Tecnologia da informação, experiencia do usuário e uma retrospectiva de um ano perdido

Estou me habituando a retomar a minha escrita a cada início de ano e concomitantemente às viagens de família. A cabeça se refresca e sobra mais tempo para refletir sobre alguns temas que são importantes, mas deixam de ser tocados no dia-a-dia do trabalho.

Recentemente estive em Orlando na Flórida (Os mais críticos me julgariam pela rotina de compras e parques temáticos de uma viajem como essa. Os fans dessas modalidades, me invejariam). Eu, que não sou amante de compras, aproveitei para me divertir nos parques que claramente demonstram o esforço e planejamento do sonho americano. Durante esses dias, notei algumas particularidades desse sonho, principalmente visitando o Walt Disney World. Uma dos pilares sólidas da economia americana, construída após a segunda guerra é o setor de telecomunicação. A AT&T, que já foi uma empresa que manteve o monopólio da industria de telecomunicação do mundo, desde a patente do telefone, pelo seu difusor Alexander Graham Bell é americana. Sendo assim, tudo o que conhecemos hoje de tecnologias da informação no século XXI, ou foram inventadas no Bell Labs (divisão de pesquisa da AT&T durante grande parte da história da empresa) ou teve alguma influencia dessa empresa ao longo da história. Bom e o que tem haver, Walt Disney World com AT&T? Vamos começar contando a história de um dos parques do Walt Disney World Resort, o Epcot Center:

O nome do parque é uma sigla para Experimental Prototype Community (ou City) of Tomorrow. E consistia de um sonho de Walt Disney de construir uma cidade do futuro, com um conceito próprio de urbanização e estilo de vida do futuro. Haveriam áreas residenciais e comerciais que atenderiam a demanda da comunidade criada com o propósito de inovação e tecnologia. Walt Disney não conseguiu financiar o seu sonho e por isso, decidiu construir o primeiro parque do complexo da Florida: o Magic Kingdom. Walt Disney morreu antes mesmo da sua inauguração, mas a sua ideia de complexo imobiliário, com parques, hotéis e áreas residenciais e comerciais se concretizou ao longo dos anos e hoje é um complexo de aproximadamente 11.000 hectares.

A AT&T teve uma participação importante no EPCOT Center, ao patrocinar a sua atração principal, o Spaceship Earth. Uma esfera geodésica que marca a paisagem do parque e em seu interior, possui uma atração que leva o espectador à uma história da civilização. Toda a tecnologia de telecomunicação entre o “elenco”, nome dado aos funcionários do Walt Disney World, também é fornecida pela AT&T. Em especial, o serviço de experiência dos espectadores dos parques através de um aplicativo também é suportada pela AT&T.

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Esse serviço de experiência dos usuários foi o que mais me chamou a atenção na minha visita aos parques temáticos de Orlando. Toda a experiência começa ao adquirir os ingressos que podem ser comprados pelo App. Caso você os compre por terceiros, também é possível vincula-los ao App. Comprar os ingressos por terceiros é muito comum, por ter melhores descontos em hotéis e revendedores em Orlando. Depois de ter o seu ingresso gravado digitalmente no App, você pode acompanhar as atrações dos parques pelo App, tanto informações detalhadas das atrações, como seu tempo em espera de filas. Além de agendar o seu recursos de “fast pass” pelo app para aproveitar e cortar filas quando for possível. Outro recurso inteligente do App é o de reserva de restaurantes dos parques. Um sistema que muito provavelmente proporciona a Disney um acompanhamento de dados dos usuários dos parques em tempo real. Uma ótima oportunidade de aplicar conceitos de machine learning também.

Esses assuntos tem me chamado muito a atenção ao longo do ano que se passou, pois agora a LEB, minha empresa que desenvolve softwares BIM para construção civil, está focada em desenvolver o seu principal produto: a Maleta do Engenheiro. Ela consiste em uma plataforma de gerenciamento de documentos de construção, com foco em processos BIM para os profissionais de construtoras, projetistas e coordenadores de projeto.

O ano foi muito produtivo no sentido de entender como funciona a dinâmica de desenvolvimento de um App desde o princípio, focada em sanar a dor de um mercado. Tive a oportunidade de contar essa experiência no Autodesk University de São Paulo. Mostrando as tecnologias da Autodesk disponíveis para essa tarefa.

Muito se discute sobre o futuro do BIM, principalmente em países onde a adoção desse conceito já é uma realidade. Porém no Brasil ainda temos uma estrada longa a trilhar para disseminar o conceito e também que construtores e projetistas assimilem as vantagens competitivas ao se adota-lo. Estou pensando na demanda que haverá de operar esse conceito com tecnologias de Cloud. Portanto, tenho expectativa que o retorno do investimento feito hoje, seja de médio a longo prazo. Apesar dos desafios serem de curto prazo.

No momento estamos trabalhando para fazer o lançamento oficial da plataforma esse ano. Fizemos um pré-lançamento da versão beta em Agosto e tivemos um número significativo de cadastros de potenciais usuários. Por isso, estamos otimistas para os resultados em 2018!

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