Como superar a síndrome do impostor
Rogério Pereira
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Como superar o Efeito Dunning-Kruger

Ou por que a ignorância, com mais frequência do que o conhecimento, gera confiança

Li o texto do Rogério Pereira e ele veio bem a calhar, já que eu já pensava em escrever algo sobre um aprendizado que tive recentemente. Pratico Kung Fu há alguns meses e além dos inúmeros aprendizados físicos que eu tive, meu professor certa vez conversou comigo e meus outros colegas sobre dois fenômenos psicológicos que são verdadeiros pesadelos para quem está aprendendo alguma coisa: a Síndrome do Impostor e o Efeito Dunning-Kruger. Sobre a primeira, você pode ler o que escreveu o Rogério para entender melhor o que é. Vou falar aqui sobre a segunda. A verdade é que ambas causam o mesmo dano: uma falsa percepção de si mesmo que impede a pessoa de evoluir e crescer.

Esse é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados. É a superioridade ilusória. É aquele cara que entra na empresa e se depara com um desafio com o qual nunca lidou. Ele acha que está está pronto para sacar seu capote, driblar o touro furioso, matá-lo com a espada e receber rosas vermelhas aos seus pés. Tão estúpido quanto a tourada que protagoniza, nosso toureiro pensa que sabe demais, toma decisões erradas e assume responsabilidades sem estar preparado. Essas pessoas geralmente não pedem ajuda. Elas não reconhecem as próprias incompetências e não conseguem reconhecer a competência dos outros.

O maior problema é que muitas pessoas têm pouquíssima inteligência intrapessoal. É difícil reconhecer-se, enxergar os próprios defeitos. As qualidades geralmente são bem reconhecidas e muito bem expostas em entrevistas de emprego, ainda mais por pessoas acometidas por este fenômeno.

Dá até pra chamar esse efeito de Síndrome do Recalque Alheio. Sabe aquela mania que algumas pessoas têm de achar que todos têm inveja delas, que vivem cercadas de recalcadas por todo o lado? É tipo isso.

Como reverter o sentimento de superioridade ilusória?

Bom, não sou psicólogo, mas vamos lá. Primeira coisa: tomada de consciência. É preciso reconhecer-se assim, para que seja possível fazer algum esforço de mudança. E uma outra dica, que aí vem com uma dose de experiência própria.

Deixa eu contextualizar primeiro. Sempre fui muito inseguro e, por isso, sempre criei uma aura de autoconfiança em torno de mim para disfarçar isso. Cada um reage à insegurança de formas diferentes. Isso ajudava, porque acabava me blindando dos efeitos da minha insegurança. Só que eu sempre tive um pouco desse Efeito Dunning-Kruger, mas eu lidava/lido com ele de uma forma diferente: quando eu não sei uma coisa, eu faço de tudo para aprender a tal coisa. O problema é que, quando aprendia, achava que realmente sabia tanto quanto (ou mais que) alguém mais experiente. Um erro grave, já que a experiência que leva a um conhecimento é muito mais valiosa do que o aprendizado teórico. A experiência traz desafios que a teoria muitas vezes não traz. Aí vem a outra dica: faça algo que você não sabe. E não sabe mesmo. Você será forçado a exercitar a sua humildade e se colocar na condição de aprendiz. É o que o Kung Fu tem representado pra mim. Era algo que eu não tinha a menor noção do que era. Seria impossível chegar e achar que eu seria o melhor da turma. Treino ao lado de pessoas com anos de prática e que me fazem ter consciência de que, caso eu realmente queira ser um praticante razoável dessa nobre arte marcial, eu preciso ter foco, ir no meu ritmo e reconhecer as minhas próprias limitações.

Tem um texto bem legal que acrescenta a tudo o que eu disse aqui. Dá uma lida.

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