Pra que você fique.
Concessões, pedidos, procura, insistência.
Já fiz de tudo isso pra que ficassem.
Pintei as paredes, escancarei as janelas, arrumei o quintal, plantei flores, reguei. Reguei demais.
Até chorar, pelo excesso. Pela falta. Pela não presença. Pelo mau trato. Pelo desprezo, pelo egoísmo, pelo sufoco. Pelo não ser.
Pedi pra muitos ficarem.
Nenhum ficou.
Desde então, o pensamento na quebra dessa lógica insana vem sendo construído. Há uma urgência em não bater demais nessa porta. Em não pedir, em não querer sempre, em não procurar. Em não ter que aguentar. Mas em apenas ser.
Processo. Transformação. Vem reparando as feridas e me mostrando novamente quem sou.
Por isso não quero, nunca mais, pedir pra alguém ficar.
Fique. Mas fique, só se quiser.