O Parto Ativo

O parto seguido da palavra “ativo” tem sido fundamental para a história dos nascimentos pelo mundo. Estamos muito longe do ideal que é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que preconiza que os nascimentos ocorram em 10 a 15% por via de cirúrgica (cesárea) no total por ano em cada país. Mas não é só sobre as milhares de cesáreas desnecessárias que estamos falando e sim pela falta de protagonismo que a mulher que está para dar a luz ao seu filho sofre, e, como não podemos esquecer, se sujeita também. Por um conjunto de fatores, medos, traumas, palpites e desinformação, a mulher entrega todas as decisões do seu corpo e do seu parto nas mãos de profissionais que muitas vezes estão preocupados mais com a própria agenda, datas comemorativas, compensação financeira e, alguns, induzem, mesmo que inconscientemente, a um nascimento antecipado, induzido, tornando esse evento natural algo patológico cheio de intervenções médicas e hospitalares.

Tornar o parto ativo, não é se referir apenas a parte física do processo, em que a mulher pode caminhar, comer e ingerir líquidos, ficar em diferentes posições que sejam mais confortáveis durante o trabalho de parto e nascimento; esse nome ativo se refere também a parte mental dessa mulher. Quanto mais a mulher se aproxima do período expulsivo no trabalho de parto menos ela ativará a parte do seu cérebro chamada ‘neocortex’, o que estará cada vez mais ativa será a parte primitiva cerebral. Se não ocorrer nenhuma intervenção médica e medicamentosa esse processo irá continuar sem pausas nos aproximando mais dos outros mamíferos secretando os hormônios necessários para o parto que irá ocorrer, na maioria das vezes, de uma maneira cadenciada, natural e simples!

É muito delicada e tênue a linha que nos separa, no momento do parto, de toda uma sociedade em que a mulher parindo se torna uma‘paciente’, precisando da ajuda de médicos, enfermeiras e quem mais estiver nos centros obstétricos. A mulher se torna incapaz aos olhos da sociedade de parir naturalmente, o parto vira um evento perigoso que graças a medicina “moderna”, que não está baseada em evidências, salva bebês retirando-os dos seus úteros quando ainda não estavam prontos para nascer e superlotam as UTIs neonatais pelo país e pelo o mundo.

Se a sociedade que inclui todas as pessoas que conhecemos e as que não conhecemos, se nossas próprias famílias desinformadas também não confiam na capacidade de uma mulher parir sem intervenções, como é que nós mulheres/gestantes iremos confiar no nosso próprio corpo que foi feito para tal mas que vem sendo desacreditado há muitos e muitos anos cada vez mais???

Sem dúvida alguma a parte mental talvez seja a mais importante no processo da gestação e principalmente durante o trabalho de parto, se algo atrapalhar esse processo primitivo e natural, as glândulas não receberão a ordem certa de secretarem os hormônios do parto, a musculatura ficará desfavorável a movimentação da pelve e do bebê, o medo irá gerar mais dor que gerará mais medo e então o espetáculo para as intervenções médicas desnecessárias se tornam erroneamente necessárias e dá-se a cascata que provavelmente levará a gestante a uma série de violências obstétricas ou a cirurgia cesariana já que esse bebê que estava tranquilo e saudável sentirá os efeitos dos procedimentos medicamentosos e das intervenções do homem, e, certamente entrará em sofrimento fetal real.

É uma grande batalha que a mulher deve insistir em ganhar para que todos os traumas vividos, todas as histórias com péssimos desfechos ao seu redor, todo um corpo que parece duvidoso para conseguir algo tão espetacular que é parir um bebê seja capaz, sim é muito difícil. Perdemos a confiança na natureza e no funcionamento fisiológico do corpo da mulher em parir, isso é muito triste e alarmante.

Talvez a maneira de nos tornarmos ativas é ir em busca de informação para que não toleremos mais a situação em que a mulher não é a peça principal do parto. Adquirir o conhecimento do quanto o corpo gestando e parindo é capaz de fazer e todos os benefícios que o parto natural trará para a mãe e bebê. O parto ativo começa no nosso cérebro!