#1 Não sei escrever mas virei empresário.

Bom, eu sempre quis escrever algo mas nunca tive paciência. Acho que eu tenho preguiça pra tudo que não é extraordinário. Experience Junkie é o nome que dei pra essa condição. As coisas monótonas não me agradam, não me prendem, nem me fazem feliz.

Na empresa, meu sócio fala pra cacete sobre a necessidade de transferência de conhecimento e eu sei que eu não faço isso bem. Pra falar a verdade, eu não acho que eu tenha lá tanto conhecimento pra passar. Talvez escrevendo aqui eu descubra algo. Não que eu ache que alguém vá ler, porque no fundo no fundo, isso aqui é mais pra mim. Ah sim, aqui vai ter palavrão pra caralho…

About me

Tenho uns títulos malucos que consegui numa corrida retardada por poder e representatividade, alguns prêmios que conquistei pela empresa e por trajetória empreendedora, e sinceramente, todos pra mim tem cheiro de foda-se. Eu sou um cara que gosta de pessoas, de experiências e de jogar RPG. Linkedin ta aí com o resto.

Começando a parte profiçonau

Quando eu entrei na faculdade de Ciência da Computação, em 2007, eu era um revoltado. Os veteranos me odiavam porque eu enchia o saco deles, os meus colegas de turma sabiam que eu era maluco, e toda aula de Organização de Computadores I com Julius Leite, eu falava que todo mundo ali dentro ia trabalhar pra mim. Eu era um imbecil.

Tendo aprendido a programar desde meus belos 14 anos jogando RPG online, não demorou muito pra eu correr atrás de uma oportunidade de trabalhar com a informática. Queria fazer joguinhos e acabei conhecendo a Aiyra, uma empresa que fazia jogos digitais incubada na UFF. Encontrei com o sócio da empresa e pedi pra trabalhar de graça pra ele. Provavelmente temendo uma pica trabalhista, ou pela falta de confiança num moleque de 18 anos, ele disse um categórico ‘não é o momento’.

Needless to say, fiquei puto. Ultima bolacha do pacote surgiu na vida daquela empresa e tomou um não assim. Sábio ele, burro eu, no fim das contas, pois um cara chamado Bernardo, também conhecido como pica das galáxias, resolveu organizar uma equipe dentro dessa empresa para concorrer ao XNA Challenge e Imagine Cup, duas competições de soluções da Microsoft pra estudantes que não tem muito o que fazer e que querem mudar o mundo. Acabei sendo selecionado pra entrar no time da empresa pra apresentar 2 jogos, Changing Cards e Globe.

Globe foi selecionado e apresentamos na bendita competição, ficamos em quarto lugar. Me senti um merda, queria o primeiro, mas foi bom. Voltei de São Paulo, onde a defesa do projeto tinha acontecido, e fui contratado pela empresa pra trabalhar num projeto deles de um jogo para XBOX360. Uhull.

Competitividade em ambiente de negócios é sensacional, agora eu levava esta merda ao extremo. Trabalhávamos com sprints e eu queria sempre ser o cara que entregava mais e melhor. Eu torcia pra algum colega de trabalho não conseguir fazer uma tarefa, ou fazer alguma tarefa bem merda, pra eu sentar e fazer/refazer o trabalho dele todo, da minha forma, com a minha cara. Denovo, coisa de imbecil, mas eu adorava ouvir o quão foda e rápido eu era em resolver os problemas da empresa.

Virava a noite lá, sem necessidade real pra isso, porque queria mostrar o melhor. Eu podia ser o melhor da empresa, eu podia construir o melhor produto, o algoritmo que estava feito poderia ser melhorado. Aquela sala cheia de pó, computadores velhos, no silêncio pacífico da Praia Vermelha, Niterói, era mais confortável que minha casa. Lá eu me sentia fazendo a diferença. Then again, life is a bitch and the chickens come home to roost.

Le merde & le occasion

A porra do edital que ganhamos pra fazer o projeto que eu participava foi congelado e parou de pagar a empresa. Naturalmente, a empresa parou de nos pagar e o sócio chamou todo mundo e disse que deveríamos ir pra casa aguardar a grana do projeto liberar para voltarmos a produção do projeto. Na época isso não fez sentido pra mim, hoje até que faz, mas foi o suficiente para eu e mais 3 calangos juntarmos para pensar como seria a nossa própria empresa.

Não que tenhamos partido direto pra isso, a molecada fez coro de “precisa pagar a gente não cara, depois a gente acerta, vamos focar no projeto que esse é o nosso objetivo maior’’, o que convenhamos não deu muito certo. O sócio da empresa mandou a gente pra casa de qualquer forma, denovo, acho que por conta do medo de tomar um passivo trabalhista ou algo do gênero.

Eu, Eduardo, Bernardo e Rafael, sentamos pra conversar sobre o que viria a ser a FINXI. Comiamos pizza na casa do Rafael, na casa do Bernardo, na minha casa. Planejamento com pizza simplesmente flui. Dali tinhamos 2 opções:

  1. Faríamos uma empresa de Jogos, trabalhando num console que a TecToy tinha lançado, o ZeeBo.
  2. Faríamos uma empresa para trabalhar com aplicativos para Smartphones, focando em iPhone e iPod.

Puta que pariu, sorte que escolhemos a opção 2, porque senão estaríamos fodidos. ZeeBo tracionou tão bem quanto escova de dente em terra de banguela e foi pro caralho antes mesmo de ser conhecido no mercado.

Montamos um plano de negócios, pesquisamos pra cacete pra fazer isso, o Eduardo então, era um filho da puta que enchia o saco com isso. Passamos 2 meses desenhando aquele plano, e jogamos ele todo fora em 30 dias de operação da empresa. Começamos comprando nossos Macs, abrindo CNPJ, montando toda a infra pra começar a empresa, investimos algo em torno de R$20.000,00 pra isso.

Cerca de 110 dias depois estávamos prontos pra começar, obrigado burocracia. Agora mesmo com tudo feito, ainda não tinhamos espaço físico. Conseguimos, negociando com professor Esteban Clua, um espaço dentro do laboratório Medialab, na UFF, num escambo intelectual sensacional: “Por favor, te dou uma publicação em congresso internacional em troca de uma mesinha e internet.”- nosso eterno chefe, Esteban, concordou com isso e salvou nossa vida.

Ali tinhamos aberto nossa empresa, virado empresários, e feito nossa primeira negociação com sucesso. Ainda tinhamos um problema, estávamos sem clientes, sem relacionamento no mercado, sem poder de marca… Éramos uns bunda-mole querendo começar um negócio. Pensamos umas estratégias pra contornar isso… Mas disso eu falo em outra oportunidade, escrevi pra cacete já e estou com preguiça.