Janela da Sala…


As vezes me deito no sofá da sala e olho para o céu, através da Janela...
A transparência do vidro é tão discreta que nem mesmo as esquadrias são capazes de dividir as nuvens... 
Parecem intactas, como uma tela.
Este quadro, as vezes em branco, parece esperar que eu coloque as tintas da minha memória, instigando a minha imaginação...
Nessas horas o mundo embaraçado se organiza e o quebra-cabeças mais uma vez aguarda por uns minutos de atenção. 
Os fones de ouvido geralmente estão à postos, como pincéis ávidos pela condução de uma Alma que se libertará...
A cada movimento, um sentimento emerge em tonalidades específicas, ainda que o céu sequer mude de cor; a cada pensamento, o passado se torna presente e as barreiras do tempo já não compreendem mais o futuro como um ambiente intocável.
Nesta valsa impecável, percorro o palco da vida, conduzido pela Dama da Noite em sua fase lunar...
Com Ela, ainda que me depare com os tropeços da estrada, me aproximo de mim, que preciso encontrar...
Neste momento, não é necessário fechar os olhos para estar onde gostaria de estar, nem esperar por quem poderia chegar...
Pois antes que soe a última nota da canção, a obra estará devidamente assinada. Ainda sem firmeza, mas, por certo, registrada.

“Igor Dantas”…