Sentimentos de um dia

Hoje, desperto e abro meus olhos e vejo meu corpo ainda em repouso.

_levante-se_ Sussurra meu corpo a mim mesmo.

_levante-se_ Novamente, mas então me lembro que consegui um emprego recentemente, fico feliz por ter um emprego e logo me emerjo. Uma tontura repentina me toma, eu deveria olhar qual o problema que me causa isso. Sigo até o espelho do banheiro e o encaro. Mas não vejo la a mim mesmo, bem que eu queria, só vejo um alguém vazio e medíocre. Preparo um café da manhã simples, mas delicioso pra caralho e acabo de me arrumar para ir ao trabalho, pego minha marmita e sigo até o portão. Coloco meu fone de ouvido, sim, fone, UM FONE, o outro lado parou de funcionar. E começo o meu dia com as belas musicas do Queen. Cada batida vibra minhas células, cada toque agita a minha alma e me emociona com uma grande ternura.

No primeiro passo já noto que meu corpo não quer acompanhar minha vontade. Passos mais lentos que o normal seguem o percurso desejado e logo penso que posso relaxar, esta tudo bem não estar tudo bem. As vezes o pesar da vida pode nos afundar em um mar de pensamentos que deixaria Clarisse Lispector boquiaberta. Vários pensamentos ecoam em minha mente, uma prova que pode definir meu futuro, um amor que rasga o peito, um desejo que treme minha boca, um desprezo que acoita minha alma, uma vontade que se esconde e sussurra por todos os cantos, um medo… que me observa atentamente. Sigo todo o meu percurso e durante o trajeto saltito, me remexo com as musicas e trilhas em um lado de minha orelha. O outro? Bem, eu tento cobri-lo e não prestar muita atenção no exterior. Chego no trabalho, cumprimento a todos e sigo para minhas tarefas. Me deparo novamente com o meu corpo mais lento que o habitual, o interior de minha mente não deve querer agir mais. Me levanto, vou ao banheiro, molho e bato em meu rosto. Eu sempre dou o meu melhor, o que esta acontecendo comigo? Faces everyone faces. Meu corpo se anima e continuo tudo como o habitual e com sua excelência. No almoço tenho um delicioso lanche e vejo algumas publicações. Na volta, me deparo com a chuva que percorreu todo o dia caindo, mesmo com guarda-chuva a abraço e vou para casa com sua companhia. As vezes eu só queria ser como ela, cair e depois tudo acabar.

Em casa, o pesar cai sobre o meu ser novamente. A cada nova oportunidade o problema aparece e vem a minha ronda. Eu resolvo e me esforço ao máximo, mas ainda sim de nada adianta. Não adianta com a família, com o amor, com o meus próprios desejos, minhas próprias vontade, tudo aparenta estar acorrentado ao fracasso. Tomo um bom café e tomo a iniciativa de fazer exercícios físicos, algo que não ando fazendo com frequência. Sempre gostei de ter um bom corpo, acredito que se eu quero ter uma mente forte o corpo devidamente também deve ser, ou algum dos dois vai ceder. Aproveito o tempo que minha mente parece não se movimentar e penso. Durante cada suspiro e levantar de peso, parece que estou cada vez mais a fundo do abismo. Ou melhor, do meu poço. As vezes, como uma brincadeira de criança, me agarro com braços e pernas a parede do poço e o escalo com um grande sorriso no rosto pelo feito. Mas na maioria do tempo me encontro caindo dentro do meu próprio ser e tenho medo do que irei encontrar lá. Seja um chão que posso usar para pegar impulso e tentar ir ao topo novamente ou a real face do abismo. Espero estar sempre com um sorriso no rosto, não para mim, mas para que sigamos em frente e que sempre esteja tudo bem não estar tudo bem. O medo de me deparar com o meu próprio ser me despedaça, mas é o melhor já que posso despedaçar mais alguém com o meu próprio ser.

Acabo meus exercícios, tomo um ótimo banho e hidrato meu cabelo com algumas dicas de uma pessoa especial. Escrevo esse texto e nem chego a me preocupar com os erros de português ou coerências. Acabo e tento repousar.