A clássica pintura de Tiradentes

Você provavelmente se lembra desta obra ao lado, da época de colégio. A pintura histórica de Tiradentes esquartejado foi feita em 1893, por Pedro Américo, e até hoje aparece em quase todos os livros que contam a história da Inconfidência Mineira.

Chamada de “Tiradentes Supliciado” ou “Tiradentes Esquartejado”, a pintura foi feita 100 anos após o episódio fatídico, em comemoração ao centenário do líder. A obra pertence a um museu de Juiz de Fora (MG) e está em cartaz temporariamente na Pinacoteca de São Paulo, ou seja, logo logo o público paulista perde a chance de ver de perto uma obra clássica como esta.

Eu sempre acho que quando você estabelece alguma relação pessoal com uma obra de arte — seja pela lembrança dos livros de escola, seja fazendo representações nas aulas de arte, ou qualquer outra memória afetiva — você dá muito mais importância ao que está vendo no museu. Aconteceu comigo ao ver obras impressionistas, em Paris, e já ouvi história de quem passou pelo mesmo, ao se deparar, frente a frente, com um quadro de Van Gogh.

Esse é um dos motivos pelo que eu acho que “Tiradentes Supliciado” deve ser conferido de perto, mas não só por isso.

A figura de Tiradentes morto, que remete diretamente a figura de Cristo, é bastante chocante e realista, e não foi à toa.

Enforcado por trair a Coroa, Tiradentes é retratado nesta pintura na época da recém-proclamada República, ou seja, é a figura de um herói republicano, fiel aos seus ideais e morto por eles — assim como Cristo.

O realismo presente na imagem denuncia a violência do sistema colonial e demonstra o fracasso, desconstruindo a figura do herói que trinfou. A pintura histórica “dramática”, que trazia bandeirantes em uma situação de superioridade em relação aos índios, certamente sofreu uma ruptura.

Ao vivo, a obra é muito maior do que eu imaginava e cobre uma área quase do teto ao chão, é impressionante.

Quem puder ver, ela fica em cartaz no 2º andar da Pinacoteca até dia 19 de abril, na mostra “Coleções em Diálogo: Museu Mariano Procópio e Pinacoteca de São Paulo”.