5 erros em viagens (e o que eu aprendi com eles).
Em Nova York, eu fiquei desesperada. Claro, tentei realizar o impossível: poucos dias para tudo que a cidade que nunca dorme oferece. A lembrança que eu tenho é de uma constante agonia — por ter consciência de que não conseguiria fazer tudo o que havia idealizado devido a simples relação entre tempo e espaço. Resultado: eu nem aproveitei a viagem direito, e tudo por conta do meu plano impossível (e do quanto eu estava apegada a ele). Mas isso foi importante para não me causar futuras frustrações: é preciso ser mais realista, otimizar o tempo disponível e saber abrir mão de algumas coisas para aproveitar, de fato, outras. Nova York, nenhuma outra cidade vai me atropelar dessa forma!
Já em Buenos Aires, eu otimizei tanto o tempo que faltou só eu respirar e sentir o clima da cidade. A vontade era tanta que nem a insolação ou as bolhas nos pés foram capazes de me parar. Na verdade, eu só parei quando cheguei à Brasília — pois o meu roteiro estava literalmente contado! Eu consegui calcular bem a relação entre tempo e espaço e concluir todos os itens da minha lista: só não sobrou espaço para mais nada. E aí eu aprendi que é essencial tirar uma parte da viagem para o NADA. Para simplesmente observar o movimento, andar ao acaso e se permitir descobrir um café, por exemplo. Desculpa, Buenos Aires, sinto que apenas lhe usei!
Em Cusco, eu já tinha um roteiro mais realista e flexível para ter momentos dedicados ao nada. Mas ficou um grande arrependimento depois: eu poderia ter ido a uma das inúmeras festas que acontecem por lá. Em Cusco, essa era a atração surpresa da cidade: algo que você não planeja mas que ao chegar percebe que é um item obrigatório do lugar! Essa cidade peruana é uma delícia e o clima bem propício a festas! O que realmente me faltou foi disposição para enfrentar os milhões de degraus na cidade, nas ruínas e nos passeios durante o dia e ainda frequentar aquelas festas à noite. Isso foi uma pena, mas eu só percebi depois. E ficou uma grande lição quando se trata de cansaço e indisposição durante uma viagem: sempre vale a pena fazer um esforço extra (ainda mais quando se trata do roteiro surpresa). Pois você volta e a rotina acaba te descansando de uma forma ou de outra — tendo ido a festa ou não. Por isso, viajar é extrapolar os limites. Cusco, sua linda, eu te devo uma!
Na Bolívia, eu confesso que pensei: MEU DEUS DO CÉU, o que eu estou fazendo aqui? Foram vários momentos de pânico e terror. Talvez por ter lido tanto sobre os lugares e as cidades e os passeios que queria fazer, eu tive a falsa ilusão de já estar preparada para tudo o que pudesse acontecer. Obviamente, eu não estava. E o choque cultural foi grande. Demorei alguns dias para entrar no clima, entender historicamente tamanha precariedade e abstrair tudo diante de tamanha beleza. Mas ainda bem que foram apenas alguns dias e pude aproveitar esse país que é tão lindo! Daí percebi que a graça de viajar não é se sentir totalmente no controle de tudo, mas ter um pouco de conhecimento sobre local e muuuuito desprendimento para literalmente se deixar levar. A Bolívia foi uma dura professora, mas daquelas que deixam muita saudade!
Em Montevidéu e Punta del Este, eu aprendi que tem roteiros que realmente não precisam de tanto tempo assim — que podem ser feitos com calma e de forma bastante proveitosa. Foi apenas um feriado prolongado e eu tive duas gratas surpresas nessas cidades. Mas aprendi que para que o pacote fique completo mesmo, o número de escalas/tempo de voo deve ser também proporcional ao tempo da viagem. Assim, cheguei a conclusão de que nem todas aquelas promoções aéreas valem a pena — há um limite para tudo na vida! Uma economia monetária muitas vezes vem com um custo muito alto. Portanto, é preciso colocar tudo na balança — sempre! — e não pensar só em dinheiro.
Enfim, já cometi vários outros erros e já aprendi várias coisas com eles — e, sinceramente, espero continuar assim. Amém.