Civilizações em guerra: Para Neo Atlântida
Prólogo:
O pequeno Robert estava em meio ao frio na proximidade dos radiotelescópios do projeto SETI, era seu costume permanecer ali quando algo lhe irritava, pois a planície larga e a paisagem peculiar fornecida pela sincronia dos radiotelescópios o deixava completamente fascinado. O ambiente tinha um ar de tranquilidade, as semiesferas e seus movimentos hipnotizavam Robert, faziam ele se imaginar trabalhando um dia naquele lugar e quem sabe até mesmo descobrindo os companheiros distantes da humanidade que habitavam longe na imensidão do espaço. Porém aquele horário era tarde demais para um menino de cinco anos estar passeando e isso deixou toda a equipe do SETI preocupada com sua saída. Antes, ele havia sido acusado injustamente de ter estragado fitas eletromagnéticas que guardavam dados importantes para uma pesquisa, Robert tinha o costume de fazer algumas traquinagens, mas naquela noite ele não havia feito nada. A acusação injusta o deixou profundamente magoado e ele saiu de mansinho procurando um lugar para chorar, indo então para seu lugar favorito e estava disposto a ficar lá a noite inteira. De repente Robert escuta uma voz por detrás dele que o assustou dizendo:
-Você sabia que estas anteninhas aí podem captar formas de luz que nosso olho não pode ver?- Disse Nola Silbert cientista australiana que lembrara que Robert costumava ficar nesse lugar.
-Legal! Eu não sabia não!- Disse Robert com um ar fascinado, Nola acertara em cheio em uma forma de chamar atenção do pequeno pimentinha.
-Eu posso explicar como tudo isso funciona desde que você me ouvisse por alguns minutinhos.
-Eu escuto!- Disse Robert
Nola o chamou para sentar em um banquinho que se localizava próximo da onde eles estavam, e lá falou:
-Sabe Robert, quando tinha sua idade eu também fui assim rebelde, agitada, mas depois eu fui descobrindo outras formas de preencher meu tempo e gastar minhas energias. Lembro que também cheguei a ter problemas com comportamento, e as pessoas me chamavam dessas palavras que tu costumas ouvir, mas cara você precisa descobrir que há uma outra forma de diversão muito mais saborosa, e que pode inclusive te ajudar no futuro. Você já ouviu falar do conhecimento?- Nola tinha um tom de atenção, e de certa forma Robert se interessara pela conversa.
-Já!
-Pois bem Robert, eu te darei de presente um portal, mas só se você prometer o ler!- Nola retirou da bolsa um exemplar de “Isaac Newton e sua maçã” e o colocou nas pernas de Robert.
-Isso é um portal!?- Reagira o menino admirado
-Sim ele te leva a uma parte de todo o conhecimento de todo o mundo, mas se você quiser mais terás de procurar outro livro.
E desde aquele dia Nola e Robert se tornaram companheiros inseparáveis.
Capítulo 1
Maryit chegara finalmente ao último lugar que esperara estar desde que fora presa, ela estava perante o imperador que a recebera com um cerimonialismo cortês típico de nobres, ficara confusa pois o mínimo que se podia acontecer com uma pessoa que havia sido aprendida com um embrulho radioativo era que fosse mandada para uma prisão e ali ficaria até o julgamento. Porém agora ela estava em um dos mais belos edifícios da terra, em meio a uma sala semicircular e iluminada por lâmpadas vindas de Vayla que irradiavam sua luz eletro fotossintetizante para todas as partes do recinto, se admirara com a disposição dos espelhos que dava a impressão de que a sala parecia não ter fim, e para aumentar a estranheza da situação o imperador estava bem a sua frente a perguntá-la:
-Pois bem, apenas gostaria que contaste-nos como encontraste o embrulho, garanto que não a faremos nenhum mal pois sabemos de tua inocência.
-Majestade, eu o encontrei em um banco de espera nas fronteiras, realmente não sei de onde eles são.- respondeu ela calmamente.
-Isso é suficiente, quero que saibas que te designo uma missão.
-O que seja eu estarei a disposição de fazer majestade.- Maryit se propôs a fazer tudo que desejassem, ela temia o pior.
-Eis aqui um pequeno documento, desejo que leia-o com atenção, pois dependem dele o futuro de todo o universo, e caso isso caia em mãos erradas consequências seríssimas haverão. Caríssima Maryit, espero que entendas que não desejo mal à nenhuma raça e na atual situação que estamos deverão ser tomadas decisões drásticas e que realmente espero que tenhas sucesso na missão que te dou, pois o universo disso depende.
-Há algo mais majestade?- Maryit ficava cada vez mais confusa com o que ouvia mas que entrara naquela sala ela tentara escutar com atenção tudo que a ela diziam, tentando juntar peças e compreender quais seriam as reais implicações daquilo que vinha em sua mente.
-Sim, desejo que fiques um tempo a mais em meu Pleiarlópolis pois desejo que acompanhe alguns amigos para resolverdes uns problemas em Europa.
-Faço o que quiseres majestade.
Maryit temia o pior, no fundo ela acreditava que havia entrado em uma cilada, que agora estava em um beco sem saída, não sabia como fugir então obedecia tudo que a ela diziam.
Capítulo 2
Ellakayim estava em seus aposentos novos, onde ele sentia uma paz profunda. O lugar para ele parecia de uma perfeição inimaginável, pois sua arquitetura o fazia imaginar que havia retornado às grandes cidades no centro de Alcione, onde crescera. Os azulejos reluzentes e a luz eletro fotossintetizante, a cama com apoio de material quase perfeitamente transparente davam a ideia de um transporte rápido, como se num piscar de olhos ele houvesse se transportado para seu antigo lar, de onde ela jamais queria ter saído. Ele lembrava-se também de todas as boas lembranças que ele tinha da terra, seus novos amigos, e sua vida tranquila vida nova, ela havia se tornado para ele um novo lar, um lugar que provavelmente jamais sairia de sua mente.
Quando parecia que o lugar havia deixado ‘Kayim envolto em pensamentos bons Robert entra repentinamente em seus aposentos e o retira de seu momento contemplativo.
-O que há de ruim, Robert?
-’ Kayim, acho que sinceramente estamos entrando em uma cilada nas mãos de seu honorável imperador. Mas antes que tenha um ataque sobre mim em nome de seu patriotismo de Pleiadiano, por favor me escute.
-Sim, fale…- Disse Ellakayim com um ar de desconfiança, para ele parecia que seu amigo havia bebido.
-Hoje, o imperador entrou no palácio acompanhado de um Arcturiana, de um lugar bastante longínquo, levou-a a sala de interrogatório. Eles conversavam sobre um embrulho. Cara, parece que coisas misteriosas como arquivos e embrulhos estão surgindo por toda e…
-Ah, você está tendo outro ataque de paranoia, favor durma um pouco.
Surge, então,na porta, sem aquelas eloquentes anúncios formais, e na companhia de Maryit, o imperador Sauron que de modo bastante humilde os anuncia:
-Tenho uma missão para vocês três, como sabeis há suspeitas de um provável ataque em Europa, e desejo que vais para lá, onde deveis analisar com bastante cuidado o comportamento da cidade, lá vós irais resolver o enigma que está em mãos de vossa gentil amiga Maryit Levam, Peço que abrais este envelope que está nas mãos dela depois que retire-me
-Do que trata-se tal enigma?- Todos estavam curiosos, mas não era de se esperar que Robert desse a primeira palavra, pois quando uma questão entrava em sua cabeça, ele não descansava até revolvê-la.
-Vedes com os olhos de Alcaya e saberás a resposta.- Respondeu o imperador usando um provérbio Pleiadiano antigo que queria dizer que a questão era complicada de um ponto de vista, mas poderia ser bastante simples de outro, bastando-se procurar o ponto de vista correto que deveria estar dentro de si mesmo.
-Bem, agora deveis ir.
Capítulo 3
Todos que estavam naquele quarto ficaram pasmados, jamais viram fatos tão estranhos, como seria possível que um governante tão sério em suas decisões os houvesse colocado em tamanha confusão. Maryit e ‘ Kayim porém estavam bastante felizes, eles acabaram de perceber que se conheciam já a bastante tempo, isto é, desde que ela começara seus estudos de Criptolinguística em Alcione, à uns cinco anos atrás, ele também estava inciando seus estudos sobre processos ecopoiéticos. Porém, eles preferiram manter-se calados e refletirem sobre o que poderia estar no envelope que Maryit portava.
Resolveram eles então abrir o bendito envelope, que parecia estranho em essência. E se surpreenderam.
( escrito em 2013)