FADIGA:
E a gente morria a cada dia. Matávamos o sono com a xícara de café quente. Matávamos a ansiedade com abraços. Matávamos a fome, com a gula. Matávamos a vontade com beijo. Matávamos a saudade com o encontro, uma mesa e prosa. Matávamos o medo arriscando, acreditando. Matávamos a melancolia com dança. Matávamos a distância com telefonemas. Matávamos as horas, saindo da rotina, quando cansávamos, insistiamos em calcular o tempo. Matamos tanto um ao outro todo dia que não sobrevimemos. Nosso epitáfio coube somente uma frase de bom dia.

(Roni)