Só se dá pra quem se deu.

Como faço pra escrever, sem poder te entregar? Não porque estou proibida. Mas porque não vai levar a lugar nenhum.

Afinal, nunca saímos do lugar. Foi sempre no mesmo. Circunscrito. Porém ficou mais entalhado do que eu pensei que seria.

Tenho aqui um esboço do que poderia ser um verso próximo aos que você sabe fazer. Bem melhor que eu.

Mas tem algo que eu sei fazer melhor. E é te enxergar. Sem pretensões, mas é pelo que você mostra só aqui. Pra mim, com suas verdades loucas, seus sonhos escondidos, suas frustrações e broncas, sua história.

Sempre falei que isso era esconderijo. Isso: eu, você, aqui. Ou o simples fato de termos a suspensão de viver uma loucura, algumas horas, um intervalo. Uma escapada.

Obrigada. Por me fazer sentir viva de novo.

Obrigada pela adrenalina que explodia quando as coisas se confirmavam.

Obrigada por deitar no meu sofá e me enxergar sem roupa andando pela casa. Como se não houvesse amanhã.

Não houve.