Castelos na areia:
Sempre fui um ser de autoafirmações. De conjecturas e elucubrações. Sonho que posso desenhar o mundo com a ponta dos pés. Uma larga pintura desenhada a mão nas profundezas de um castelo. Claro, que logo cairão, como tudo que for desenhado na areia. Eu bem que gostaria que fosse de outra forma. Até tento. Mas não, tem que ser assim mesmo. Certa vez, eu me lembro de ter estado em uma praia. Era um lugar lindo, com suas manchas exuberantes. O mar desenhava uma linda cortina que se encontrava com a imensidão do céu. Eu observava aquilo tudo com admiração. Sentado, em meio as pessoas que aproveitavam o feriado naquela tarde que se findava. Eu podia ver o sol, no fundo, tingindo de vermelho a cena que se iniciava. O fim de tarde estava lindo, e eu só ali a pensar.
Quando, por uma súbita dissociação do real, eu comecei a conversar com a areia:
– Quem é você? — — Disse àquele lugar solitário.
— — Eu sou seus sonhos! — — Respondeu a areia, prontamente.
Eu estava me sentindo alucinada. Certamente bebera mais do que podia. Agora estava vendo coisas naquele lugar.
— — Perceba, como sua mente, tudo que se faz de mim é efêmero! Sempre muda, eu não tenho lugar! — Eu estava mesmo louca.
— — Pois me diga, como acabar com isso?
— — Apenas construindo seus sonhos na eternidade, respondeu a areia.
E eu gostei daquela ideia, hoje procuro ter castelos de rochas.
Fim.