A bigorna da realidade

Ontem estive num evento histórico. O Pedro fez uma apresentação do Novo dentro do campus do Botânico da UFPR, prédio de Ciências Sociais Aplicadas. E lotou. Por pouco não faltou lugar. Engraçado que esperávamos resistência, mas não houve. Só o fogo amigo mesmo, mas muito pouco.

Assis Utsch, que é filiado ao IDL e um grande pesquisador do pensamento liberal a muitos anos estava lá. Ele é figura carimbada nestes eventos. Também resumiu 12 livros clássicos como A Ação Humana em livretos de poucas páginas. E distribui para trazer estas ideias ao grande público.

Bigorna

Lá o senhor Assis contou seu testemunho que foi recebido num misto de surpresa e riso. Ele é auditor da receita federal, hoje aposentado. Começou dizendo que viu sua categoria colocar o governo de refém. Mas o principal foi quando ele afirmou que, segundo suas contas, o que ele contribuiu durante sua carreira daria para pagar 3 anos e meio como aposentado. Ele já viveu 17 anos a mais. E comentou que um colega seu de família longeva e que se aposentou cedo já passou mais tempo aposentado que trabalhando.

Este testemunho motivou vários debates. E nestas horas eu sempre lembro da frase de Roberto Campos quando indagado sobre o que o Brasil deveria começar a fazer para resolver seu problema:

A primeira coisa a fazer no Brasil é abandonar a chupeta das utopias em favor da bigorna da realidade.

E o brasileiro parece adorar uma utopia.

Alguns conceitos já estão tão impregnados dentro de grande parte da população que viraram senso comum. Citei 4 exemplos abaixo.

A previdência não precisa de reforma.

Esta é batida. Todos os presidentes precisaram, foram obrigados pelas circunstâncias, a remendar a previdência. Todos fizeram uma reforminha que só dura até o outro mandato. Ninguém fez um modelo definitivo. Não adianta cobrar todos os atrasados, nem mexe no valor total. Também não vai funcionar auditoria da dívida. Este movimento já foi no Equador e na Grécia e não deu resultado algum.

O petróleo é uma riqueza estratégica.

Dois exemplos. Venezuela e Hong Kong.

Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, tem população pequena e está passando mal.

Hong Kong é uma ilha rochosa que não tem nem água. Tem IDH melhor que a Inglaterra, a potência imperialista que a colonizou.

Petróleo não conseguiu manter ditaduras pequenas, não vai mudar o Brasil. Nunca mais caia num papo de que “os royalties do pré sal garantirão a educação das crianças do Brasil”.

As pessoas não podem ser livres pois não sabem cuidar de si mesmas.

É lindo no papel fazer uma poupança para o trabalhador se aposentar e comprar um imóvel. Duro é quando o FGTS rende metade da inflação e o governo usa seu dinheiro para alavancar empréstimos para o BNDES emprestar para empresas que já são potências e podem conseguir empréstimos em qualquer instituição bancária nacional e internacional.

Quando você não pode levar este título de capitalização com você entre bancos, buscando melhor rendimento, você está chamando as pessoas de idiotas. Uma regra é universal. Todas as pessoas perseguem seus objetivos. Todos os dias, o tempo todo.

Estado Mínimo é um estado fraco.

É um erro comum, já que o termo Mínimo não reflete totalmente o significado. Acredito que o melhor seria Estado Enxuto.

Mas se pode haver dúvidas quanto à tradução, acerca da força não.

O Estado Mínimo é um estado FORTE.

Forte em educação com estratégias bem planejadas e bem executadas.
Forte na saúde com a garantia de que todos os indivíduos estão cobertos com um seguro e garantindo um mercado sem privilégios.
Forte na segurança com profissionalismo e recursos.

É um Estado Forte porquê realiza o que se propõe. Porquê cria mecanismos para garantir a livre iniciativa, diminuindo a burocracia e os privilégios.

É um Estado que age ativamente para atingir suas metas.