Conhecendo a própria mente

Sentar no chão, adotar uma boa postura, inspirar, expirar, prestando atenção à respiração. A prática da meditação de concentração e respiração ou atenção plena, tradução livre do inglês mindfulness é objeto de vários estudos da neurociência há anos. Esse ato simplesmente fundamental, básico e muito simples, não vinculado a nenhuma cultura em particular que é a meditação traz inúmeros benefícios para a saúde. Quando a mente e o corpo estão calmos e há maior consciência da respiração aprender fica mais fácil, há maior equilíbrio emocional, concentração, atenção, habilidade de trabalho colaborativo e melhores relacionamentos.

Centenas de estudos realizados mundo afora, inclusive na Unifesp em São Paulo, utilizam aparelhos de ressonância magnética para medir, com precisão milimétrica, o que acontece nos cérebro dos meditadores. Com aparelhos de IRMf (Imagem por Ressonância Magnética funcional) os neurocientistas medem as propriedades magnéticas da hemoglobina, componente dos glóbulos vermelhos presente no sangue que transportam oxigênio pelo corpo e veem qual área do cérebro trabalha para executar tarefas específicas. A região ativa demanda mais oxigênio e glicose o que aumenta o fluxo de sangue e na IRMf essa parte se acende em vermelho-fogo. A neurociência já identificou que a meditação ativa áreas ligadas às emoções positivas e desativa regiões relacionadas ao comportamento impulsivo, reativo e condicionado que acontece na amígdala cerebral.

Temos células inteligentes que carregam informações desde os primórdios da humanidade e um cérebro trino — três em um– que vêm se desenvolvendo desde os organismos unicelulares há 3,9 milhões de anos. A vida surgiu no mar, os peixes começaram a sair para a terra e evoluíram para os répteis. Na área do tronco cerebral está o cérebro reptiliano que desencadeia as reações de fuga, luta ou congelamento é a sede do instinto no animal humano. Essa estrutura primitiva do cérebro que associa estímulos e emoções é emocional, ilógica, impulsiva, nos motiva e guia no dia a dia. Fome, medo, amor, paixão, pensamentos primitivos que tomam as rédeas de nossas decisões e reações. Outra região é o cérebro mamífero onde se processam as reações emocionais. Mais recentemente, pouco tempo na linha de evolução da espécie humana, cerca de 100 mil anos o córtex pré-frontal, a região do cérebro que mais se desenvolve após o nascimento e é responsável pelas tarefas cognitivas sofisticadas e complexas da mente humana, a sede dos pensamentos racionais e da personalidade, além de inibir os impulsos e regular a expressão dos afetos.

A pré-programação biológica da amígdala cerebral resultou do estilo de vida dos nossos antepassados, ao mesmo tempo, presas e predadores, caçadores e coletores. Viver em constante tensão, alertas para qualquer ameaça, estressados era condição de sobrevivência. Da mesma forma, o condicionamento era de não se mexer para não gastar energia e ingerir alimentos gordurosos porque a próxima refeição era incerta. O pensamento era o da escassez: se não guarda, não tem. Nossos antepassados viviam em bando e os estranhos ou diferentes eram os inimigos que precisavam ser combatidos. Mudamos, mas não muito, superamos o sedentarismo, temos uma alimentação mais leve e saudável, mais ainda vivemos estressados acreditando que os diferentes são os inimigos.

A meditação mindfulness é uma forma de desestressar. Meditando prestando atenção à respiração, inspirando sentindo o corpo; atenção e na expiração, relaxamento. Estar atento e relaxado não é uma condição natural, mas a prática regular de meditação, da consciência do momento presente deixa as pessoas menos reativas, dá tempo para reflexão e para responder às provocações da vida e não reagir.

A meditação previne o estresse futuro e libera o estresse acumulado em seu sistema nervoso, simultaneamente. No organismo a meditação:

Diminui a pressão sanguínea;
 Abaixa os níveis do lactato sanguíneo, reduzindo a ansiedade;
 Diminui tensões relacionadas com a dor, como dores de cabeça, úlcera, insônia, dores musculares e problemas nas articulações;
 Aumenta a produção de serotonina, melhorando o humor e o comportamento;
 Melhora o sistema imunológico.

A sabedoria do corpo e mente para enfrentar a doença

A meditação traz o padrão de ondas cerebrais ao estado Alfa, o que promove mais saúde, equilíbrio e auxilia na cura dos males emocionais. Nos Estados Unidos de psicólogos também praticantes do Budismo começaram a aplicar a tradição budista de meditação na psicoterapia para ajudar os pacientes. Como praticantes, eles vivenciavam os benefícios. Na Universidade de Harvard, nos anos 1980, John Kabat-Zinn, médico praticante de meditação e yoga, escreveu o livro Full Catastrophe Living: Using the Wisdom of Your Body and Mind to Face Stress, Pain, and Illness (Vivendo a catástrofe completa: usando a sabedoria do seu corpo e mente para enfrentar o stress, a dor e a doença), descrevendo seu trabalho na interação corpo-mente para a cura, e aplicações de respiração, yoga, relaxamento, visualização e meditação para as pessoas com dores crônicas e problemas de estresse. O trabalho de Kabat-Zinn foi introduzido no sistema de tratamento clínico e psicológico em muitos centros na Europa e Estados Unidos e comprovadamente:

Diminui a ansiedade;
 Aumenta a estabilidade emocional;
 Aumenta a criatividade;
 Aumenta a alegria;
 Desenvolve a intuição;
 Proporciona mais clareza e paz na mente;
 Aguça a mente através do ganho de foco e a expande através do relaxamento.
 A meditação de atenção plena também tem sido muito adotada em escolas e proporciona às crianças e adolescentes mais facilidade no aprendizado, aptidão para resolver conflitos de forma não violenta, maior equilíbrio emocional e relaxamento.

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Originally published at algunsminutosmuitosassuntos.wordpress.com on May 4, 2015.

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