opostos — ou divagações sobre o que não sei
me segurando pra não me manifestar. sei que só serviria pra atrapalhar a sua diversão. diversão que parte de mim quer que seja a maior possível, mas outra parte quer que não seja maior do que poderia ser comigo. que talvez seja uma diversão genuína e completa, como já não sei o que é desde a merda ocorrida. que talvez seja uma diversão de aparências, como o que tenho feito.
o difícil é estar aqui, mas com a cabeça em um lugar onde não posso estar, e nem imagino que seja desejado. e imaginar que você está nesse lugar, mas podendo apostar alto que sua cabeça não está nem um pouco perto daqui.
daí fico nessa. às vezes é mais difícil ter um mínimo de perspectiva do que não ter nenhuma. especialmente por estar tão certo de que é melhor me agarrar nessa quase impossibilidade, e tentar tirar o máximo disso. estar certo de que não serei completo de outra maneira, mas ter que lidar com a espera e a incerteza.
ter que lidar com algo impossível de controlar. e daí começar a escrever essas coisas em um lugar que não divulgarei, mas que está numa rede e com o meu nome. tudo isso com a esperança — e o medo — de que você faça o que eu fiz, e encontre meus escritos como eu encontrei os seus. mas com a grande diferença de que você não terá dúvida de que isso tudo é pra você, enquanto eu não tenho a mesma certeza, por mais que os indícios apontem pra mim, o medo sempre fala que pode ser outra coisa. que eu não teria mais a importância necessária pra ser objeto de seus pensamentos. que eu não seria mais capaz de gerar qualquer desejo, ou mesmo qualquer náusea.
horrível concluir que a pior coisa é ser motivo de indiferença. que melhor seria gerar desconforto, pois isso significaria que, de alguma maneira, todas as coisas boas permaneceram com força suficiente pra se contrapor às coisas ruins. já a indiferença só traduziria que a presença nunca foi tão forte.
mas não quero pensar isso. sei que é improvável chegar nesse ponto de indiferença, te conheço. mas a essa hora, nessa distância, com essa incerteza sobre o futuro, é difícil não dar ouvidos ao medo infundado. é impossível não pensar em ti. é difícil dormir. mas é o que eu preciso.
preciso achar um estado de mente pra me suspender até ter algum espaço na sua vida. já tentei achar um sentido pra conviver comigo mesmo, sem necessidade de ti, mas sou chato demais sozinho. sou incompleto, sou vazio. uma casca de piadas, caras e imagem de auto-suficiência, que engana quem olha, mas jamais te enganaria. você facilmente perceberia o quanto eu tenho sido uma caricatura de mim mesmo, por não saber mais qual é minha essência sem você por perto.
nunca fui tão certo de quem eu era como nos 6 anos contigo — anos que, como falamos várias vezes, pareceram ser 100 anos, e pareceram ser 1 mês, ao mesmo tempo, de tão intensos e de tão naturais — , assim como nunca tive tantas dúvidas de quem eu sou nesses 6 meses sozinho. nesse momento, só consigo ter certeza de que só voltaria a fazer sentido contigo.
nesse momento, preciso dormir.