Programação como forma de expressão.

Sou um programador.
Muitos chamam quem trabalha com o que eu trabalho de desenvolvedor de sistemas… mas eu prefiro chamar de programador. Não programo só porque eu gosto, porque quero ou por que a categoria recebe bons salários… eu programo porque preciso. Programar para mim, é uma forma de expressão… é um jeito de falar… é um modo de pensar.

Ao longo dos anos, sempre perguntei aos meus amigos programadores "Vocês consomem o que vendem?, ou seja, vocês programam para vocês mesmos?". A grande maioria não entendia onde eu queria chegar com aquela pergunta… os que entendiam, em grande maioria me respondiam que "Não.". Eu nunca entendi isso. Penso em um cozinheiro, que não cozinha para si próprio ou um economista que não gerencia o seu próprio dinheiro. Isso não faz sentido para mim.

Vejo a programação como um pensamento lógico ou uma lista de instruções, simultâneas ou não, onde cada instrução tem a sua característica… como origem, duração, propósito e etc… "Primeiro farei isso, depois aquilo… Isso pode ser feito ao mesmo tempo que aquilo… enquanto isso não acabar, não posso começar aquilo, mas posso sim, adiantar a preparação daquilo…"
 

Esta lógica serve para tudo, para gerenciar as tarefas de uma casa, para planejar uma viagem… até para marcar um encontro com um amigo.
Outro aspecto que eu vejo do pensamento lógico é a busca de alternativas para uma possível "falta de coerência", ou seja, dentro de uma história, quais são os pontos que divergem do contexto…. ou no popular… o que pode dar merda.

Alinhando os pontos até aqui…
Demorei muito para entender (e aceitar) que bons profissionais (técnicos) podem não conseguir usar, na vida, o pensamento lógico , que usam na profissão.
Planejar viagens e lidar com a "documentação necessária para alguma finalidade" tem sido parte da minha rotina nestes últimos 2 anos, e vejo programadores que cruzam o meu caminho, cometendo erros grosseiros quando não estão em seus computadores… como comprar uma cama sem medir o espaço no quarto… comprar um colchão sem medir a cama… comprar passagens aéreas sem pesquisar se existe transporte disponível para o aeroporto naquele horário.

Há 14 anos perdi meu Pai e a minha vida se transformou em um caos. Eu morava sozinho (com 2 cachorras e 1 gato) e fazia terapia. Minha terapeuta me sugeriu um desafio… eu devia cuidar sozinho de todas as minhas necessidades. Eu deveria ser autossuficiente. Na época, eu tinha uma faxineira 3 vezes por semana e uma senhora que passava a minha roupa. Minha vida estava uma zona em todos os aspectos, mas mesmo assim decidi topar o desafio. Despedi a faxineira e a passadeira… e daquele dia em diante, eu deveria cuidar de "nós 4" sozinho. Devíamos ter uma vida digna, saudável e limpa.
Neste processo vi o quanto a programação e o pensamento lógico, se mostraram muito aplicáveis ao meu dia a dia.

Eu morava em um apartamento grande com 3 quartos, 3 banheiros e um monte de janelas. Eu tinha a ajuda dos "outros 3" para sujar a casa e deixá-la repleta de pêlos.
Vida bagunçada, cabeça ruim, pouco trabalho e dinheiro curto… eu não tinha espaço para erros ou desperdícios.
Demorei mais de 1 mês para conseguir encaixar todas as "novas" tarefas domésticas a minha vida profissional, onde eu desenvolvia projetos e dava aulas.

Não fui uma daquelas crianças que nasceram com o computador no colo. Por mais que eu tenha feito faculdade de análise de sistemas, minha relação com os computadores e a programação veio através da música. 
Fui músico por alguns anos e em 1991, gravei um CD em um estúdio de áudio onde eu trabalhava na época. Gravei todas as guitarras e programei (escrevi) as baterias e teclados. Usei em 1991 o Cakewalk (hoje Sonar) para fazer a mágica acontecer.

Programo profissionalmente desde 2001, mas hoje consigo ver que de alguma maneira (de uma forma abstrata) sempre programei, porque sempre fui conhecido como alguém que tinha uma maneira mais dinâmica e otimizada de fazer a mesma coisa.

A área da programação que eu mais gosto é o gerenciamento do conteúdo de mídia.
Até agora falei sobre programação sob uma perspectiva teórica, de um modo prático, sempre que eu me envolvo em algum projeto pessoal (atualmente estou estudando Inglês e História da Europa), crio uma ferramenta para gerenciar minhas anotações e o que está sendo estudado.

Hoje com 45 anos, eu vejo que vários amigos estão migrando para posições gerenciais, onde não colocarão mais a "mão na massa". Não me sinto motivado para fazer o mesmo, pois para mim, pelas razões listadas acima, seria como se me amordaçassem.

Eu sou um Italiano que fala muito… principalmente com as mãos.
Va bene, Ciao.

Like what you read? Give Flavio Rosselli a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.