As pintinhas

A nuca. Logo abaixo delas, as pintinhas. Eram muitas. Mais fortes, mais fracas. Maiores, menores. Muitas. Sumiam antes de alcançarem o meio das costas.

Lembro dos diálogos sussurrados, dos suspiros, do prazer que vi no rosto dele. Lembro do carinho, do cuidado, da certeza de que seria inesquecível. Mas a melhor e mais forte lembrança continua sendo daquelas pintinhas descobertas quando o dia já tinha amanhecido, quando a despedida se aproximava, quando os fins anunciados e conhecidos estavam cada vez mais próximos.

Lembrança sexy. Freakles. Correr meus dedos sobre elas foi mais íntimo do que tudo o que aconteceu antes.

Passado tanto tempo, a importância daquela noite se revelou até maior do que esperava. E hoje, sem arrependimentos e renovada, as lembranças dela são uma saudade saudável. Mas admito que se pudesse reviver algum momento, é naquelas pintinhas que eu gostaria de tocar novamente. É delas que eu sinto falta de vez em quando.