5 Filmes que Mudaram Minha Forma de Ver o Mundo

Eu estava escrevendo, nos últimos textos, principalmente, sobre questões internas, alguns conflitos que eu possuía. Mas, eu venho enfrentando um bloqueio criativo, não sei se por falta de conflito ou falta de criatividade mesmo. Resolvi ligar o foda-se e escrever sobre algo que eu curto, cinema. Quem sabe, no futuro, eu volte a falar sobre gente de verdade.


Pode-se dizer que o principal papel do cinema é ensinar algo através de uma história, oferecer um ensinamento que nós nunca receberíamos no nosso dia a dia. E o cinema nos conta essas histórias através dos olhos de outra pessoa.

Pense em E o Vento Levou... e a história de destruição e reconstrução do sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil vista pelos olhos de Scarlett O’Hara. Ou A Lista de Schindler e o testemunho de Oskar Schindler sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. Ou ainda Diários de Motocicleta que conta a viagem de Che Guevara pela América do Sul e como ele conheceu todos os males do nosso continente.

Todos esses são filmes fantásticos, todos eles nos contam histórias que realmente valem a pena serem ouvidas.

Mas, cinema não é feito só para ensinar. Mais importante do que mostrar algo é fazer o espectador sentir aquela experiência, viver aquele momento e se transformar no processo.

Lembre-se de Up e como nós ficamos tristes, porém, ao mesmo tempo, esperançosos por um amor que dure a vida toda. Ou Clube dos Cinco que dá aquele quentinho no coração, e te dá vontade de conversar com aquela sua amiga do colégio, só pra contar como tá a vida. Ou A Caça que faz aquele grito de “INJUSTIÇA!” ficar entalado na garganta e faz com que você tenha mais cuidado na hora de apontar o dedo na cara de alguém.

Filmes fantásticos não só emocionam, eles mudam a forma que você enxerga o mundo.

Essa lista é um compilado de alguns filmes que transformaram a minha visão.

1. Clube da Luta

Alguns filmes têm o poder de jogar na sua cara o quão fodidos nós estamos. Eles mostram aspectos da nossa sociedade que parecem não ter mais solução. Esfregam na nossa cara o quanto nós falhamos.

Mas ao mesmo tempo, eles nos chamam para se levantar e lutar. É como se eles dissessem pra você: "Tá vendo essa merda aqui? É tua responsabilidade consertar ela."

São filmes que ao mesmo tempo em que geram revolta, dão vontade de pegar a picareta e começar a revolução.

Que Horas Ela Volta faz isso, quando fala sobre as desigualdades sociais no Brasil.

Entre os Muros da Escola denuncia a nossa falha do sistema educativo. O filme, apesar de mostrar uma escola francesa, serve de ensinamento para qualquer escola no mundo ocidental.

Mas, nenhum filme traz essa denúncia e esse sentimento de revolta tão fortes quanto Clube da Luta.

O filme ataca diretamente os nossos hábitos de consumo fabricados por uma indústria que precisa dos nossos vícios para sobreviver. Ele mostra pra você o quanto você está sendo manipulado e oferece uma saída. Revolta. Violência. Destruição. Levanta da porra da cadeira e vai destruir a porra desse sistema.

Além de um soco no estômago Clube da Luta ainda te entrega uma puta história com atuações fantásticas do Edward Norton e do Brad Pitt e uma direção impecável do David Fincher.

E o final, Jesus. Nem precisa falar.

2. Ladrões de Bicicleta

Alguns filmes mudam a forma que você vê o mundo contanto como certas situações extremas podem afetar as nossas atitudes. Eles mostram como certos sentimentos podem alterar as suas crenças e os seus valores, fazendo com que você faça coisas que nunca imaginou. E nenhum sentimento é tão poderoso nesse quesito quanto o desespero.

Em Nome do Pai conta como o desespero pode fazer você se levantar e lutar. Mostra como ver o seu mundo desmoronar a sua volta pode fazer você reencontrar valores perdidos. Mostra como mergulhar no desespero pode fazer você encontrar a redenção.

O soldado Upham mostra em O Resgate do Soldado Ryan como o desespero pode transformar os homens em covardes. Mas ao mesmo tempo que odiamos a covardia do soldado, que por conta do medo deixou dois companheiros morrer, temos raiva de nós mesmos, por saber que em frente a morte, provavelmente nós também fraquejaríamos.

Mas nenhum filme me contou tanto sobre medidas desesperadas em momentos desesperados quanto Ladrões de Bicicleta.

Ao fim do filme eu chorava sem parar. Eu estava destruído pela inevitabilidade do desespero frente o medo da morte.

Impotente, assim como os protagonistas do filme, não me restava mais nada, além de chorar depois de testemunhar a triste condição humana.

O medo da morte, o medo da fome, a vergonha da pobreza e o desespero que ela traz. Está tudo ali, numa história simples, sobre um homem em busca da sua bicicleta roubada.

3. Closer

Relacionamentos são uma bagunça e, infelizmente, ninguém nos ensina a como vivê-los.

Tudo o que nós aprendemos sobre relacionamentos amorosos é via exemplo. E alguns filmes nos oferecem os melhores exemplos possíveis sobre como relacionamentos funcionam realmente. Esses filmes mostram como o verdadeiro amor funciona.

Eu adoro 500 Dias com Ela e como uma visão inocente sobre o amor pode acabar estragando tudo. Ou quase tudo. (Acho que no fim foi tudo para o melhor).

Amo Antes da Meia Noite e aquele relacionamento cansado, desgastado. Apesar de eu adorar a Trilogia do Antes inteira, o terceiro filme é o que mostra com mais precisão o que é um relacionamento. Os dois primeiros são uma descoberta, o último mostra a parada real.

Amo Ela e sua nova visão sobre relacionamentos modernos. O Lagosta satiriza essa visão moderna. E Annie Hall é simplesmente foda, porque é foda, não precisa de explicação.

Mas para mim, nenhum foi tão soco na cara quanto Closer.

Ele mostra triângulos, quadrados, pentágonos amorosos de uma forma tão brutal que chega a dar agonia. Ele mostra a nossa incapacidade de criarmos algo duradouro quando carregamos muitos problemas internos. Ele conta como seres humanos que se amam tanto podem acabar machucando uns aos outros.

É um filme triste, brutal, inconveniente e até doloroso de assistir. Prefiro 10 vezes assistir um filme com gente tendo as tripas cortadas fora do que assistir Closer.

E ainda assim, é um dos meus filmes favoritos. Porque ele se atreve a contar uma parte do relacionamento que poucos filmes contam: se você quer realmente se comprometer em um relacionamento vai acabar machucando alguém, seja você mesmo, seja seu parceiro ou uma outra parte.

É um filme doloroso, mas indispensável.

4. Pequena Miss Sunshine

Família é extremamente importante, pode ser um saco as vezes, te cobrar indevidamente, ou até falar o que não devia, mas ainda assim é família.

Quanto mais velho eu fico mais eu percebo a importância dela. Por mais que discordemos e nos desentendemos, ainda existe amor ali dentro. É a nossa origem. É algo inegável. Nós vamos carregar essa origem conosco para sempre independente do que aconteça.

Eu adoro O Poderoso Chefão e a sua história sobre um homem que faz, literalmente, tudo pela família.

Curto muito Boyhood e aquela realidade seca que ele mostra sobre como nossas famílias mudam com o tempo.

E amo Crianças Lobo e a sua metáfora sobre a dificuldade da criação dos filhos com a distância do pai.

Mas acho que nunca foram tão precisos em falar sobre relacionamentos familiares quanto em Pequena Miss Sunshine.

Drogados, góticos, suicidas, idiotas e alguns até inocentes. Uma visão bem caricata, e extrema, da família mas que serve bem pra ilustrar um ponto: você não pode escolher com quem vai compartilhar o mesmo sangue.

Por pior que seja, família é família. Por mais diferentes que sejam todos vêm do mesmo berço. E na maioria das vezes, a única coisa que eles precisam de você, é que você esteja ali, presente.

É um preço pequeno a pagar para as pessoas que fizeram de você quem você é.

Seja isso bom ou ruim.

5. Gosto de Cereja

A última pergunta. O medo que nos assombra desde que criamos consciência. Evitamos a todo custo pensar sobre ela mas sempre acabamos nos voltando à mesma questão.

A Morte.

Nós lemos e conversamos sobre ela há milénios. Nossas religiões tentam nos acalentar sobre ela. Nos oferecem vida eterna, reencarnação e paz de espírito.

Livros românticos a glorificam como forma de sacrifício ou forma de amor eterno. Livros sombrios a mostram como o terror final que perseguirá os homens até o fim da vida.

O Sétimo Selo usa essa última abordagem, com um cavaleiro sendo perseguido literalmente pela morte, personificada em um homem de capa preta.

O Espelho oferece a perspectiva do passado de um homem que está a beira da morte. As lembranças do seu passado, por mais confusas que sejam são tudo que ele carrega.

O Vídeo de Benny, Além da Linha Vermelha, Fonte da Vida, A Árvore da Vida todos esses filmes têm suas formas únicas de falar sobre a morte. Todos eles, ao mesmo tempo que falam sobre o seu fim, acabam também comentando sobre o que ocorre antes do fim, aqui, na nossa vida terrena.

Eles mostram, a partir da morte, como viver melhor, eles usam de uma experiência que não temos, mas que vivenciamos pouco a pouco todos os dias, para nos fazer refletir sobre nós mesmos e nossa existência nesse mundo.

Nenhum filme foi tão certeiro nesse ponto quanto Gosto de Cereja.

O filme conta a história de um homem que busca se matar, mas para isso, precisa da ajuda de alguém.

O filme é uma parábola existencialista que usa o encontro do homem com diferentes figuras para conversar sobre a vida.

Enquanto tentamos entender o que o levou a uma medida tão desesperada de querer tirar a própria vida, somos levados em uma jornada que passa por todos os estágios de crescimentondo homem.

Um filme lindo, que te faz enxergar a própria existência de forma diferente.

O único ponto negativo é que eu não assisti esse filme antes. Ele teria me ajudado muito. E eu espero que ele também lhe ajude.


Existem infinitos filmes que eu poderia mencionar que mudaram a minha vida. Mas, por hoje, são só esses. No futuro, quem sabe, eu fale mais.

Um abraço e até a próxima.

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