Civilizações em guerra: O honorável chamado
Capítulo 1
Robert derrubou seu telefone atordoado. A ligação que acabara de receber o havia deixado perplexo, principalmente quando vira uma grande explosão surgir na tela de sua televisão, que acabara de de anunciar o primeiro ataque a atingir Londres. Não conseguia encontrar nenhuma ligação com outros fatos que ocorreram durante seu dia, nem conseguia imaginar qual a ligação disso com sua vida, pois o homem que acabara de ligar para seu celular anunciara com antecedência, como se houvesse uma ligação entre ele e os acontecimentos da noite. Porém,preferiu esperar até o outro dia para que com mais calma pudesse raciocinar a respeito do ocorrido. Dessa forma ele evitaria teorias conspiracionistas que segundo ele eram a moda mais infame de sua época.
A noite estava com uma calmaria serena, que permitia a Robert pensar com uma certa atenção a respeito do ocorrido, o vento soprava vindo do bosque para dentro do apartamento, mas mesmo essa calma campestre parecia ser desconfortável no momento. Ele pensava nos detalhes com um detalhismo típico de seu raciocínio, mas mesmo assim nada vinha em sua resposta. Teve então um súbito feedback que o fez perceber a verdade. Lembrou que naquela noite Ellakayim o trouxera a notícia que havia encontrado um documento, que parecia trazer revelações revolucionárias sobre a guerra, mas para Robert aquilo parecia simplesmente um absurdo, mesmo que ele fosse um intelectual muito difícil de ser enganado, essa ideia de revelações vindas de um texto desconhecido e de mudar o destino de todo o universo através disso, era simplesmente absurda, para Robert a guerra era um fato, então temos que apreender a conviver com ele até que acabasse.
Então o telefone de Robert toca mais uma vez, ao perceber que tratava-se de uma ligação de Ellakayim ele atende sem medo:
-Olá ‘Kayim! Boa noite.
-Boa noite Cara! Estou com sérios problemas agora.- Falou Ellakayim com um tom que parecia uma mistura de ansiedade com medo.
- Tu pareces muito apreensivo!- Falou Robert em Pleiadiano formal, era costume entre ele e Ellakayim quando precisavam de privacidade. — O que aconteceu? Se for a respeito do tal documento por favor tente analisar os fatos com metodificação.
- Eu estou tentando fazer com que tudo caiba na minha mente, mas por enquanto tenho de me preocupar com meu irmão Sertami, ele acabou de ter um ataque hoje logo após minha chegada depois de perceber que nossa casa havia sido arrombada. — A Voz de Ellakayim ficava cada vez mais tensa e monótona, ele parecia mesmo estar profundamente preocupado.
-Tenho também de lhe contar uma coisa! Mas prefiro que nos comunicamos pessoalmente. Podemos nos encontrar em algum lugar?
-Sim! Se puder venha ao hospital universitário agora, por favor.
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Capítulo 2
O hospital universitário estava agitado naquela noite, parecia que uma quantidade imensa de áliens haviam ficado doentes de uma hora pra outra, provavelmente uma nova ejeção de massa coronal havia ocorrido, “ eles são bastantes sensíveis à situações anômalas no campo magnético de qualquer coisa” pensava Robert. Estes tipo de acontecimentos eram bastantes comuns desde que pisaram na Terra pela primeira vez, qualquer alteração grande o bastante no campo magnético era o suficiente para lotar os hospitais.
Robert procurava Ellakayim em meio a recepção lotada do hospital universitário da universidade de Nova York, naquele dia a sala que normalmente parecia grande estava ficando apertada demais para caminhar, e por todo lado se ouvia pleiadianos emaranhados em meio a fila para atendimento. Até que finalmente ele ver ’kayim ao lado de seu irmão que parecia muito agitado para ser o motivo de tamanha preocupação. ‘ Ele parecia tentar convencê-lo o sobre a importância de ir ao médico, mesmo assim, não estava dando a mínima, apenas insistia que estava bem. Robert se aproximou e logo que chegou próximo o bastante para ser visto, os dois pareceriam que estavam tentando esconder a discussão.
-Robert, preciso mesmo falar com você! Já estava preocupado com sua demora!- Disse Ellakayim assim que Robert chegou próximo ao banco em que estava sentado.
-’Kayim, pra que tamanha preocupação
não vedes que já estou aqui. — tornou Robert a falar em Pleiadiano formal.
-Você entenderá quando te explicar tudo o que li, se realmente estiveres interessado espere um pouco, haveremos de falar a sós.
-Que seja, mas ainda não vejo motivo para tamanha cerimônia de vossa senhoria.- Robert já parecia cheio de tanto suspense.
Finalmente chegou a hora da consulta de Sertami, e Ellakayim levou Robert para fora em um lugar um pouco isolado no jardim do hospital. Contou então metodicamente tudo que havia descoberto sobre o documento. Ele começou explicando que as circunstâncias em que ele o havia encontrado eram de certa forma suspeitas. Depois explicou que o arquivo era de duas partes, cada uma de 15 capítulos, e que mostravam de forma detalhada toda a motivação da agenda Saryit e como ela seria executada. Na primeira parte eram explicados o motivo da guerra, e como ela havia sido planejada por uma organização corrupta dentro do governo, como a falsa ideia de superioridade da nação Vegana iria ser transmitida para todas as zonas do país, e em seguida explicava em detalhes cada uma de suas técnicas de manipulação mental,Tecnicas essas que foram claramente usadas durante a fase de pré-guerra. Na segunda etapa eram explicadas cada etapa da estratégia para o domínio do espaço, que seria feita através da luta, e da morte de todo aquele que ousar interferir no seu poder sobre o universo.
Em seguida ‘ kayim explicou como previsões que estavam escritas no documento haviam se realizado durante a semana que ele ficou em sua posse, desde a invasão das estações humanas em Centauro até o ataque ao Protetorado da Terra que havia ocorrido hoje. Robert imediatamente o contou da ligação e os dois ficaram então ali, tentando juntar peças.
-Minha intuição avisa que devemos guardar segredo a respeito deste documento até sabermos suas fontes reais. — Disse Robert depois de uns dois minutos pensando.
Capítulo 3
No outro lado do sistema solar, alguém comemorava a bem sucedida execução de mais uma fase de seu plano, até ali a coisa iria bem. Ele acreditava que enfim conseguira impor medo suficiente em quem havia encontrado o arquivo e provavelmente ele não incomodaria muito a execução do plano. O conde tinha um talento excepcional para usar estratégias inimigas a seu favor, como ele dizia: “Se seu inimigo quiser o atingir com um laser, use um espelho”. Agora bastava uma questão de dias para que enfim a guerra pudesse ser ganhada, e com uma vitória digna de um novo império. Vanervásia agora teria que passar pelo rígido sistema de imigração terrestre e voltar para para a Vega sem ser percebido, isso era extremamente complicado, ele sabia que ir para O Protetorado da Terra, era simples bastava-se o status de refugiado, porém sair seria complicadíssimo, ele teria que arrumar uma desculpa para sair, e teria que ser uma desculpa convincente. O sistema de imigração da terra era bem complicado, e isso evitara por anos ataques terroristas planejados por nações inimigas, o que poderia trazer consequências desastrosas, desde ataques nucleares até o uso de armas biológicas avançadíssimas que poderiam contaminar a terra com vírus mortais em questões de segundos.
Finalmente chegara a vez do conde de ser atendido, e então ele proferiu seu motivo muito bem bolado para sair do sistema Solar. Ele inventou que haveria de fazer doutorado em Serbia Arcturos, e que necessitaria do visto de estudante por um tempo de mais ou menos quatro anos. E foi uma questão de minutos e seu visto foi liberado, agora era questão de planejar a viagem. Planejara viajar em poucos dias, precisava chegar em questões de semanas, para que pudesse ver o melhor de tudo que aconteceria de camarote.
Quando ele voltou para o hotel no qual ele estava hospedado em Paris, viu que havia perdido um embrulho muito importante e que se caísse em mãos erradas poderia causar um estrago significativo, ele pôs-se então a desesperar-se, precisava encontrar o embrulho até o dia que o seu visto expirasse pois se perdesse-o colocaria de água a baixo os próximos acontecimentos. Com a esperança de encontrá-lo em alguma seção de achados e perdidos, voltou ao ministério da imigração na fronteia do sistema solar e o procurou, mas nada ele havia achado.
Capítulo 4:
Ellakayim acordou cedo no dia seguinte. A noite agitada o fizera dormir cedo, apesar que ele dormia tranquilamente, pois o que ocorrera com seu irmão, não era nada além de efeitos normais, a tempestade magnética havia agitado os seus detectores mas não causara nenhum efeito adverso. ‘Kayim percebeu que sua caixa de correio estava com uma carta, mas não uma carta qualquer, nesta estava bastante destacado o selo imperial , o que o fizera ficar um pouco nervoso. “ Será que o nosso honroso imperador, está interessado em meus últimos trabalhos? Não! Definitivamente não, não acredito que adaptação a gravidade de plutão interesse a nossa majestade”, pensava ‘ Kayim animado. Por fim ele conseguiu controlar a ansiedade e abrir a carta, porém o que achara não era nada motivador, e nem por isso menos assustador.
Na carta estava escrito:
Caríssimo Ellakayim Lemuria ;
Sabemos que te encontras com um documento que interessa-nos
favor procurar a Suprema Representação da corte imperial no protetorado da Terra
que localiza-se na cidade de Pleyarlópolis-Brasil, por gentileza
portando os documentos, e levando seu fiel confidente.
De seu servo
O imperador Sauron.
Ellakayim ficou apreensivo com o que acabara de ler. Parecia que todos os seus esforços para manter escondido o que achara, estavam sendo inúteis, por mais que só contasse a pessoas de extrema confiança, parecia que todo o universo estava sabendo que ele estava com aqueles documentos em mãos. Então correu para casa de Robert o mais rápido que podia, pois pensava que provavelmente alguém poderia estar o escutando pelo telefone, e agora estava disposto a ter o máximo possível de cuidados para que ninguém mais descobrisse o que portava. Correu em meio as apertadas ruas do bairro em que morava, tentando ao mesmo tempo parecer discreto, evitando que alguém conhecido o visse, de toda forma precisava chegar o mais rápido que pudesse a casa de Robert. Naquele dia a cidade parecia mais agitada de que nunca, pessoas passavam para todos os lados e não pareciam prestar a mínima atenção em ‘ Kayim passando entre eles. As pequenas passagens entre as ruas, porém, não estavam nem um pouco cheias, parecia que todos resolveram fugir dos esconderijos da cidade.
Finalmente ‘ Kayim chegou na casa de Robert onde ele entrou quase que correndo, Robert arregalou os olhos ao ver que seu amigo estava tendo um de seus dias “ paranoicos” em que nada o deteria até que conseguisse o que precisava.
-’Kayim porque você veio tão cedo aqui?- perguntou Robert quase que tendo um susto.
- Tu precisas ver isso!- falou ‘ Kayim em Pleiadiano formal da melhor maneira que pode.
Ele mostrou a carta a Robert e quase que enlouqueceu. Em situações normais ele provavelmente mandaria Ellakayim procurar um psiquiatra mas dessa vez ele se tocou da seriedade da confusão que ‘ kayim havia se metido, mas preferiu não comentar sobre isso, simplesmente sugeriu que fossem a Pleiyarlópolis o mais depressa possível, e fizessem tudo que o imperador mandasse. Porém ‘ Kayim respondeu:
-Mas se esta carta for uma cilada! Mantenha-se atento a tudo que anda acontecendo desde que recebemos essa Droga de carta.- O falar de Ellakayim parecia uma mistura de dialeto formal com seu dialeto local, porém Robert compreendia o suficiente para entender a mensagem.
-Cara precisamos ir, pode ser uma cilada, ou uma verdadeira convocação imperial, e se for uma convocação imperial, deve ser respondida o mais depressa possível como manda a lei. De todo modo temos que ir, a Pleiaylópolis logo.
‘ Kayim percebeu a seriedade na fala de Robert que parecia agora acreditar um pouco mais na importância dos documentos que ‘ Kayim portava.
Capítulo 5
O caminho para Pleyarlópolis parecia longo demais para a ansiedade deles, mesmo que pudessem chegar lá rapidamente através dos modernos aviões da época a velocidade não parecia o suficiente para apaziguar o tédio de suas mentes. Então eles conversavam sobre assuntos banais, enquanto um outro passageiro os observava de longe tentando evitar que percebessem. Leviart estava no lado deles, mas seria vantajoso não assustá-los no momento, de forma a evitar um incidente no avião, isso evitaria que mais alguém os percebesse. De toda forma, eles pareciam não ter a mínima experiência para lidar com informações confidencias, pois um indivíduo potencialmente perigoso já havia descoberto quem portava o arquivo, e podia ser em questão de dias que ele tentasse matá-los.
‘ Kayim percebeu que eles estavam chegando no aeroporto de Pleyarlópólis, e que finalmente poderiam esclarecer questões que surgiam feito brincadeira em suas mentes, se apressaram e saíram do aeroporto o mais rápido que puderam, e apreciando as charmosas ruas de arquitetura Pleiadiana chegaram o mais depressa possível a Suprema Representação. Quando lá entraram , Robert ficou impressionado com a beleza de suas belas salas e corredores, que eram decorados com representações das estrelas das Plêiades, e do fundo da sala saía uma luz leve e singela que acalmava até o mais bravo ser. Mas eles não permaneceram na sala por muito tempo, procuraram logo alguém que pudesse os indicar o lugar certo a ir. Pararam e perguntaram a um guia que estava parado no meio da sala:
-Senhor, recebemos uma convocação imperial, e queremos saber para onde devemos nos encaminhar, poderia nos ajudar? — Robert perguntou da maneira mais formal que podia fazer.
-Pois não senhores, Vossa majestade vos espera, se não for incômodo, favor sigam-me. — Respondeu o guia num Pleiadiano quase que perfeito.
Eles seguiram por um longo corredor onde os ladrilhos brilhavam como se houvessem sido polidos por anjos, com gravuras singulares estes eram considerados as melhores amostras da arte moderna das plêiades, e suas gravuras retratavam com singularidade a dor que o povo Pleiadiano sentia ao deparar-se com os horrores da guerra, eram gravuras que tinham o poder de surpreender a qualquer um, do mais sensível ao mais durão desse universo.
Enfim eles chegaram em uma sala redonda, onde parecia ter sido arrumada uma sala de conferência, e que numa grande cadeira estava sentado o imperador, que delicadamente os convidou para que sentassem.
-Tendes ideia de porque eu vos trouxe aqui? — Perguntou o imperador com um tom sereno.
-Cremos que sim senhor!- Respondeu Ellakayim
-Bem, eu vos trouxe aqui para que tenhais instruções sobre o que deveis fazer com o documento que portam, e alertar-vos, que deveis manter total segredo sobre o que leram, para vossa segurança e a segurança de todos os povos. Não sabemos de onde esse arquivo saiu mas seu conteúdo nos mostrou utilidade, esse arquivo pode ser usado como arma para acabarmos de vez com essa guerra que só traz-nos mais desespero e ódio. Portanto vós devais entender que é de suma importância que isso seja mantido entre os poucos que conhecem seu conteúdo.
Sim, entendemos perfeitamente senhor.
Agora que perceberam a grande confusão que haviam se metido, ‘ Kayim e Robert, escutavam com atenção todas as instruções do imperador. Quando de repente Leviart invade a sala e fala:
-Parece que algo hediondo acaba de ocorrer senhores!
( texto de 2013)