O exílio

À minha querida e amada irmã, Sakryaty Lammadiani;

A vida após o grande banimento não me parece muito difícil, e antes que mande-me uma carta com uma multidão de perguntas, sim eu estou bem, e muito bem! A vida em um planeta novo muitas vezes parece difícil, vivo em uma cultura nova, completamente diferente de tudo aquilo que pode-se imaginar como forma de pensamento, onde vivo tudo tem um certo ar de interessante, tudo é agitado, as pessoas são acolhedoras, eu estou gostando de estar aqui. Eu estou num protetorado das plêiades, um sistema pequeno que está em fase de colonização, os objetivos das plêiades aqui, ao contrário do que anda-se falando por aí, está anos luz distante de estabelecer uma nova província para o império, não pelo contrário, deseja-se devolver esse lugar aos humanos assim que essa maldita guerra acabar. Minha querida, eu gostaria muito que estivesse aqui, e vos digo que saia assim que puder desse lugar, pois eles te perseguirão, sim, Marktan e sua ditadura assassina te perseguirá, digo-te pelo teu bem, venha pra o Protetorado da Terra o quanto antes.

Eu agora acredito que devo te esclarecer a respeito dos fatos que ocorreram antes do meu banimento, pois muitas coisas eu suponho que ainda perduram a perturbar sua mente, não creio que tudo que está aqui de surpreenderá, mas peço que leias com atenção o que está aqui, e por favor tenhas cuidado com esta carta. A princípio começarei contando a respeito das minhas desavenças com o “ Grande chefe dos malditos”( Leviart constantemente faz referências a Marktan com essas palavras) ou o Grande e honorável general Marktan se preferir, bem, até aquele dia nos dávamos muito bem, apesar de minhas rixas com a ditadura que estava sendo implantada, eu estava a me deleitar com sua amizade, amizade esta que tinha um certo ar estratégico. Eu vi em sua proximidade uma forma de conseguir me proteger, só não sabia por quanto tempo. Obviamente você lembra que nosso pai, Zacrytyit estava a ter reações impulsivas desde que a grande ditadura foi implantada, claro que ao ver os milhões de “impuros” sendo mortos por um cara “ sem noção” ( Trata-se de um uso repentino do Vegano informal), ele entrou em um choque.

Não sabia eu por pura ingenuidade, que o pai estava a se meter em atividades clandestinas, ao que sei agora, ele estava a utilizar protocolos de informação com o exterior proibidos, como a IDA ( Interspacial Documents Aggregation), como uma forma de conseguir informações a respeito do que ocorria lá fora, logo ele se meteu com sociedades de resistência, e estava a ajudar pessoas a conseguirem documentos falsos, para que pudessem fugir para lugares como este em que estou agora, ele não chegou a me contar sobre isso, mas hoje descobri através de amigos. Minha irmã, por isso peço que fujas o mais rápido possível daí, invente um motivo, mas por favor simplesmente fuja.

Pois bem, papai não sabia que um de seus melhores amigos não passava de um traidor, bem ele estava a espioná-lo desde que ele o conheceu. Sakryaty, você irá se casar com esse homem e isso me preocupa muito, eu te amo, e não podia deixar de alertar-te, esse é mais um motivo para que fujas. Você está para se casar com o maldito responsável pelo envenenamento hediondo de nossos pais! Isso agora pode parecer desesperador para você, mas imploro-te que contenha-se a respeito disso, simplesmente arrume uma briga para se separar e fujir.

Esse homem, ele denunciou nossos pais com a mesma força que fala palavras de amor em teus ouvidos, esse homem esteve vestido em roupas de festa na noite da execução de nossos pais, você agora deve estar a entender todos aqueles meus ataques de ciumes. Por ódio a ele eu fiz o que fiz ,eu executei “ Por amor a paz e sabedoria” na noite da Lerkya com as vozes do grande coro nacional, sim eu emocionei uma plateia inteira com a força do meu ódio.

Espero que esta carta chegue até você, com todo amor:

Leviart Lammadiani

Que a sabedoria te proteja!

Obs.:A carta chegou por meios clandestinos a Sacryaty, na noite de 27 de fevereiro de 1901, aniversario da morte dos pais de Leviart. Após a carta Sacryaty fugiu para a terra, seu noivo morreu de desgosto e remorso.