Babaca! É assim que começa esse texto.

Pedalando feliz na Na paulista, eu recebo muitos olhares, mas normal, to pedalando, até que passando por um carro o cara diz um oi.

Eu sou dessas mulheres que pedalam de saia, normalmente não importa, eu vou pedalando e nesse pedalar sempre tem os olhares que a gente observa e principalmente algo que toda mulher vive desde que nasceu esse abuso abuso que eu não aguento mais!

Abuso que é totalmente desconectado, vem desse mundo Patriarcal.

Desde que nascemos estão emitindo opinião sobre nós mulheres. Princesa, tem que estar arrumadinha, bonitinha, cabelo, maquiagem, depilação, unhas, roupa passada, a gente tem que estar perfeita, e principalmente com uma roupa que não chame muita atenção, por que senão a culpa é minha. E ainda com toda cautela, somos abusadas.

Uma chatice ter que lidar com a opinião que o outro tem sobre mim todo tempo, seja pessoa bonita, magra, gostosa não importo que você pensa de mim só vai importará isso, no momento que EU te perguntar sobre mim. De certa forma pode parecer duro, pode ser uma coisinha de mulherzinha porque uma cantada faz bem pro ego, mas é verdade, nem eu e nenhuma mulher mais aguenta essa situação. Guarda pra você sua opinião. Já basta olhar (se possivel tambem mais respeito neles, pois tem olhares, e olhares).

O meu pedido pra você que é homem. Homem homem homem que é homem permite que crie este espaço. Para que o próximo passo possa ser dado. Guarde suas cantadas e piadinhas sem graça pra você, ou melhor, pense mas pense muito se vale a pena cruzar esse limite da outra, e se você gostaria de ser invadido desta forma.

Vista outros sapatos, de salto, apertado e sinta a dor.

Pensando no sapato alheio, quando eu me aproximo de uma homem, ou lanço olhares, o que somos? puta, piranha, estou dando mole, eu estou dando em cima … o que mais?

Terminando a história de onde sai mais um texto manifesto sobre abusos, pois foi o segundo caso só essa semana, no primeiro me calei, e hoje repetiu de novo.

Pois bem eu estava pedalando na paulista e um rapaz dentro de um carro falou um oi. Só que não foi um oi só, tipo “oi quero te conhecer”, Ele tava no carro, e eu pedalando, era uma cantada. Era aquele oi, quero te comer, sabe?

Eu mostrei o dedo do meio já de costas pra ele, nem vi a cara dele. Inevitavelmente ele me passaria pois estava de carro. Eu sigo na minha pedalando e quando me passa ele grita: “BABACA”.

Eu xingo ele, e fico rindo. Na boa, eu que sou babaca? É tão inconsciente que nem percebe quem é o babaca?! Eu que sou transpassada nos meus limites e eu que sua babaca? O querido emite um opinião e eu não posso responder?

Mulheres não nos calemos mais.

Tenho visto muitas séries que mostram muito as irmãs do passado, as guerreiras que lutaram, morreram para que pudessemos viver a sonhada liberdade, empoderamento e coisas básicas como o voto. Hoje a islãndia declarou que homens não podem ganhar mais que mulheres, qual sentido fazia antes isso?

Mulheres, Não nos calaremos jamais.

Esse mais um manifesto pelo fim do abuso do masculino.

Rezo pelo equilíbrio dessas forças.

Que assim seja.

Por todas as nossas relações.

Da mulher que vai seguir pedalando de saia.

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