A morte de Deus:

Cantava-se a sinfonia anacrônica da morte de um ser que já não existe. Afirma o sábio: a verdade é o espírito do tempo. A verdade é um lapso de sapiência que perfaz a consciência coletiva e torna a multidão sapiente por poucos minutos. Haveria quem pudesse me salvar do torpor de saber que dança loucamente minha alma pelas veredas de uma vida que poderia ser sentido? Sinto-me preso a realidade, sou mesmo uma pessoa avessa aos fatos e não me conformo com nada. Tenho passado pelo esforço de ser, não ser, voltar a ser de novo, e preciso entender que neste jogo jamais chegarei à lugar nenhum. Sou uma fagulha que foi jogada aos percalços de uma existência vã. Haveria sentido numa existência? Sou demasiado fraco para poder buscá-lo. Agora, neste sofrimento de uma vida que não pode ser nada além da matéria, eu me esforço para encontrar uma forma de restituir o poder divino. Sou um devaneio de sonhos ensandecidos, nunca poderei fazer sentido. Eu tenho de ter menos medo de mim, tenho de ser forte e abrir as janelas da existência…..