bom? É o que?! Tem tamanho? Distância tem distância?Que régua eu uso para medir isso? Quero ficar longe de quê? Perto da onde ou quem?

É ótimo estar longe de um vulcão em erupção, quando ele explode e taca o terror em volta. E é péssimo estar longe de pandas, por exemplo. Melhor bichinho. Imagina se Panda fosse que nem “Quero-Quero”? No verão em toda esquina teria um panda gritando e fazendo escarcéu. Invadindo parquinho, jogo de futebol na TV. Gritando no meio da madrugada sabe-se lá por quê. Pandas por tudo, anarquizando e comendo bambu.

Se um dia eu me candidatar a qualquer coisa, minha base de campanha é essa, democratização do acesso aos pandas. E luta para sua proliferação e supremacia. Clonam uma ovelha inútil que virou nome de refrigerante baixa renda, e os pandas em extinção lá na China, sem atenção e internet, costurando tênis da Nike e sendo obrigados a montar Iphone e minerar carvão. (vi isso num vídeo verídico de whatsapp)



Tá, foco.

Foquemos pois, nessas tais coisas que estão longe e são imprescindíveis. Tipo uma certa amigona, que resolveu passear em Dublin, conquistar territórios diferentes, comer coxinha na Europa, ser feliz. Nasceu com asas a pessoinha. E que baita pessoa. Se um dia ela por ventura descubrir o tamanho da força que tem, corram. Mesmo. Nada segura. Sorte dela, azar de quem ficar na frente.

Escrevo tudo isso aqui a mando dela inclusive.

Pedi, “ô tu ali que tá longe, que manda em Dublin, agita o coreto, brilha e sacode o coqueiro por onde passa, escolhe o tema do próximo texto?”.
 “Faz sobre distância” disse ela toda querida, ainda acrescentou, “preciso ler sobre”.

Quem sou eu para negar pedidos de gente incrível.


Vou dizer qual é o principal problema da distância. Não só da geográfica, mas no geral. O problema de se estar longe seja lá do que for importante para gente, é aquela porcaria chamada DÚVIDA. Maldita dúvida. Raio da incerteza. Uh, desgraça.

O que te mata e quebra no meio nesse negócio de estar distante, NÃO é saudade — saudades é uma coisa até meio superestimada, um dia escrevo sobre — o que realmente ferra tudo, suga teu sorriso, te deixa na pilha e no ataque de ansiedade, é não saber como é que está lá onde eu não tô agora.

Entendeu? A sementinha maldita da dúvida…aqui tá lindo, mas, como será que tá lá longe, onde eu não posso estar agora? Será que tá melhor que aqui? E se tiver? Estar aqui é ruim? E se eu for pra lá e sentir falta daqui? E se, por ventura, eu desista daqui, volte para lá, e descubra que o legal era nem aqui nem lá?! E se…se…se…se…CHEGA!!! Parou. Distância gera dúvida. E da dúvida nasce o ‘se’. E do SE, floresce a desgraça. Simples.

O ‘se’ é pronome da desgraça, conjunção do desespero…

É o “se” que vai ocasionalmente te corroer e quebrar. Se não fisicamente, emocionalmente. O que para mim é pior. Físico tu conserta. Se acostuma. Trabalha, corta e tira fora. Emocional não. Não tem super-bond em comprimidos. Tem Rivotril em comprimidos, mas sabe o que dizem sobre comprimidos assim, né? É como pegar um elevador que te leva só até metade de um prédio de 270 andares. Vai até ali, o resto é contigo. Dá teu jeito.

Se tu fizer uma listinha, pasme, teremos mais coisas imprescindíveis longe do que perto. Nem faz essa lista. Sério! Dá deprê.

Quer um exemplo? Em 2013 descobriram um sistema de seis planetas, três deles possivelmente habitáveis, a 22 anos-luz da Terra — que em quilômetros é igual a LONGE VEZES DOIS INFINITOS E MEIO dividido por não importa— embora somente dois deles estejam 100% confirmados de que tem atmosfera, e que talvez podem ser habitados, é um lugar onde a gente pode ir tentar morar daqui uns bilhões de anos quando o nosso Sol desligar e ficarmos sem planeta e possibilidade de bronzeado em Tramandaí no verão.

Tudo nesse assunto envolve distância, é um problema de assunto vital, para daqui bilhões de anos, cuja solução também pode estar mais distante ainda. Tanto em tempo como em quilometragem. E ao pé da letra pouco importa. Né!!! A pilha de boletos aqui crescendo e vou me preocupar com o sol explodindo? Mas e se…

NÃO!!!!
Nada de ‘se’.

Condicionamento mental. Sejamos francos. Daqui a pouco distância e lonjura são nem boas ou ruins. São só dois substantivos femininos. E nada mais. NADA!

=)

(PS: A Adriane não atualiza muito o pessoal sobre o que anda fazendo em Dublin, então, na minha imaginação ela tá lá virando uma druída e lutando contra alienígenas que querem destruir nosso sol mais cedo)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.