Comunicar o Cristo


“Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros”.

— São Tomás de Aquino

Amados irmãos, no Evangelho de São João (Jo 1,35–42), a passagem de hoje passa-se apenas um dia depois do Batismo do Senhor. Ao avistar novamente Jesus, São João Batista anuncia: Eis o Cordeiro de Deus! Quero que prestemos atenção no ato de anunciar.

Ao seu anúncio, segue-se o interesse de dois de seus discípulos em seguir esse Cordeiro de Deus. Para o povo da Antiga Aliança era necessário procurar Deus para encontra-Lo, mas agora, vemos nos exemplos dos discípulos, que procurando o Cristo se encontra Deus. E não apenas se encontra, mas se permanece com Ele: “Se alguém quer servir-me, siga-me; e onde estou eu, aí também estará o meu servo” (Jo 12,26), portanto, quando é procurado por nosso coração, que não descansa enquanto nEle não repousa, Ele nos responde: “Vinde ver”.

Dentro deste cenário, onde os discípulos permanecem na casa do Salvador, podemos tentar imaginar a felicidade que lhes penetrava no coração. Podemos, talvez, nos recordar do momento que Deus se manifestou em nossa vida: através do início de nossa conversão, de um milagre, da clara ação de sua Providência, de uma oração…

Agora imaginemos aqueles discípulos cara a cara com o Cristo! Conseguimos imaginar sua felicidade? Pelo menos, deveríamos! Sabem por quê? São João Batista Maria Vianney nos explica: “Quando nós deixamos o Santo Banquete, nós estamos tão felizes como os Reis Magos, se eles pudessem ter carregado o Menino Jesus”.

Compreendamos, irmãos, na Eucaristia é Jesus verdadeiramente que carregamos dentro de nós! Portanto, se não conseguimos imaginar a alegria dos apóstolos, que rezemos agora: “Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé!”.

Logo, sentindo uma alegria até maior que a dos santos apóstolos, qual nosso papel? Pela internet, já vi diversas publicações com dizeres do tipo: “Guarde sua felicidade em silêncio!”. Bem, meus caros, posso entender que se trate de alegrias da vida, que podem despertar invejas, mas jamais se deve pensar assim da Felicidade! Pois, a verdadeira e única Felicidade é Deus! E essa deve ser anunciada, comunicada!

Ao anúncio de João, André corre para Cristo, ao encontra-Lo, corre para Pedro e anuncia-O! Comunicar o Cristo!

Para aqueles que não nunca sentiram-se motivados a comunicar o Cristo, anunciar a Boa-Nova, dizer ao próximo: “Encontramos o Messias!”, eu ouso dizer que, de fato, não O encontraram ainda. A verdadeira felicidade é tão maior que nós, que não podemos conte-la e nem queremos! É um tesouro que quando mais se doa, mais se acumula! Guardar o Cristo é o contrário de amá-Lo! Anunciemo-lo dentro de nossos dons:

São Francisco de Assis já dizia para anunciar o Evangelho e, se necessário, usar palavras, ou seja, anunciar com a vida!

A Bem-aventurada Chiara Luce Badano não falava de Deus, mas levava-O em seu sorriso.

Santo Antônio, dotado de incrível ciência e eloquência, se tornou grande evangelizador em suas pregações.

Santo Agostinho, o Doutor do Amor, além das pregações anunciou-O em obras que são fundamentos eternos da Igreja.

Santa Marguerite Bourgeoys fundava escola para indígenas e assim comunicava Deus!

Santa Teresinha do Menino Jesus, sem nunca sair do Convento das Carmelitas, se tornou padroeira das missões pois evangelizava em sua oração.

E se nenhum dos pequeninos exemplos vos toca, pense em São Paulo que disse: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16).

De todas as maneiras podemos comunicar Nosso Senhor, mas que se comunique! Afinal, a boca fala do que o coração está cheio, e se não anunciamos Cristo de modo algum, será mesmo que Ele habita em nós?

Portanto, amados irmãos em Cristo Jesus, assim, na comunicação, deu-se o início da comunidade dos cristãos, e assim deve-se dar também a evangelização dos nossos contemporâneos. Até que nossa vida seja um grande testemunho, comecemos pelos lábios este exercício de espalhar a felicidade, o Evangelho, (Se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. — Rm 10,9)sem jamais deixar de nos esforçarmos para a coerência na santidade!