PRECISAMOS falar sobre Justin Bieber

Ou guilty pleasures, rebranding e haterismo

Antes de começar, sorry pelo excesso de anglicismos nesse subtítulo. Sim, vi o vídeo da Jout Jout e me identifiquei com cada segundo de tudo o que ela fala. Mas principalmente com essa parte que traduz perfeitamente minha reação ao ouvir “Sorry” pela primeira vez:

Justin Bieber é um fenômeno mundial. Só que pela primeira vez, em seus 7 anos de carreira, ele é um fenômeno não só para as meninas que o Felipe Neto adora criticar em seus vídeos (já que é pra falar de youtuber, vamo perder a linha de uma vez). JB é um fenômeno entre os skatistas da quebrada, os leskes da academia, os descolados das agências de publicidade, os maconheiros da pracinha, os baladeiros das festinhas hype Brasil afora… ENFIM. Você percebeu que tá todo mundo ouvindo o cara e, inclusive, muito provavelmente você também.

Chega bateu aquela crise existencial do tipo “será que eu sou Belieber?”. Depois de ouvir “Sorry” pela 16ª só hoje já configura Belieber?”. “Se eu disser que em janeiro ouvi o ‘Purpose’ de cabo a rabo sai um diagnóstico de Belieber?”. Eu particularmente não tenho problema nenhum em gostar do que ninguém gosta (ou tem vergonha de assumir feat. preconceito). Adoro funk carioca, por exemplo. MC Leozinho? Não, funk putaria mesmo. Tanto que entre um Sorry e outro tem um MC TH e sua mamadeira cheia e um MC João e seu Baile de Favela nos meus “escutados recentemente”. A questão é, como bem disse Jout Jout: todos nós já tínhamos decretado internamente: JUSTIN BIEBER É UMA COISA QUE EU NÃO GOSTO. Ponto. Parecia que não era algo que ia mudar, sabe? Pois é. Esse é o problema de tudo.

Sabe o pior? Tem muita gente achando que gostar de Justin Bieber é um guilty pleasure. Pera lá! Só configura um guilty pleasure quando a gente gosta de uma coisa que é reconhecida por nós mesmos como ruim. O que definitivamente não é o caso do nosso rapaz canadense em seu quarto álbum de estúdio. O “Purpose” é um disco muito bom. “Sorry” é a música da década em minha não tão humilde opinião. Guilty pleasure, no meu caso, era quando eu ouvia Sandy e Junior na adolescência (e ainda ouço). Eu sei que é ruim, cafona, MAS EU GOSTO e não dá pra lutar contra isso.

E também tem outro motivo que nos fez amar Bieber. Ou odiá-lo menos. Foi o tal do rebranding. Na publicidade, rebranding é quando uma marca faz uma recauchutagem total, modifica visual, posicionamento, discurso (não necessariamente tudo ao mesmo tempo) e assume uma nova identidade. Isso é bem comum com artistas que crescem diante dos holofotes. Britney Spears, o xará Timberlake, Rihanna, Miley Cyrus, Michael Jackson… A lista é grande. Justin começou como ídolo teen fofo e perfeitinho, se tornou adolescente transgressor rebelde sem causa e agora é um bom moço cool e descolado. E tudo foi feito de uma forma meticulosamente calculada. Desde o cabelo até o tom de voz nas entrevistas. Coisas da indústria da música pop.

ownnn, que fofo, né?

Por fim tem o haterismo, que eu defino como “mania de odiar alguém”. Era legal odiar Justin Bieber. Fazia quase parte do senso comum detestá-lo. Porém, ter uma legião de haters é bom para um artista, porque, por outro lado, ele sempre vai ter fãs muito fiéis. Tipo o Kanye West, sabe? E saindo da música seria tipo o Flamengo ou o Corinthians, extremamente populares mas com milhões de haters. No fundo isso é bom. Quanto mais gente odiando, mais gente amando vai ter lá do outro lado. Como diria a pensadora contemporânea MC Melody, fale bem ou fale mal, mas fale de mim.

E especificamente sobre “Sorry”: o que tem nessa música que é capaz de arrebatar a todos nós? Fui atrás da resposta. Seria um cântico de hipnose contido secretamente na melodia? Gente, não viaja. O produtor musical BLOOD (há até pouco tempo ele era conhecido como Blood Diamonds, mas mudou de nick) disse que construiu propositalmente uma batida toda animadinha em cima de uma melodia melancólica para a súplica do JB, que canta de um jeito que é impossível não aceitar o pedido de perdão dele. Isso tudo resultou num dancehall irresistível. Dancehall, aliás, é um ritmo que está voltando ao mainstream pop. Você cansou de ouvir “Cheerleader”, do OMI em 2015, né? Pois então. Dá uma olhada no clipe de “Gimme The Light”, do Sean Paul (aquele), que fez sucesso há mais de 10 anos e diz se a batida não lembra a do refrão de “Sorry” e a coreô das dançarinas não é a base da coreô do balé foda do clipe:

Música pop é um estudo de tendências, como a moda. Vai e volta, se mistura e se reinventa. ❤

É tudo muito louco isso que está acontecendo. Parece que encontramos a solução para o problema apresentado por Dinho Ouro Preto há 3 anos. Se faltava uma banda que unisse todas as tribos, como foi o Norvana, parece que temos hoje um cantor unindo todas as tribos, no caso o Justin Biebor.

Acho também que todos podemos agora aceitar as desculpas do Justin e dizer que ele está perdoado pelas babaquices de outrora, não é mesmo?

Bom, e aproveita que você chegou até aqui nesse post que não vai acrescentar nada no seu dia e ouve aí “Sorry” pela sei-lá-quantagésima vez desde que acordou. E neste momento eu convoco todos a assumirem que, pelo menos, estão beliebers e que não tiram “Sorry” do loop. Vai lá, faz isso. É libertador!

A propósito, ninguém perguntou mas meu verso preferido é “I’m missing more than just your body”.

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