Nostalgia

Sou um velho sofrido,

Vim de tantos caminhos percorridos,

De encontros distorcidos,

Caminhando contra ao vento,

Trazendo alguns lamentos,

A tristeza e a esperança,

A saudade de uma velha criança,

Que hoje já não corre, sorri e tampouco dança.

Escondido e esquecido numa alma ferida,

Cansado de andar pelos espinhos da vida,

Com meus pés cansados, cheio de calos,

Enchendo o pulmão com o que me resta de ar,

As lágrimas caem sem parar;

Para esse homem velho ninguém mais olha,

Eles me recebem, me alimentam,

Mas se derrubo o prato me põem para fora.

Me maltratam, me subestimam e se esquecem,

Que o corpo não se revigora,

Que os corpos ainda jovens, a cada dia envelhecem

Que teus amigos de hoje, amanhã te esquecem,

E que a criança que se exalta, amanhã se cala,

Se esconde, se comprime,

E toda juventude se resume,

Em uma criança que brincou de pique-esconde e não voltou,

Aquele que foi filho, hoje é avô,

E a criança que se foi, jamais voltou;

E de um berço que existiu,

Hoje se substituiu,

Como a troca da noite para o dia,

Do jeito que eu não queria

O silêncio eterno, todavia

Chegou e chegará

Para todo aquele que viveu e ainda viverá

Sem cessar ou distinguir,

O pobre, o rico,

O branco, o negro, ou o pardo,

O empresário, o coletor ou o faxineiro,

Todos empregarão o coveiro,

E tu será apenas um cordeiro, aflito em meio ao desconhecido,

Clamando misericórdia sem ter esquecido,

O que fez e o que deixou de fazer,

E entenderá que desmerecer,

É a atitude mais drástica e entristecida,

Que pela lei da vida e aos olhos do Pai,

Eu, você, ele,

Somos todos iguais.

R.R
Like what you read? Give Roh Rodrigues a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.