“A população LGBT vive uma forte discriminação, mas nossa vida não é reduzida a violência”, disse Gabriel Galli

No dia do orgulho LGBT, o jornalista concedeu entrevista coletiva aos estudantes de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS

A coletiva foi transmitida pelos estudantes em tempo real (Foto: Pedro Braga)

Formado em Jornalismo pela Famecos e co-fundador do coletivo Freeda, Gabriel Galli abordou, nesta quarta-feira (28/06), a representatividade LGBT na mídia e na sociedade. Com a intenção de qualificar a conduta de empresas quanto ao respeito à igualdade de gênero e diversidade sexual, surgiu o Freeda - um canal de comunicação, informação e desenvolvimento de projetos. O objetivo da iniciativa é conceder aos estabelecimentos e empresas um selo que representa o respeito à comunidade LGBT. Conforme Galli, a ideia é produzir um glossário com termos que são mal usados e interpretados pela população.

Além de apresentar seus projetos, o jornalista tratou do atual cenário conservador na política brasileira. “Desde 1988, não temos uma Câmara Federal tão conservadora”, ressaltou Galli. Ele ainda citou o caso do cuspe do deputado Jean Wyllys (PSOL) no deputado Jair Bolsonaro (PSC) na votação do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Questionado sobre a atitude do parlamentar, o também colaborador do grupo SOMOS — Comunicação, Saúde e Sexualidade disparou: “O que é um cuspe perto da agressão que as pessoas LGBT sofrem todos os dias?”.

Galli abordou assuntos atuais envolvendo a comunidade LGBT (Foto: Pedro Braga)

O espaço ocupado por essa minoria ainda é pequeno. Galli destacou a importância da sociedade em incluir esse público em todas as esferas e classificou os problemas como uma questão de política pública, inclusive no mercado de trabalho. A ausência de representatividade também se reflete no jornalismo. “Quando um jornal faz um conteúdo produzido por apenas um tipo de grupo, ele só irá representar essas pessoas”, afirmou. Ainda na opinião do jornalista, garantir a diversidade nas redações é uma preocupação de quem faz jornalismo e de que contrata os profissionais.

De acordo com Galli, a mídia como um todo tem um discurso muito potente. A maneira como a minoria é representada nas diversas plataformas, muitas vezes não condiz com a realidade da luta LGBT. “Travestis e transexuais passam por uma segunda morte na imprensa quando eles não têm seu gênero respeitado”, falou. Ainda conforme o jornalista, os movimentos sociais estão tendo que se reconfigurar, devido ao avanço da tecnologia. “Hoje muitas pessoas recorrem a um grupo no Facebook para pedir ajuda”, exemplificou.

A iniciativa do coletivo Freeda não é a única que busca o respeito a esse público. Canais do Youtube como o “Canal das Bee” são importantes ferramentas para colocar o tema em discussão. “A gente vêm historicamente de espaços onde as minorias não têm voz”, lembrou Galli. O jornalista salientou o poder da internet em potencializar movimentos como a Parada LGBT, que se consagrou como o segundo maior evento de rua brasileiro. “A Parada é uma festa, mas também é um ato político”, concluiu Gabriel Galli.