Escavações
A gente nunca sabe direito sobre o que escrever, até sentir a parada pulsando lá dentro.
Conta-se por aí a história de um tatu, que gostava de cavar, cavar muito.
Intrepidamente, iniciou uma empreitada para chegar do outro lado do… mundo. Ficou excitado, contou pra todos ao seu redor, seus olhos brilhavam, o coração palpitava, chegava a exalar a emoção que sentia.
Tirou folga de outras atividades para se dedicar exclusivamente a esta missão, juntou forças físicas e mentais, separou o que precisaria de água e comida… e foi, sagaz, meio que numa bravura indômita pro destino que o aguardava.
Foram dias… meses… anos. Encontrou terra dura, pedregulhos, umidade, água, lama, dejetos, entulho, entre tantas outras coisas que nunca havia encontrado em suas escavadas.
Até que um belo dia começou a perceber alguma luminosidade e, enfim, um raio de luz. Luz!
Curiosamente, neste mesmo instante onde a luz lhe pareceu mostrar o fim de uma jornada árdua e cansativa, de súbito caiu sobre ele um medo petrificante.
“O que será que vou encontrar? Como será do outro lado? Será que alguém já fez isso antes? Será que vão gostar de mim? Haverá lugar pra mim lá?”
O fim do conto só pode ser decidido pelo tatu. Continuaria a ser movido pela mesma curiosidade que o levou a se meter no buraco, ou, com muita insegurança e pavor, voltaria para o lugar de onde viera.
(sobre … bom, sobre agora).